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Universidades

No Rio, irmãs vendem doces para bancar custos da faculdade de Engenharia

por Mathias Sallit em 16/08/19 540 visualizações

Durante seis horas no percurso do trem que liga a Baixada Fluminense à Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro, Alice Miler Moraes, 24, carrega nas costas uma caixa cheia de doces feitos por sua irmã, Kezia Miler Silva, 32.

A caixa chama atenção dos passageiros do ramal Gramacho, que sai de Duque de Caxias, Região Metropolitana do Rio, por estar envelopada com fotos das irmãs durante momentos juntas. As imagens mostram o propósito delas estarem nessa atividade.

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Estação Gramacho, em Duque de Caxias (Foto: Reprodução/Facebook)

"Muita gente estava duvidando se estávamos fazendo faculdade", conta Kezia. "Então montamos um poster de foto de nós duas na faculdade, com outros alunos e em atividades no laboratório".

Elas saíram em 2015 de Juiz de Fora, cidade mineira localizada 280 km ao sul da capital Belo Horizonte, junto com a mãe, Sirley Miler, e a filha de Alice, Manuela, então com dois anos. Alice e Kezia chegaram a Duque de Caxias com um mesmo objetivo: iniciar o sonho da faculdade de Engenharia de Petróleo e Gás.

Na mudança, Kezia passou a guarda de seu filho, Artur, para o pai. "Fiquei com medo de trazer ele, não sabia como seria a vida aqui, porque a gente não conhece ninguém aqui. Aí deixei ele com meu pai". Hoje, Artur tem 10 anos. Manuela, de seis, vai à escola todo dia com a avó.

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Caixa usada por Alice com fotos das irmãs no curso (Acervo pessoal)

Entrada na Unigranrio

Com a nota do Enem, Alice e Kezia conseguiram o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) para ingressar na Universidade do Grande Rio (Unigranrio) e começar o curso já em 2015.

Desde o início, a caminhada não era fácil. Naquele ano, o Fies passava por reformulações e as irmãs precisaram de ajuda para conseguir pagar as mensalidades. "No primeiro semestre praticamente todo, a nossa mãe pagou a faculdade, tanto a minha quanto a da Kezia", conta Alice.

Kezia lembra que as duas conseguiram as vagas no último dia de prazo, ao final do primeiro período da faculdade. "No último dia que liberaram o Fies, na última madrugada, consegui fazer a minha inscrição. Acordei a Alice, que estava dormindo. Ela ligou o computador e nós conseguimos."

Mas garantir o financiamento não era suficiente para a família se sustentar na nova cidade. Os gastos para se manter na Região Metropolitana do Rio de Janeiro eram muito superiores que o necessário para viver em Minas Gerais.

Dois cones trufados por R$ 5

A dívida com o empréstimo feito para a mudança, o aluguel do apartamento para as quatro, as despesas com alimentação, curso de inglês e outros gastos obrigaram a família a procurar novas soluções.

Para encontrar algum emprego, as duas enviaram currículos para diversos lugares. "Entregamos muitos currículos. Até fomos chamadas para algumas entrevistas, mas não vingou nada", contou Alice.

Foi a partir dessa necessidade que ela lembrou da época em que ganhava um trocado vendendo trufas no colégio de Juiz de Fora. Assim, pensou que voltar com essa atividade seria uma opção para ajudar com os gastos.

Com R$ 100, Sirley, Alice e Kezia foram às compras. Gastaram todo o dinheiro com os ingredientes e prepararam trufas para iniciar as vendas. Saíram pela primeira vez pelas ruas de Duque de Caxias no dia 10 de abril de 2016. Elas lembram que a data tem muita história. "Vendemos bem esse dia", diz Alice.

Com o dinheiro da venda no primeiro dia, realizaram uma nova compra de materiais e seguiram com os trabalhos com os doces. No segundo dia de venda, perceberam que, ao oferecer as trufas para as mesmas pessoas, não venderiam com uma frequência que seria tão lucrativa para ajudar a custear as despesas da família. Foi aí que Alice teve a ideia. "Eu virei para a minha irmã e falei 'vamos para o trem?' No trem é todo dia gente diferente."

Na época, o preparo e a venda dos doces eram feitos pelas irmãs. Os trabalhos eram divididos e elas encararam a ida ao trem pela primeira vez juntas. "Fomos com medo e muita vergonha. Os outros camelôs passam gritando, e a gente não quis fazer assim", contou Kezia.

Aos poucos, foram adaptando suas rotinas e decidiram dividir o processo: Kezia contava com a ajuda da mãe para fazer os doces para Alice vender no trem durante o dia. "Já deixo contado para ela a quantidade para poder levar, para poder não misturar e também ter certeza que tem de tudo todo dia para levar", afirma Kezia.

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Alice vendendo doces no trem (Reprodução/Twitter)

Por volta das 10h, Alice chega à estação para oferecer aos passageiros a palha italiana e os cones trufados de diversos sabores.

