Sobre
Sobre
Como funciona
Como funciona o Quero Bolsa?
Ligue grátis
0800
0800 941 3000
Seg - Sex 8h-22h
Sábado 9h-13h
Aceitamos ligação de celular
Ensino Básico

Exposição contínua às telas é maior durante isolamento, mas limite ainda é indicado por especialistas

por Luiza Padovam Vieira em 20/04/20

Acordar, ir para a escola das 8h às 11h, almoçar, fazer aula de karatê, jantar, terminar a lição de casa e dormir. Por três vezes na semana, essa era a rotina agitada do Miguel, de sete anos de idade, na cidade de Goiânia. Nos outros dois dias, a atividade física era substituída pelos treinos de futebol. Agora, com o cancelamento das aulas, o dia a dia ficou bem mais monótono. 

“Ele acorda, toma um café da manhã, se troca e começa as aulas do dia.” Comenta sua mãe, a jornalista Fernanda Gonçalves Dias, de 43 anos. Segundo ela, as aulas estão sendo gravadas em vídeos curtos e transmitidas pelo Google Sala de Aula, plataforma que vem sido utilizada por diversas escolas para manter o ensino a distância. “À tarde ele joga videogame e assiste vídeos no YouTube,” adiciona.

Exposição às telas é maior durante isolamento, mas limite ainda é indicado por especialistas


Esta rotina é também a realidade de outras milhares de crianças brasileira que, assim como o Miguel, estão passando muito mais tempo grudadas nas telas de computador, TV e smartphone durante o isolamento social. 

Além do desafio em ajudar o filho com os estudos, Fernanda e o marido Flávio, tiveram que adaptar as suas rotinas para cuidar do pequeno. Muitas vezes Miguel precisa acompanhar o pai no trabalho, onde acaba passando mais tempo ainda na internet. 

Confira também: Veja 5 dicas para montar uma rotina de estudos em casa

Por conta do isolamento, a mãe relata que a alternativa foi ser mais maleável com certos hábitos que antes não faziam parte da vida do filho, o qual está no 3º ano do Ensino Fundamental.

“O Miguel quase não jogava videogame ou usava o YouTube. Agora, ele e mais quatro amigos fizeram um grupo no WhatsApp para conversar, o que não existia antes.” 

A exposição às telas durante o isolamento 

O cenário pandêmico mudou drásticamente a dinâmica das famílias. Além de aprender a lidar com um novo formato de trabalho, muitos pais estão tendo também que realizar as tarefas domésticas, cuidar dos seus filhos e auxiliá-los nos estudos. 

Com essa correria, o aumento do uso de aparelhos eletrônicos se torna praticamente inevitável durante o isolamento. Especialistas da área de saúde acreditam que a exposição excessiva às telas neste período não deverá afetar o desenvolvimento das crianças, porém, mesmo assim, alertam sobre a importância em estabelecer certos limites. 

“Duas orientações básicas que eu tenho dado para os meus pacientes e tenho usado aqui em casa também são: não relacionar as telas com alimentação e sono”, sugere a pediatra Andréa Campagnolla, que também é mãe da Beatriz, de dois anos de idade.

Especialista em Disciplina Positiva e fundadora do Pediatria Leve, canal que trata de assuntos relacionados ao desenvolvimento infantil, a Dra. Campagnolla alerta que a exposição às telas na hora da alimentação pode aumentar os riscos de engasgo, principalmente para crianças pequenas.

Além disso, ao prestar atenção na tela a criança perde a “noção de saciedade. Vira uma alimentação extremamente passiva e ela não tem relação nenhuma com o alimento”, afirma.

Sabe-se que as luzes emitidas pelas telas digitais são extremamente estimulantes para o cérebro e, levando em conta que as crianças estão mais agitadas e irritadas do que o normal, assistir TV ou ficar no celular antes de dormir pode afetar significativamente  a qualidade do sono.

Para acalmar os ânimos da garotada e deixá-los mais relaxados, Campagnolla sugere que as telas sejam desligadas pelo menos duas horas antes das crianças irem para cama, trocando por atividades como leitura e brincadeiras. 

Segurança virtual


O uso das tecnologias, principalmente da internet, levanta questões e preocupações com relação a segurança e privacidade de crianças e adolescentes que, hoje, representam a grande maioria de usuários. 

Pesquisa realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) em 2018, revela que, no Brasil, aproximadamente 24,3 milhões de crianças e adolescentes, com idade entre 9 e 17 anos, têm acesso a internet. Outro dado do estudo aponta que 65% das crianças entre 9 e 10 anos utilizam a internet mais de uma vez por dia. Este percentual é ainda maior com os adolescentes de 15 e 17 anos de idade, com 81%.

Quando analisamos a presença dos entrevistados na internet, a pesquisa mostra que 22 milhões de adolescentes entre 15 e 17 anos relatam usar e ter um perfil nas redes sociais.

Apesar dos desenhos e programas educativos disponíveis on-line, o uso da internet  envolve riscos como o contato com estranhos e exposição a conteúdos sensíveis e inadequados, aumentando as chances de crimes virtuais e pedofilia infantil.

A fim de proporcionar maior segurança para os usuários teens, sites como o YouTube e aplicativos como a Netflix possuem ferramentas para que os pais e responsáveis limitem o tempo de uso, bem como o acesso a conteúdos que consideram inapropriados. 

