Sobre
Sobre
Como funciona
Como funciona o Quero Bolsa?
Ligue grátis
0800
0800 941 3000
Seg - Sex 8h-22h
Sábado 9h-13h
Aceitamos ligação de celular
44b2bf06763ecf82840f8e534cedad96ce514051 3a0f35705cf17b6195d42728a19d56943c07144b
Universidades

Alvaro Dias no Voto pela Educação

por Natália Plascak Jorge em 15/06/18 3 mil visualizações

Alvaro Fernandes Dias é historiador e professor. Nasceu em 1944, ocupa o cargo de senador no Brasil, representando o estado do Paraná, e é pré-candidato à presidência da República pelo Podemos.

Foi o sexto pré-candidato a ser entrevistado pelo projeto VOTO PELA EDUCAÇÃO e a compartilhar suas propostas educacionais de governo para a Revista QB.

Créditos
Entrevista: Rui Gonçalves
Imagens e edição: Guigo Moreira
Produção: Rui Gonçalves e Natália Plascak Jorge
Data de realização da entrevista: 04/06/2018


Transcrição

Revista QB: Olá, querobolsista e estudante e a você também que acompanha o projeto Voto pela Educação. Estamos aqui em mais uma entrevista com um pré-candidato à presidência da República. Dessa vez, ao meu lado o senador Alvaro Dias, do Podemos, também candidato nessa eleição desse ano. Senador, muito obrigado por aceitar o nosso convite.

Alvaro Dias: Eu é que agradeço. É muito bom discutir o Brasil nesse momento, para que depois a escolha não seja inadequada, infeliz e seja a reedição da tragédia que nós estamos vivendo. Então, é bom que todos possam conhecer o que pensam os candidatos.

RQB: Senador, a primeira pergunta que eu faço para o senhor é o seguinte: Passa eleição, após eleição, a gente sempre tem entre os candidatos a qualquer cargo público o discurso de que educação é prioridade e de que é preciso valorizar o professor. Na prática, o senhor sendo eleito, o que o senhor pode fazer para valorizar o professor e tornar a educação prioridade do país?

AD: Olha, mais importante do que aquilo que o candidato possa dizer durante a campanha eleitoral é o que ele fez antes. Então, eu fui governador e concluí o meu mandato de governador com uma aprovação recorde e, certamente, a educação foi essencial. A Fundação Carlos Chagas que à época avaliava o desempenho do ensino nos estados considerava a educação do Paraná a melhor do país. Nós investimos 40% dos recursos públicos, da receita pública em educação. Iniciamos lá já há 28 anos, não é, o ensino integral, em tempo integral, 120 mil alunos de escolas de periferia eram alunos atendidos em tempo integral nas escolas públicas. Concedemos a gratuidade do ensino nas universidades estaduais. São cinco universidades. O nosso governo criou duas delas e três já existiam. E nós passamos a receber os alunos gratuitamente. Isso foi fundamental, porque nós distribuímos no espaço geográfico essas instituições de ensino superior, que alavancaram o desenvolvimento do estado. Foi fundamental para o estado do Paraná. E eu fui relator do Plano Nacional de Educação como senador. Esse último Plano Nacional de Educação. Fui o último relator. Apresentei 103 emendas, depois de um debate de um mês, com cerca de 30 especialistas. Apresentei 103 emendas, não é, e elas foram aprovadas pela metade. A metade dessas emendas foram aprovadas. As mais importantes não foram aprovadas, aquelas que diziam respeito a uma Lei de Responsabilidade Educacional. E o que ocorre? O Plano não é aplicado. Então, é mais uma lei existente no país sem aplicação. Nós estamos acostumados a elaborar leis e, muitas vezes, elaboramos bem, outras vezes, elaboramos mal, mas, muitas vezes, essas leis não são aplicadas e outras vezes elas são interpretadas equivocadamente ao sabor dos interesses localizados.

RQB: Falando do Plano Nacional de Educação, senador, a gente tem uma meta que é para 2024, nesse plano que está em vigor nesse momento.

