Sobre
Sobre
Como funciona
Como funciona o Quero Bolsa?
Ligue grátis
0800
0800 941 3000
Seg - Sex 8h-22h
Sábado 9h-13h
Aceitamos ligação de celular
Ensino Básico

Ano letivo de 2020 pode se estender até o ano que vem

por Luiza Padovam Vieira em 20/07/20

Assim como a saúde, a política e a economia, a educação é outro setor que vem sendo marcado por uma clima de polaridade no Brasil. Primeiro, a discussão foi sobre a paralisação ou não das aulas, depois, sobre o acesso desigual à internet entre os estudantes brasileiros. No último mês, a reabertura das escolas gerou polêmica entre gestores, pais e governantes e, agora, o ano letivo de 2020 do Ensino Básico é a bola da vez. 

Entenda como fica o ano letivo de 2020 na educação básica

Em um cenário em que alguns estados já retornaram às aulas presenciais e outros aguardam a estabilização dos casos de Covid-19, surge a dúvida sobre o que deve ser feito com o calendário escolar deste ano. Alguns dizem que o certo seria reprovar todos os alunos, outros defendem a aprovação automática, e há os que optam pelo meio termo. Luciana Allan, diretora do Instituto Crescer - instituição que desenvolve e implementa projetos na área da educação -, acredita que devemos adotar um outro olhar para este momento

“Precisamos fazer uma releitura. Tirar o foco no currículo e ver aquilo que é realmente essencial”, afirma.

Reprovação automática

Considerando esta hipótese, todos os estudantes fariam o ano letivo de 2020 novamente. Um dos argumentos para justificar a reprovação automática é que grande parte das escolas tiveram suas aulas suspensas com menos de um mês após o início do ano letivo. 

Além disso, mesmo com a implementação do ensino remoto, cerca de 4,8 milhões de estudantes entre 9 e 17 anos não têm acesso à internet e tiveram seus estudos comprometidos por conta disso. 

Neste sentido, a medida seria uma forma de garantir que todos os alunos tenham aprendido as habilidades essenciais antes de seguirem adiante. Entretanto, a grande maioria dos especialistas são contra a reprovação, vendo-a como uma forma de punição. Diversas pesquisas mostram que a repetência é um dos principais fatores para a evasão escolar. Um estudo realizado pela Fundação Roberto Marinho em parceria com o Insper, revela que três em cada dez alunos já pensaram em não retornar às aulas após o isolamento social. 

Aprovação automática

Este cenário seria o extremo oposto. Todos os alunos, independente da rede de ensino, da disponibilidade ou não de aulas e da qualidade do ensino oferecido no isolamento social, seriam aprovados automaticamente para o ano subsequente. 


Assim como a primeira alternativa, aprovar o estudante para o próximo ano sem saber ao certo o que foi ou não assimilado, pode desencadear uma série de problemas. De acordo com o último Índice Nacional de Analfabetismo Funcional (Inaf), realizado em 2018, 30% dos brasileiros entre 15 e 64 anos de idade são analfabetos funcionais. Ou seja, embora eles saibam reconhecer números e letras, são incapazes de realizar operações matemáticas mais complexas, compreender e interpretar textos simples. 

O que fazer então?

Nem tanto ao céu nem tanto à terra

No dia 7 de julho, o Conselho Nacional de Educação (CNE) divulgou um parecer recomendando que as escolas adotem medidas que minimizem a evasão escolar neste ano de 2020. Segundo o documento, “os estudantes não podem ser mais penalizados ainda no pós-pandemia”. 

Uma das medidas é a avaliação diagnóstica. Para Claudia Petri, coordenadora de implementação regional do Itaú Social, é preciso primeiro compreender onde cada aluno está para depois definir o que deve ser feito. 

A especialista explica que o Brasil possui uma distorção entre idade e série anacrônica, que foi exacerbada ainda mais durante a pandemia. Em sua opinião, adotar um plano de continuidade conectando o ano letivo de 2020 ao de 2021 é uma das maneiras de suprir essa defasagem de aprendizado entre os estudantes. No Distrito Federal, por exemplo, essa medida já foi adotada e as aulas das escolas públicas se estenderam até janeiro do ano que vem. 

