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Especiais

Faculdade das Estrelas: Laís Souza é caloura de Psicologia na Estácio

por Eduardo Schiavoni em 25/04/17 1,1 mil visualizações

Ex-atleta olímpica que ficou paraplégica em acidente na neve começou os estudos em março em Ribeirão Preto

Pouco mais de três anos após ficar tetraplégica em um acidente enquanto se preparava para disputar os Jogos Olímpicos de Inverno, a ex-ginasta Laís Souza iniciou, em março de 2017, uma nova batalha, dessa vez em busca de um objetivo que não têm relação com medalhas e conquistas esportivas, mas exige tanta dedicação quanto: o diploma universitário.

Laís carregando a tocha olímpica no Brasil (Foto: Reprodução/Facebook)

Caloura do curso de Psicologia na Estácio de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, Laís tem uma carteira adaptada e assiste às aulas com um cuidador. Além disso, outra pessoa faz as anotações durante as aulas. Fora isso, segue a rotina de todos os outros estudantes.

“Ela é uma boa aluna, dedicada. Eu fico muito feliz de ver essa dedicação. Mas não tem nenhuma diferença, nem por ser uma grande campeã nem por ser cadeirante”, afirma Vagner Cavalli, professor de Laís na Estácio.

Animada com o curso, Laís pretende exercer a profissão na área esportiva, que tão bem conhece como atleta. “Quero trabalhar na área esportiva, que exige uma força mental muito grande e que eu já conheço. Posso unir a psicologia, que sempre gostei, ao esporte”, disse.

ARRANJOS

O professor Carlos Tucci, coordenador do curso de Psicologia da Estácio, informa que o apoio à aluna é o mesmo fornecido pela instituição a alunos cadeirantes ou portadores de necessidades diferenciadas. Além de rampas de acesso às salas de aulas e elevadores em todo o prédio, as salas de aulas são adaptadas para receberem cadeiras de rodas e aparelhos eventualmente necessários aos cadeirantes. “Fazemos essa adaptação para permitir que os alunos com essas condições não tenham nenhum tipo de dificuldade técnica para o aprendizado”, disse ele, que ressalta que a inclusão é uma das marcas da Estácio.

Primeira do canto direito, Laís participou dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro de 2007 (Foto: Divulgação)

Entre os colegas de faculdade, a presença de Laís é tida como inspiração. É o que conta o companheiro de sala Marcos Vinícius. “É uma inspiração para todos, é um grande exemplo de como é possível superar limites. Aprendemos todo dia com ela, é uma motivação para os colegas”, conta.

ACIDENTE

Laís ficou tetraplégica em 27 de janeiro de 2014, quando treinava com a equipe brasileira de esportes na neve para a Olimpíada. Ela representaria o Brasil no ski e treinava em uma pista cercada de árvores quando colidiu contra uma delas, bateu a cabeça e acabou esmagando a coluna vertebral, em uma lesão que fez com que perdesse os movimentos do pescoço para baixo.

Tatuagens que Lais fez em homenagem aos Jogos Olímpicos que participou: Atenas (2004), Beijing (2008) e Londres (2012) (Foto: Divulgação)

Ela chegou a ser desenganada pelos médicos mas, contra todas as expectativas, superou os problemas e hoje consegue ter uma vida muito menos limitada do que o previsto. “Ouvi que ia ficar a vida inteira em um respirador. Tenho meus momentos de ficar um pouco mais triste, ficar indisposta, mas faço de tudo para lutar e vencer cada dia”, conta ela, que afirmou ainda que a decisão de fazer um curso superior faz parte dessa luta diária. “Fiz a opção de preencher meu dia com coisas interessantes, coisas inteligentes. Pretendo fazer com que a psicologia seja minha profissão”, conta.

ROTINA

Laís estuda de manhã e, além das aulas e trabalhos acadêmicos – ela estuda no período matutino -, ela também possui a uma rotina diária de exercícios para recuperar parte dos movimentos que perdeu. Além dos exercícios antes das aulas, Laís também faz fisioterapia duas vezes por semana, no período vespertino. “É uma batalha que estou lutando”, disse.