AD: Dos 10% de…

RQB: Na realidade, eu estou pensando no Ensino Superior. A gente tem uma meta um índice de matrícula bruta de 50% no Ensino Superior brasileiro. O que dá mais ou menos 11 milhões de pessoas matriculadas em 2024. Hoje, a gente está com 8 milhões mas a gente está com uma tendência de queda porque a gente vem arrastando uma crise aí que tem afastado algumas pessoas da educação. O próprio setor educacional não acredita que a meta vai ser atingida. O que é que dá? Daria tempo de reverter no próximo governo? Modificar a situação para que a gente consiga chegar a 11 milhões de matriculados?

AD: Olha, quando eu falo em refundação da República, eu falo exatamente em obediência às leis, a elaboração de leis adequadas para o futuro do país e o respeito às leis e todos nos colocando como iguais perante a lei. Isso é essencial na refundação da República. Os 10% para a educação, 10% do PIB para educação é essencial para se alcançar essa meta que você propõe. Nós sabemos que hoje estamos aí ao redor de 6%, então, temos que avançar bastante. Temos que rever os orçamentos, rever as prioridades, estabelecer novas prioridades. Eu acho que, se nós temos um grande desafio, que é o desafio fiscal, para arrumar as contas públicas, temos o desafio dos investimentos, o desafio da produtividade, esses dois itens: investimento e produtividade dependem de um modelo educacional também. Então, nessa revisão dos orçamentos, nós temos que destinar recursos, certamente, prioritariamente à educação e à tecnologia, à inovação. Esses dois pontos são essenciais para o país crescer. E, certamente, com o crescimento econômico do país nós teremos sim a possibilidade de avançar até os 10% do PIB para educação que eu considero essencial para atender os outros itens desse Plano Nacional de Educação. Eu repito: se esse plano estivesse tendo respeitado, nós daríamos um salto de qualidade em matéria de modelo educacional.

RQB: Pensando, então, nesse salto, vamos pegar o exemplo da Coreia do Sul. A Coreia do Sul, em meados da década de 80, ela tinha um nível de escolaridade baixo e a produtividade do trabalhador na Coreia do Sul naquela época era a metade de um trabalhador brasileiro. Passado aí 30 anos, a educação sofreu um investimento bastante forte, a produtividade do trabalhador sul-coreano hoje é o dobro da produtividade do trabalhador brasileiro, que continua mais ou menos no mesmo patamar de três décadas atrás, e a gente tem aí a Coreia como uma referência no setor de educação. Sabendo que o modelo dá certo, por que a gente não consegue implementar isso no Brasil?

AD: Exatamente. A Coreia é um grande exemplo. Há 60 anos, a Coreia tinha uma renda per capita inferior à [renda] do Brasil. E nós tínhamos uma renda per capita equivalente a 15% da renda americana. Hoje, nós temos uma renda per capita equivalente a 25% da renda americana e a Coreia do Sul tem uma renda per capita 70% em relação à americana. Veja a diferença, o salto. Isso foi sim um modelo educacional e investimento em ciência e tecnologia. Coreia investe 4% em ciência e tecnologia. O Brasil está ao redor de 1%, não é. Portanto, sem dúvida nenhuma, modelo educacional, investimento em ciência e tecnologia é o caminho para a elevação dos índices de produtividade. É o caminho para que a população brasileira possa escapar dessa armadilha da renda média e alcançar renda alta como ocorre na Coreia. Isso tudo tem esse início: educação, modelo educacional é possível. É possível, desde que saibamos rever os nossos orçamentos, estabelecendo prioridades, e a educação tem que ter sim os 10% do Produto Interno Bruto.

