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Universidades

Guilherme Boulos no Voto pela Educação

por Natália Plascak Jorge em 07/05/18 3,4 mil visualizações

Guilherme Boulos é colunista, professor e escritor. Nasceu em 1982, em São Paulo, e é pré-candidato à presidência da República pelo PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) nas eleições de 2018.

Foi o quinto entrevistado pelo projeto VOTO PELA EDUCAÇÃO e a apresentar suas propostas relacionadas à área da Educação para a Revista Quero.

Créditos
Entrevista: Rui Gonçalves
Imagens: Maira Teixeira e Lilian Tomioka
Edição de imagens: Guigo Moreira
Produção: Rui Gonçalves e Natália Plascak Jorge
Data de realização da entrevista: 28/03/2018

Transcrição

Revista Quero: Olá, querobolsista e estudante. Estamos de volta para mais uma entrevista com os pré-candidatos à presidência da República. Dessa vez, eu estou com Guilherme Boulos, pré-candidato do PSOL à presidência nessa eleição de 2018. Guilherme, obrigado por atender o nosso convite. A Revista Quero tem 2 milhões de leitores mensais. São basicamente estudantes que estão matriculados no Ensino Superior ou que querem ingressar no Ensino Superior. Muitos deles são bolsistas através do programa Quero Bolsa. Nós já matriculamos mais de 300.000 pessoas no Brasil. É para eles que você vai falar hoje.

Guilherme Boulos: Obrigado pelo convite e pela oportunidade. É sempre bom poder falar de Educação, um tema tão importante para o nosso país.

RQB: Guilherme, a sua trajetória foi uma trajetória dentro dos movimentos sociais. Você foi uma liderança no Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, e eu acredito que você deve saber a importância da Educação para mudar a vida das pessoas. Pensando nos brasileiros como um todo, mas pensando principalmente nas crianças, filhos desses trabalhadores que lutam por moradia. Qual é a Educação que você pretende oferecer para o brasileiro?

GB: Eu acho que hoje, nós temos duas questões importantes para falar de Educação no Brasil. E aí, não apenas do Ensino Superior. É a questão da ampliação e mais investimentos no ensino. É inadmissível que num país como o nosso, um país rico e a 7ª economia do mundo, apenas 5,5% do PIB vá destinado à Educação. E pior do que isso: desses 5,5% do PIB apenas 1% é responsabilidade da União. Então, isso é levado para os estados e municípios e os estados e municípios têm menos condições de investimentos e aí você tem menos oferta de vaga, você tem menos condições para ter uma Educação de qualidade e que garanta acesso universal. Então, uma primeira questão é uma questão de investimento. Precisa ter mais investimento público na Educação, e há caminhos para isso.

RQB: Por outro lado, a questão do dinheiro no Brasil, a gente transferindo para a Educação os problemas que a gente vê na gestão de diversas áreas da administração pública, inclusive, denúncias de corrupção que chegam até a Educação, como é que a gente consegue colocar mais dinheiro na Educação e garantir que esse dinheiro efetivamente chegue para o estudante e com qualidade?

GB: Essa é a segunda questão. Porque não basta você dar diploma. Não basta você certificar. Nós temos que formar. Quando nós estamos falando de Educação, nós temos que formar cidadãos. Nós temos que formar para o futuro. É um projeto. Então, Educação não pode ser vista dentro de uma lógica empresarial, que você vai, repassa um dinheiro por meio de programas existentes, de subsídio, de crédito e depois chega na ponta esse dinheiro é Educação de má qualidade com professores mal pagos, sem equipamento, e a pessoa pode até ir até o fim de certo período, de quatro, cinco anos, ter alí o seu diploma mas, houve uma formação educacional? Esse é um tema que é preciso questionar. Acho que o caminho para isso é um caminho de fortalecer o investimento público direto. Hoje, existe mais dinheiro do orçamento público da União reservado para subsidiar estudantes nas faculdades privadas do que propriamente para fortalecer universidade pública e institutos federais de tecnologia. Nós temos que construir uma transição para isso. Claro que os estudantes que estão sendo, recebendo bolsas, seja integral pelo Prouni seja pelo financiamento com o Fies que estão na universidade particular, eles têm que ter o seu direito de estudo assegurado. Agora o que não pode é isso virar uma farra das empresas de Educação. Educação não pode ser negócio. Quando a Educação entra na lógica da mercadoria, sai da lógica de um direito de todos e entra em uma lógica de negócio, começa a ir mal.

RQB: Como é o modelo de Educação que você acredita? Pensando no sistema como um todo. A gente tem o serviço público e o serviço privado e dentro do serviço público e do serviço privado a gente tem diferentes escalas de qualidade. Isso vale para o Ensino Fundamental, para o Ensino Médio e para o nível universitário. Como é o modelo de Educação que você implantaria no Brasil?