“Precisamos pinçar a aprendizagem foco para que ele [aluno] possa avançar, resgatando as questões principais e sem achatamento dos conteúdos”, diz a educadora. Foi pensando nisso que o Itaú Social e o Instituto Reúna elaboraram o Mapas de Foco da BNCC (Base Nacional Comum Curricular). De acordo com Petri, o documento visa identificar as habilidades imprescindíveis para o avanço dos alunos em meio a um cenário de flexibilização curricular. O currículo é voltado principalmente para o Ensino Fundamental Anos Iniciais e Finais, e aborda os conteúdos essenciais nas áreas de Português, Matemática e Ciências. 

Além das competências básicas, Luciana Allan afirma que é preciso também “dar mais luz às habilidades socioemocionais e às tecnologias”, desenvolvendo aspectos que são fundamentais para as crianças e jovens do mundo atual. 

Ano letivo de 2020 e retorno às aulas

Apesar de alguns estados já terem retornado às aulas presenciais, o tema ainda gera discussões no que se diz respeito à segurança dos professores, funcionários, das crianças e de suas respectivas famílias. 

Independente de quando as escolas irão reabrir, Petri ressalta que é importante que elas garantam o cuidado das crianças e dos profissionais de maneira global, através de diversas medidas como:

  • Providenciar amparo emocional;

  • Realizar uma busca ativa junto a UNICEF identificando alunos que largaram os estudos;

  • Retorno gradual das turmas, promovendo uma intersecção entre saúde, educação e assistência social;

  • Avaliação diagnóstica dos alunos;

  • Estreitar a relação entre família e instituição na reinserção dos alunos no âmbito escolar e na continuidade do aprendizado. 

Um novo olhar para a educação

Nesses últimos quatro meses, a educação foi provavelmente um dos setores que mais sofreu mudanças, precisando se reinventar e se adaptar ao novo modus operandi. Luciana Allan, doutora em educação, acredita que essa é uma ótima oportunidade para a escola revisitar e refletir sobre os seus métodos de aprendizagem, adotando um modelo que seja mais engajado e que envolva às crianças. “O que é essencial a gente ensinar se o conteúdo já está disponível online?” comenta. 

Segundo Allan, é preciso inovar as metodologias de ensino-aprendizagem, promovendo a participação e o interesse do aluno. Para isso, é preciso primeiro capacitar os profissionais não só com o uso das tecnologias, mas também para implementar, na prática, as competências e habilidades descritas na BNCC. 

Mas as instituições não são as únicas que devem se reinventar. A educadora ressalta que os responsáveis também precisam se despir de algumas amarras.“Hoje, há uma dicotomia entre a realidade e o que os pais querem e pensam sobre a escola ideal”, explica. Muitos pais querem que os filhos recebam uma educação diferenciada, que trabalhe habilidades como empatia, criatividade e habilidades cognitivas, porém, ainda estão presos à um modelo pedagógico baseado em provas, na exigência e na cobrança excessiva dos alunos. 

Leia também: 
+ José Pacheco e Pedro Demo: por uma escola focada no aluno
+ Tarefa de casa e o seu papel na educação da criança


O que você achou deste artigo?

Se por algum motivo você não utilizar a nossa bolsa de estudos, devolveremos o valor pago ao Quero Bolsa.

Você pode trocar por outro curso ou pedir reembolso em até 30 dias após pagar a pré-matrícula. Se você garantiu sua bolsa antes das matrículas começarem, o prazo é de 30 dias após o início das matrículas na faculdade.

Fique tranquilo: no Quero Bolsa, nós colocamos sua satisfação em primeiro lugar e vamos honrar nosso compromisso.

O Quero Bolsa foi eleito pela Revista Época como a melhor empresa brasileira para o consumidor na categoria Educação - Escolas e Cursos.

O reconhecimento do nosso trabalho através do prêmio Época ReclameAQUI é um reflexo do compromisso que temos em ajudar cada vez mais alunos a ingressar na faculdade.

Feito com pela Quero Educação

Quero Educação © 2011 - 2020 CNPJ: 10.542.212/0001-54