RQB: O último governo tentou fazer alguma coisa, e um dos avanços foi o Financiamento Estudantil, o Fies. O problema que ele acabou gerando uma distorção. Aumentou muito a quantidade de contratos, acabou havendo uma elevação do preço da mensalidade escolar para quem tem Fies e a própria Controladoria Geral da União já apontou isso em relatório divulgado em janeiro e, por outro lado, criou uma geração de estudantes endividados. Metade dos estudantes que contratou o Fies no passado não está conseguindo pagar ele agora. Dá para consertar isso? E qual é o modelo financiamento, qual é o modelo de educação que a gente pode encontrar no governo do senhor?

AD: O Fies é sem dúvida nenhuma um bom modelo de financiamento da educação, o Prouni. Ocorre que há desvios, há incompetência de gestão. Gestão é fundamental, a boa gestão. Nós temos vagas pagas e não ocupadas, nós temos transferência portanto de dinheiro público indevidamente, há monumentais desvios. Nós já debatemos isso no Senado na Comissão da Educação. Ainda à época o ministro Haddad, mas isso não se corrigiu. Portanto, a aplicação correta de cada centavo do dinheiro público em educação é essencial para se alcançar os objetivos. É evidente que nós vamos ter que investir muito em Educação Infantil. Cada dólar investido, de 0 a 6 anos de idade, tem um retorno de 6 a 7 dólares. E aí melhora o desempenho escolar. E obviamente melhora o PIB do país, na verdade. Porque não há aplicação mais rentável do que essa da Educação Infantil. E, se nós queremos chegar ao Ensino Superior com competência e com bom desempenho escolar, certamente, nós temos que investir na formação que é a base para a sustentação dessa caminhada até o Ensino Superior.

RQB: O senhor é a favor que o estudante que tem condições de pagar pela faculdade pague mesmo estudando no ensino público?

AD: Eu creio que aí há uma dificuldade de legislação, porque todos somos iguais perante a lei, mas é preciso estabelecer parâmetros na legislação que possibilite uma presença maior daqueles de baixa renda. Certamente, os oriundos da escola pública deveriam ter a sua cota reservada para o ingresso no Ensino Superior. Talvez seja essa a forma de solucionar. O que eu não entendo é que se defenda a extinção de forma completa e absoluta do ensino gratuito nas nossas universidades. Eu que fui responsável pela decretação do ensino gratuito em cinco universidades estaduais do Paraná, que cobravam antes mensalidades, não posso hoje advogar em função do resultado que eu conheço, advogar o fim do ensino gratuito nas nossas universidades. E o que eu considero mais: um governo que não tem condições de oferecer educação à juventude, inclusive de nível superior, não é digno de ser considerado um governo. Passa a ser um desgoverno.

RQB: O senhor falou uma palavra que chama muita atenção que é a palavra cota. No entendimento do senhor, a cota é um processo que deve ser implementado no sistema de educação para sempre ou a cota é um processo que deve ser implementado dentro do sistema de educação para em um período de transição, uma transição de uma educação de melhor qualidade e mais justa e mais igual que leve as pessoas a disputarem essas vagas em melhor condição de disputa?

AD: É, deve ser considerado transição e confissão de incompetência porque se nós tivéssemos um Ensino Fundamental de qualidade, nós não teríamos necessidade de estabelecer cotas para quem quer que seja. O importante é recuperar a qualidade do Ensino Fundamental ou introduzir qualidade ao Ensino Fundamental, o ensino integral com foco especialmente no ensino técnico na fase fundamental da educação, para que nós possamos ter alunos preparados para o enfrentamento do Ensino Superior com sucesso. Aí, nós teremos sim a possibilidade de eliminar esse sistema de cotas.

RQB: A melhora da educação passa pela melhora da infraestrutura e passa também pela valorização do professor. Para valorizar o professor, o professor precisa, em última instância, receber um melhor salário para atrair os melhores profissionais para a área de educação. O senhor acha que fecha essa conta: elevar o salário do professor, atrair os melhores profissionais para a área de Educação e transferir todo esse conhecimento para o aluno, e aí o país ganha como um todo? Dá para fazer isso?