GB: Olha, eu acredito em um modelo que valorize a Educação pública. Que lide e faça uma transição em relação à Educação privada para que, digo investimento público na Educação privada. Existir a Educação privada muito bem, é parte. Agora, que a gente direcione parte do orçamento público para bancar e subsidiar a Educação privada enquanto esse dinheiro poderia estar sendo melhor investido na rede pública de Educação, eu acho um equívoco. Agora, tem que ter um processo de transição para poder garantir o direito dos alunos, dos estudantes. Nosso compromisso não tem que ser com empresa, aliás, muitas vezes, empresas internacionalizadas como é o caso da Kroton, que é a maior empresa de Educação no mundo que adquiriu a Anhanguera aqui no Brasil, e que acabam, essas empresas sendo beneficiárias da política pública. A política pública tem que beneficiar os estudantes. Do ponto de vista de modelo mais geral, nós temos que fortalecer o ensino crítico no Brasil. O ensino tem que estar conectado com as questões da sociedade. O ensino evidentemente tem que preparar a pessoa para o trabalho, tem que preparar profissionalmente, tem que preparar tecnicamente mas, hoje, se há um consenso na sociedade brasileira, é de que nós precisamos mudar. O jeito em que o país está não agrada a mais de 90% das pessoas. Talvez, agrade 1% que continua ganhando muito com isso. Agora, a Educação também tem que ser vista como uma ferramenta de mudança, como formação para cidadania, como formação para o pensamento crítico. Isso é a essência da Educação. E, para isso, ela não pode estar subordinada a uma lógica do lucro. A Educação precisa estar muito ligada a uma discussão ampla curricular e um tema de gestão.

RQB: Como é que ficaria a questão dos programas de governo que incentivam o estudante que ingressa no ensino privado: Fies e Prouni? Você ampliaria? Como seria o financiamento e as bolsas de estudo oficiais dentro desse universo?

GB: Antes de responder isso, não vou deixar de te responder, mas só retomando o raciocínio anterior que eu creio que é uma questão muito importante. A política pública de Educação no Brasil não pode ser definida por uma bancada de parlamentares interessados, que muitas vezes, receberam dinheiro de campanha de empresas do ramo, pelo ministro da Educação e presidente da República. A política pública de Educação precisa ser discutida com os professores, com os estudantes, com os profissionais da área, com pedagogos. Você precisa ter um Conselho Nacional de Educação que efetivamente tenha poder deliberativo e que escute a sociedade civil, inclusive, que tenha poder deliberativo sobre definição orçamentária. Nós acreditamos nisso. Aproximando o processo de decisão política das pessoas é a melhor forma de enfrentar a desesperança que existe hoje em relação às saídas políticas. Sobre o tema das bolsas, é evidente que as bolsas de estudo que existem têm que ser mantidas. Agora, é preciso ter uma auditoria, não em relação às bolsas. Os alunos têm que ser totalmente garantidos no seu direito, mas uma auditoria em relação às faculdades privadas e à forma como utilizam isso. Vou te dar um exemplo. Se você for, às vezes, até o guichê de uma faculdade e pegar o valor por tal curso, o valor é x. E quando isso entra na bolsa do Fies, por exemplo, no crédito do Fies, o governo paga por um valor maior. E dentro do valor da mensalidade da faculdade sempre está incluído, como de qualquer empresa, o risco de inadimplência. Nesse caso, a inadimplência é zero. Não há inadimplência. É um recurso garantido, é sem risco. Deveria haver uma redução das mensalidades, assegurando o direito do aluno e também uma cobrança de qualidade.

RQB: Isso já foi alvo, inclusive, de relatório da Controladoria Geral da União, que já apontou justamente isso.

GB: Claro. Não houve providência prática em relação a isso. Continua uma farra das faculdades privadas em relação ao recurso público do Fies e às isenções fiscais relacionadas ao Prouni. Então, o que nós defendemos é que isso seja melhor regulamentado e que nós façamos um modelo de transição para fortalecer a unidade pública, a universidade pública. E aí, nesse caso, não é em nenhuma hipótese retirando vaga, é ampliando vaga. Nós temos que ter mais investimento, maior ampliação de vagas, mas fortalecer um regime público e controlando e regulando o que é feito de errado em relação às empresas privadas de Educação.

RQB: Guilherme, nosso tempo está chegando no finalzinho mas eu queria fazer uma última pergunta para você. Se você puder responder de uma forma mais breve. Sobre a questão das instituições públicas. A gente sabe que hoje 25% só dos estudantes estudam efetivamente em universidades públicas, e boa parte deles veio de um ensino privado de melhor qualidade que permitiu o acesso. Você tem os programas de inclusão, mas os programas de inclusão têm as suas limitações. Você, por exemplo, uma questão que é bastante debatida hoje: você cobraria de um estudante que tem condições de pagar pelo Ensino Superior e que estuda em uma faculdade pública? Você faria ele pagar uma mensalidade para dar mais bolsa para quem não tem dinheiro?

GB: Não, eu não faria porque eu acho que esse não é o caminho. Para dar mais bolsa, não é cobrando ali. Nós temos que fortalecer a universidade pública. A universidade pública tem que ser vista como um direito. Nenhum país do mundo se desenvolveu sem universidade pública. Ela tem que ser gratuita, ela tem que estar vinculada também à Extensão e à Pesquisa e ela tem que se ampliar. O problema de uma certa elitização do acesso à universidade pública não é cobrar mensalidade, não é assim que resolve esse problema. Resolve-se esse problema abrindo os portões da universidade pública, ampliando-as para que possa atrair sim hoje o público que não tem acesso a ela. Essa é a nossa proposta.

RQB: Guilherme, muito obrigado. Uma boa sorte, uma boa campanha para você. Querobolsista e estudante, a gente se vê na próxima entrevista. Até lá!


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