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Universidades

Meninas na Ciência: Projeto da UFRGS incentiva a participação feminina nas ciências exatas e tecnológicas

por Jaqueline Kunze em 05/09/19 120 visualizações

O Censo de Educação Superior 2017 divulgado pelo Inep apontou que as mulheres brasileiras são minoria em 52 dos 58 cursos de engenharia, além de serem menor participação em áreas como Física e Matemática. No mundo todo, o percentual da participação feminina nas ciências exatas fica em torno de 30%.

Além disso, a porcentagem de pesquisadoras mulheres cai conforme elas avançam na carreira: de 37% de mulheres pesquisadoras nível 2, somente 23% atingem o nível de pesquisadora 1A (o mais elevado na categoria de pesquisa), segundo o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O ambiente acadêmico em cursos como Física e as diferentes Engenharias é, muitas vezes, hostil para mulheres, o que as afasta dessas áreas. “Um dos principais obstáculos são 'beliscões do dia a dia', os quais são pequenos gestos machistas que nos fazem entender que o ambiente não é para nós”, diz Carolina Brito, professora do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), ao comentar que, quando estava na graduação, um dos professores disse que mulher só entra na universidade para encontrar marido: “Eu confesso que só me dei conta do absurdo muitos anos depois, quando eu já trabalhava com questões de gênero”.

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Oficina de montagem em escola pública de Porto Alegre em 2018 (Foto: Divulgação/Meninas na Ciência)

Juntamente de Daniela Pavani – também professora do Instituto de Física – Carolina criou, em 2013, o projeto de extensão “Meninas na Ciência”, com o objetivo de incentivar mulheres a ingressarem em cursos de ciências exatas, motivar aquelas que já escolheram estas áreas a persistirem na carreira e sensibilizar a comunidade acadêmica e as comunidades mais carentes sobre o papel da mulher na sociedade.

Para isso, o programa forma alunos de graduação para difundirem a ciência e a tecnologia por meio da astronomia, da robótica e da física para meninas de escolas públicas de Porto Alegre. Desde seu início, foram realizadas palestras para pelo menos 2 mil professores de diferentes estados brasileiros, mais de 500 meninas visitaram as dependências da universidade e já trabalharam no projeto aproximadamente 50 alunos da UFRGS.

Antes de realizar qualquer atividade, as bolsistas pesquisam e se preparam para auxiliar nas oficinas. Em razão disso, adquirem informações novas e enriquecem o que aprenderam em sala de aula. Dessa forma, além do conteúdo estipulado pela grade curricular, levam da faculdade conhecimentos sobre robótica, programação e o reconhecimento do trabalho de mulheres que foram invisibilizadas historicamente.

“Procuramos também mostrar para as meninas que elas podem fazer o que quiserem, que a Universidade está ali para elas, que não é um sonho tão distante”, diz Diandra Silva Machado, 19, uma das bolsistas do Meninas na Ciência. Além disso, fazer parte dessa iniciativa a fortalece para querer seguir no curso de Física, pois faz perceber o quanto a ciência pode ser transformadora, que há mulheres lutando pela igualdade em sua área de atuação e que, portanto, não está sozinha: “Fazer parte disso é meu maior orgulho! Eu amo ciências e poder espalhar meu conhecimento e amor é algo incrível que o projeto me proporciona.”

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Carolina Brito, coordenadora do Meninas na Ciência, aperfeiçoou sua maneira de dar aulas em razão da ação de extensão. Ela explica que, na Física, o conteúdo geralmente é apresentado de forma técnica, sem levar em conta a interferência do cientista. “Isto faz parecer que a ciência é construída por pessoas geniais e que está alheia à história ou à política na qual está inserida”.

Hoje ela procura trazer contexto em suas aulas, além de mostrar o papel das mulheres, historicamente apagado. “É o caso, por exemplo, de Emmy Noether. Uma brilhante matemática que, entre outras coisas, desenvolveu o Teorema de Noether – a base das simetrias em física. Todo mundo pensa que Noether foi um homem", conta.

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Equipe do Meninas na Ciência, em setembro de 2016 (Foto: Divulgação/Meninas na Ciência)

Além de mulheres dos cursos de exatas, o programa também acolhe estudantes de outros cursos. Graduanda em Psicologia, Ana Rizzato, 19, desenvolve o site e fotografa eventos do projeto. Em seu curso, ela estuda sobre estereótipos de gênero e como subjetivações formam a sociedade e moldam cada indivíduo. Ao participar dos eventos, Ana tem contato com diferentes realidades, o que lhe permite pôr em prática o que aprende na teoria.

Para ela, compartilhar conhecimento com outras pessoas é enriquecedor e, mesmo não sendo de um curso de exatas, percebe como a ação de extensão é importante para as estudantes dessa área: “Fortalece o movimento feminino dentro das exatas, ajuda as estudantes a se posicionarem mais e, com isso, conquistarem cada vez mais coisas”.

Ao longo de seis anos de iniciativa, professores e alunos passaram a demonstrar interesse no programa, conversando com as coordenadoras sobre fatos machistas que ocorreram, enviando artigos sobre o tema e pedindo opinião sobre como lidar em algumas situações. “Acho que isto significa que, de alguma forma, o projeto é conhecido e respeitado”, considera Carolina Brito.

Correspondentes Quero: Conteúdo independente, feito por estudantes, sobre universidades do Brasil - Revista Quero

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