AD: É evidente que isso não se faz em quatro dias nem em quatro anos. É um processo lento, mas é possível. Nós sabemos que ascensão profissional do mestre, a qualificação profissional e o salário adequado. Esse Plano Nacional da Educação estabeleceu que até o quinto ano de execução os professores deveriam estar recebendo salários equivalentes aos seus colegas de universidade. Doutores, advogados, dentistas, engenheiros, médicos. Professor deveria estar ganhando igual a esses profissionais e, no entanto, esse plano não é respeitado. Imagino que vamos caminhar para isso. Primeiramente, definir os recursos. Definir a forma de financiamento da educação e aí estabelecer o salário adequado para atrair os melhores profissionais para o magistério.

RQB: Senador Alvaro Dias, muito obrigado pela participação do senhor no Voto pela Educação. Acho que foi uma contribuição muito grande essas ideias do senhor para o entendimento sobre o setor de educação para os nossos internautas. Senador, muito obrigado e sucesso.

AD: Muito obrigado. Eu que agradeço.

RQB: Para você, a gente se encontra na próxima entrevista do Voto pela Educação. Um abraço.


O que você achou deste artigo?

44b2bf06763ecf82840f8e534cedad96ce514051 3a0f35705cf17b6195d42728a19d56943c07144b
ALERTA DE BOLSAS i-close
Gostaria de estudar na faculdade de sua preferência com bolsa de estudo?
ALERTA DE BOLSAS i-close
Sabia que dependendo do seu período é melhor começar de novo?Thinking face f5c039d3e92b0c131b3780cdbc1ee3d7966cc05cafc35064b70df0e0e049c24d

Caso você ainda esteja no primeiro ou segundo período da faculdade, você pode economizar começando o curso novamente com bolsa de estudo.

ALERTA DE BOLSAS i-close
Nós podemos te ajudar Raised hands 93ba2838e7c9b110e7b370ddadc1892902fe94722a836c919cb013fa7ced527d

Aqui no Quero Bolsa você encontra as melhores bolsas de estudo em diversos turnos, até mesmo ensino a distância.

Preencha os campos abaixo para receber avisos de bolsas de estudo disponíveis em nosso site de acordo com seus interesses.

ALERTA DE BOLSAS i-close
Deixe seus contatos Mailbox 3aaacb172f1a1e1ba19b2e93f60f637592c84194967e63e952c08d3cb04fa7a8
ALERTA DE BOLSAS i-close
Falta só mais um passo! Raised hands 93ba2838e7c9b110e7b370ddadc1892902fe94722a836c919cb013fa7ced527d

As nossas melhores bolsas de estudo chegam de surpresa. Por isso fique ligado.

Com a sua confirmação enviaremos ofertas exclusivas diretamente no seu Whatsapp. Rápido, fácil, prático e na tela do seu celular.

CENTRAL DE AJUDA i-close
Como podemos te ajudar?

Gostaria de saber como o Quero Bolsa funciona e se o site é confiável.

Veja as perguntas frequentes

Quero receber bolsas de estudo de acordo com meus interesses diretamente em meu e-mail e WhatsApp.

Gostaria de estudar na faculdade de sua preferência com bolsa de estudo?
i-close

Se por algum motivo você não utilizar a nossa bolsa de estudos, devolveremos o valor pago ao Quero Bolsa.

Basta entrar em contato conosco em até 6 meses após o pagamento, informando seus dados e o motivo da devolução.

Fique tranquilo: no Quero Bolsa, nós colocamos sua satisfação em primeiro lugar e vamos honrar nosso compromisso.

O Quero Bolsa foi eleito pela Revista Época como a melhor empresa brasileira para o consumidor na categoria Educação - Escolas e Cursos.

O reconhecimento do nosso trabalho através do prêmio Época ReclameAQUI é um reflexo do compromisso que temos em ajudar cada vez mais alunos a ingressar na faculdade.

Feito com pela Quero Educação

Quero Educação © 2011 - 2018 CNPJ: 10.542.212/0001-54