Segundo as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), descritas no manual Saúde das crianças e adolescentes na Era Digital, a melhor maneira de prevenir crimes e ataques virtuais é a conscientização. Dessa forma, cabe aos pais dialogar com os seus filhos sobre as regras e práticas da internet e o compartilhamento de dados com outras pessoas, a fim de estabelecer um uso responsável e saudável das redes sociais. 

Tempo recomendado de exposição às telas por idade



De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o tempo recomendado de exposição às telas varia para cada idade, conforme a maturação e desenvolvimento cerebral.

Na publicação o Uso saudável de telas, tecnologias e mídias nas creches, berçários e escolas, divulgada pela SBP, em 2019, especialistas alerta que, quanto mais nova a criança, menor a capacidade do cérebro de discernir a ficção da realidade. Adicionalmente, nos primeiros anos de vida a formação da arquitetura cerebral é acelerada e servirá de base para todo o aprendizado futuro. 

Fora a piora na qualidade do sono e na capacidade de atenção da criança, o uso demasiado de certas tecnologias pode causar efeitos negativos como: obesidade, alteração de humor (com risco de depressão e ansiedade) e de assimilação do aprendizado.  

O gráfico abaixo mostra as recomendações dadas pela organização, em conformidade com a Academia Americana de Pediatria (AAP) e a Organização Mundial de Saúde (OMS) em relação a exposição das crianças às telas, por idade. 

Exposição contínua às telas digitais é maior durante a quarentena
Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria

Brincadeira como solução

Não é raro ver crianças e adolescentes com fones de ouvido nos carros, sentados nas mesas dos restaurantes e até mesmo dormindo. Esta relação dos nativos da Era Digital com as tecnologias é um tema amplamente discutido entre os profissionais da área de saúde que apontam sobre a dificuldade que esses jovens apresentam em entender e lidar com emoções.

Campagnolla explica que a interação com a tela é extremamente passiva, ou seja, não exige nenhuma habilidade interpessoal do usuário. O resultado disso são crianças e pessoas mais retraídas e introspectivas, “que não entram em contato com emoções”,  tanto com as suas próprias, como com as do outro. 

Como alternativa e prevenção para o uso excessivo de aparelhos eletrônicos durante o isolamento social, a pediatra fala sobre a importância da brincadeira e da arte. 

Através do brincar é que a “criança elabora e compreende essa maluquice que estamos vivendo”, explica. Habilidades como solução de problemas e socialização também são adquiridas através de jogos e brincadeiras, além de ajudar a estreitar os laços entre as crianças e os pais. 

Leia também: A importância de um mundo leitor inclusivo para as crianças

Existem diversas brincadeiras que podem ser feitas como dança, teatro, mímica e pintura. Os responsáveis podem também pedir para as crianças ajudarem a preparar o almoço ou o jantar, fazendo com que a alimentação e o ato de comer se tornem ainda mais atrativos.

Como retornar à rotina pré-pandemia

Ainda não se sabe ao certo até quando a medida de isolamento social será prolongada. O governo do estado de São Paulo, por exemplo, prorrogou o isolamento social até 10 de maio, Dia das Mães.

A instabilidade comercial põe em dúvidas também sobre qual será o cenário pós-coronavírus com relação aos comércios sobreviventes, à liberdade de ir e vir, às relações interpessoais, ao acontecimento de shows e o funcionamento de parques. 

Em meio a essa incerteza, muitos pais se preocupam em como retornar aos hábitos e limites estabelecidos antes da pandemia no que se diz respeito ao tempo de uso de aparelhos eletrônicos pelas crianças. Campagnolla afirma que, uma boa tática é valorizar os momentos e atividades que foram perdidos durante o isolamento social, como o esporte, as aulas presenciais e a interação com os amigos. 

Ela comenta também que a redução gradual de exposição às telas é uma ótima opção para ajudar a criança a se readaptar à sua antiga rotina. Ou seja, se hoje ela passa duas horas a mais do que costumava na TV, por exemplo, os pais podem reduzir 30 minutos por semana, até chegar no tempo combinado anteriormente. 

Neste novo cenário, tanto os pais quanto as crianças estão mais agitados e irritados. Sendo assim, Campagnolla ressalta que não é o momento de exigir ou demandar, mas sim de encontrar um ponto de equilíbrio entre trabalho, espaço pessoal e interação familiar, respeitando as emoções e necessidades de todos os envolvidos a fim de passar por esse período turbulento da melhor maneira possível. 


Confira escolas com desconto





O que você achou deste artigo?

Se por algum motivo você não utilizar a nossa bolsa de estudos, devolveremos o valor pago ao Quero Bolsa.

Você pode trocar por outro curso ou pedir reembolso em até 30 dias após pagar a pré-matrícula. Se você garantiu sua bolsa antes das matrículas começarem, o prazo é de 30 dias após o início das matrículas na faculdade.

Fique tranquilo: no Quero Bolsa, nós colocamos sua satisfação em primeiro lugar e vamos honrar nosso compromisso.

O Quero Bolsa foi eleito pela Revista Época como a melhor empresa brasileira para o consumidor na categoria Educação - Escolas e Cursos.

O reconhecimento do nosso trabalho através do prêmio Época ReclameAQUI é um reflexo do compromisso que temos em ajudar cada vez mais alunos a ingressar na faculdade.

Feito com pela Quero Educação

Quero Educação © 2011 - 2020 CNPJ: 10.542.212/0001-54