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Ensino durante a pandemia: entenda como funcionam as aulas a distância nos cursos de graduação presenciais

por Patrícia Carvalho em 15/05/20

O avanço do novo coronavírus no Brasil e o estabelecimento da quarentena pelas autoridades estaduais em meados de março exigiu a adequação de diversos setores para respeitar o distanciamento social necessário, dentre eles, o de Ensino Superior. 

No dia 17 de março de 2019, o Diário Oficial da União publicou a Portaria Nº 343, que autoriza a substituição de disciplinas presenciais por aulas a distância com tecnologias de informação durante 30 dias, com possibilidade de prorrogação. 

Como alternativa às aulas remotas, o Ministério da Educação (MEC) também liberou a suspensão das aulas durante o mesmo período ou alteração do calendário de férias. Nesses casos, a reposição das aulas devem ser feitas integralmente. 

Por meio da portaria, o MEC garante total autonomia para as instituições de ensino superior do País para que elas decidam quais serão as medidas adotadas em relação às atividades acadêmicas em suas respectivas unidades. Com isso, há uma grande variedade de posicionamentos entre instituições públicas e privadas do Brasil.

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No caso das universidades que optaram pelo ensino a distância (EaD), a adaptação da rotina de estudos de professores e alunos pode ser ainda maior, especialmente em cursos que são ofertados apenas na modalidade presencial, como Direito e Medicina, pois somente as disciplinas teóricas podem ser trabalhadas de forma remota.

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De acordo com a professora Alexandra Geraldini, pró-reitora de Graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), a decisão de manter as aulas partiu do compromisso da instituição para com a formação dos estudantes, a manutenção de pesquisa e prestação de serviços à sociedade por meio de assistência judiciária, clínica psicológica e hospital, considerados essenciais.

O papel das universidades se torna ainda mais relevante em momentos de crise, uma vez que são produtoras e disseminadoras de conhecimento científico, tão essencial na superação das dificuldades, assim como na proposição de alternativas criativas e fundamentadas à solução de problemas tão numerosos e agravados durante uma pandemia como a que estamos vivendo”, explica Geraldini.

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A adaptação do formato de aulas presencial para o virtual

No Sul de Minas, o curso de Medicina da Universidade do Vale do Sapucaí (Univás) possui uma carga teórica significativa do primeiro ao quarto ano e, por esse motivo, o ensino remoto foi adotado rapidamente por meio da plataforma Teams, da Microsoft. Já para as turmas do quinto e sexto ano, que possuem cargas práticas maiores que teóricas e fazem internato, o processo de adaptação foi mais complexo.

“O sindicato dos professores daqui do Sul de Minas havia proibido aulas EaD para o internato. Só depois de um bom tempo, viram que a aula remota não se enquadra como EaD e poderia ser realizada. Então nós tivemos apenas uma semana de aulas teóricas online, pois logo em seguida a faculdade resolveu adiantar nossas férias de julho para maio”, conta Carolinne Bulgarão, estudante do sexto ano do curso de Medicina da Univás.

O controle de frequência foi mantido pela plataforma online, de acordo com Carolinne, e alguns professores pedem que a câmera fique ligada durante a aula. As avaliações, por outro lado, serão feitas apenas quando as atividades presenciais retornarem, com previsão para julho. 

A universitária conta que a adaptação em relação às aulas teóricas foi bem tranquila para ela e grande parte dos colegas, no entanto, ressalta que a falta da prática é uma preocupação. “A partir do quarto ano a sala se divide em grupos e rodamos pelas áreas da Medicina, ambulatórios e plantões no pronto socorro. Ou seja, a assimilação do conteúdo é muito maior, porque você conecta o conteúdo teórico diretamente com a prática. O que não está havendo agora por só estarmos com aula online e que para a Medicina é extremamente prejudicial”, lamenta.

Para reduzir os impactos na formação dos estudantes, haverá reposição das atividades presenciais com aumento da carga horária. Nesse cenário, sábados e feriados também passarão a ser dias letivos. Essa medida foi tomada de forma consensual com os alunos, por meio de formulários para decidir a opinião da turma sobre a possibilidade de adiar ou manter a formatura. A decisão final foi de mantê-la.

Entretanto, mesmo após a formação os alunos que julgarem necessário poderão frequentar o hospital e ambulatórios após o dia da formatura, por meio de um acordo entre os representantes de sala e a diretoria da faculdade.

universitária estudando em casa

Também foi a aproximação da conclusão do curso para os alunos do sexto ano de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) que fez com que a reitoria considerasse a possibilidade de retorno das atividades acadêmicas presenciais, após um período de suspensão. 

De acordo com o coordenador do curso, Aécio Gois, a decisão de suspender as aulas foi tomada pela reitoria pelo receio de não haver equipamentos suficientes para os alunos e os profissionais da saúde, de forma que os alunos passassem a competir com os médicos e enfermeiros pelos Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s).

 “Com a organização da universidade e algumas doações, a gente agora consegue ter uma segurança de que o retorno de uma quantidade menor de alunos não interferiria no processo de EPI para os profissionais da linha de frente”, afirma.

Na próxima segunda-feira (18), os alunos do sexto ano de Medicina da Unifesp farão rodízios para atingir de 70% a 80% das atividades práticas programadas de forma segura.

O quinto ano, por sua vez, retornará apenas com as aulas virtuais, que serão gravadas. O conteúdo online será feito apenas em relação às disciplinas teóricas, que correspondem a 20% da grade curricular do quinto ano, de acordo com a proposta pedagógica do curso. 

Os demais anos do curso de Medicina da Unifesp ainda não possuem previsão de retorno das atividades, tanto presenciais quanto online. Nesse período, a instituição liberou disciplinas optativas relacionadas ao coronavírus e a outros temas da saúde, para os alunos que tiverem interesse. Para ter acesso às aulas é preciso se cadastrar nessas disciplinas, que não são obrigatórias. “A gente deixou muito livre, para que as pessoas que se sintam em condições de fazer possam fazer”, esclarece Aécio. 

O coordenador revelou que os estudantes estão com opiniões bem divididas em relação às aulas online, mas que a coordenação tem conversado com os representantes de turma.

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Na PUC-SP, a pró-reitora deixa claro que o ensino remoto não se trata simplesmente de uma transposição da modalidade presencial. Por esse motivo, a instituição realizou oficinas de qualificação para os docentes e capacitações que abordaram temas como estratégias pedagógicas para o ensino remoto, assim como instrumentos de avaliação.

O curso de Direito, especificamente, passou a ter aulas síncronas - ou seja, em tempo real - e um repositório onde os professores colocam as aulas gravadas. Além disso, a instituição ampliou o acervo digital do curso com biblioteca virtual, assim como revistas e periódicos da área. 

“Mantivemos a maior parte das atividades acadêmicas e respeitamos o desenvolvimento dos planos de ensino. Contudo, há situações, especialmente atividades práticas de algumas áreas e atividades realizadas exclusivamente em campo que não puderam ser realizadas. Essas serão realizadas presencialmente quando o isolamento for flexibilizado”, diz. 

Quando questionada sobre o posicionamento dos alunos em relação ao novo formato, Geraldini afirmou que, de forma geral, a devolutiva tem sido boa. Contudo, há reclamações sobre o excesso de atividades que, segundo a pró-reitora de Graduação, passa por um aprimoramento.

No curso de Direito da Universidade do Vale do Paraíba (Univap), os professores possuem mais autonomia para decidir o formato das aulas e cada professor aplica uma metodologia de ensino. 

“Tem professor que coloca uma aula no YouTube e uma conferência no Zoom, tem professor que dá aula no Zoom, tem professor que dá uma aula e não é obrigatório dar uma conferência, tem professor que não faz controle de presença e tem professor que faz. Então a gente tem que ficar caçando o que cada professor vai fazer e a gente fica perdido”, desabafa Luciano Lourenço, estudante do segundo ano do curso de Direito. Ele acrescentou que também não há informações sobre como funcionará o controle de presenças e a avaliação das disciplinas.

A Revista Quero entrou em contato com a assessoria da Univap, a qual afirmou que a instituição ainda está em fase de organização de aulas remotas e por isso não comentará sobre o tema.

Os desafios da aprendizagem no ambiente virtual

No curso de Medicina da Unifesp, Gois afirma que o maior desafio será trabalhar o medo e as angústias no momento atual que, segundo ele, são tão fortes nessa geração de alunos. Ele reitera que será preciso transmitir, além do conhecimento, um modelo de profissionalismo que inclui ética, mas também acolhimento e cuidado.

“Uma coisa que me angustia muito é quando a gente vê a mídia tratando o profissional de saúde como um super-herói e na verdade ele é humano, então a gente que ensinar cada vez mais os nossos alunos que eles são pessoas e que o medo, a angústia e o sofrimento fazem parte de todo processo”, desabafa o coordenador do curso de Medicina da Unifesp, Aécio Gois.

Geraldini defende, ainda, a necessidade de superar o sentimento de distanciamento social e mostrar que é possível estar perto e ativo mesmo nos cenários digitais, por meio da disciplina, autonomia e atividades atrativas.

Como auxílio aos estudantes nesse período, um grupo de alunos e professores voluntários da Unifesp estão oferecendo apoio psicológico aos universitários da instituição. 

Existe a possibilidade dos cursos de Direito e Medicina serem oferecidos na modalidade EaD no período pós-pandemia?

Ao serem questionados sobre a possibilidade de tanto o curso de Direito quanto o de Medicina passarem a ser ofertados na modalidade a distância, a resposta foi negativa.

Segundo o coordenador do curso de Medicina da Unifesp, essa possibilidade não seria viável pois se trata de um curso muito prático. “Acredito que a gente possa ter algumas atividades teóricas que podem ser feitas a distância, mas não acredito que possa ser ofertado [completamente] a distância porque é um curso muito prático. A gente precisa ter muita troca de experiência, da interação com o paciente”, argumenta.

No âmbito da PUC-SP, Alexandra Geraldini explica que a instituição não vê vantagens acadêmicas para substituir o curso de Direito por atividades totalmente a distância. “Consideramos que atividades em ambientes virtuais de aprendizagem podem ser muito bem combinadas à modalidade presencial permitindo, assim, explorar o melhor dos dois mundos, até porque a tecnologia digital, se bem utilizada, pode ser um forte aliado para qualificar ainda mais os cursos presenciais”. 

O impacto da pandemia na formação dos alunos

Ao longo da pandemia, é comum ouvir ou ler a frase de que o mundo não será o mesmo após o coronavírus. Essa afirmação também é válida para o Ensino Superior do Brasil.

A pró-reitora Alexandra Geraldini acredita que além do uso qualificado de momentos compartilhados presencialmente, "a tecnologia tem papel relevante nesse processo: ela favorece o acesso, o armazenamento, a organização, bem como o compartilhamento da informação, liberando tempo para que, em situação presencial, os grupos  se dediquem à construção de sentido, à problematização, à negociação de significados, à crítica fundamentada,ao aprofundamento de conceitos e à tomada de decisão”, ressalta.

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