"Leite ninho com Nutella, coco com brigadeiro, morango, Ovomaltine e maracujá, e a palha italiana tradicional e a de leite ninho", conta Alice. "Também já vendemos trufas, sacolé gourmet e já fizemos encomenda de ovos de páscoa".

A palha italiana custa R$ 2. Cada cone trufado sai por R$ 3, mas o cliente pode levar dois por R$ 5. 

"Com um mês e meio de venda, a gente já tinha criado uma clientela e começou a vender melhor. Foi quando começamos a pagar nosso inglês, nosso fundo de formatura. Isso aliviou a minha mãe", conta Alice. Hoje, elas estimam ganhar entre R$ 1,5 mil e  R$ 1,8 mil ao mês, dependendo da variação de preço dos produtos para preparar as guloseimas. "Os produtos são todos de qualidade. Muito clientes gostam e compram por causa da qualidade que eles já conhecem", explica Kezia.

Por ser uma atividade proibida, elas já tiveram alguns problemas para vender dentro do trem. Mas, por estarem vendendo doces de produção própria, conseguem exercer a atividade.

Escolha pela Engenharia de Petróleo

Duas irmãs estudarem o mesmo curso, na mesma sala de aula, na mesma faculdade pode parecer estranho. Mas, para Alice e Kezia, não foi algo que trouxe problema algum. "Ela me copiou", brinca Alice, que foi aconselhada a seguir a carreira na Engenharia devido ao seu bom rendimento em Matemática durante o Ensino Médio. "Desde os meus 15 anos eu já estava decidida que iria fazer Engenharia de Petróleo e Gás."

Kezia não teve os mesmos conselhos durante o Ensino Médio. Ela chegou a ingressar na faculdade de Administração, mas viu que o curso não a agradava e logo o abandonou. As pesquisas e o interesse de Alice pela Engenharia acabaram por influenciar na decisão de Kezia. Primeiramente, ela pensou em prestar o vestibular para Engenharia Química. "Sempre fui apaixonada por Quimica, Física, sempre tive a paixão por cálculo igual a Alice. De tanto ela falar que vai fazer Petróleo e Gás, fui pesquisar e me apaixonei mais ainda do que por Engenharia Química", ela conta.

Então, elas se entenderam e decidiram que não teria problema nenhum as duas seguirem o mesmo sonho profissional.

Alice e Kezia em sala de aula na Unigranrio (Acervo Pessoal)

Na primeira vez que prestou o vestibular, Alice foi conseguiu, pelo Enem, passar na Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul, e passou em Engenharia Química na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

Porém, antes de pensar em iniciar o curso, ela descobriu que estava grávida. "Não tinha como eu mudar de cidade com uma criança pequena. Aí quando minha filha estava quase fazendo dois anos, meu pai tinha falecido e minha mãe falou que já estava na hora de entrar na faculdade, mudar de cidade, e se ofereceu para ir junto".

Assim, as irmãs se preparam para o Enem e prestaram a prova nos anos seguintes. Mas as notas não foram suficientes para ingressar com o Sisu em alguma universidade federal. As pontuações eram superiores a 800 no Enem. Foi a mãe quem incentivou elas a ingressarem em uma instituição particular, mesmo com os altos custos. Com a confiança colocada pela mãe, escolheram se mudar para Duque de Caxias e estudar na Unigranrio.

Com o Fies, elas possuem dois anos para iniciar o pagamento. "Até lá, pretendo estar trabalhando na área", diz Alice.

O sonho de trabalhar com o Petróleo

Em julho de 2019, uma foto de Alice vendendo doces no trem viralizou no Twitter e no Facebook. O post dizia que, além de anunciar os doces, Alice estava à procura de um estágio na área da Engenharia de Petróleo e Gás. A mensagem contava com o endereço de e-mail dela para que as pessoas pudessem entrar em contato caso soubessem de alguma oportunidade.

"Enviei currículo para umas cincou ou seis pessoas, que falaram que iam tentar, mas não podiam dar certeza. Até agora, não tive retorno nenhum", ela conta. Para se formar, os alunos precisam completar 200 horas de estágio obrigatório.

"O estágio vai proporcionar para a gente uma experiência e uma noção do tamanho da responsabilidade da nossa profissão", explica Kezia. "Ele pode proporcionar várias ideias de como nós podemos incrementar e, literalmente, usar nossa capacidade de melhorar alguma coisa".

As duas têm sonhos ambiciosos com a profissão e pretendem, um dia, trabalhar fora do Brasil. "Nenhuma das duas se veem trabalhando dentro do Brasil, vivendo sempre dentro do Brasil. A gente quer conhecer o mundo, e é uma possibilidade que o Petróleo dá para a gente", explica Kezia, que cita o litoral africano como uma referência.

Já Alice, fala do sonho de ir para a Europa a trabalho. "A gente tem uma tia que mora na Alemanha e tem uma empresa na cidade vizinha dela. Meu intuito é ir para lá".

Mas antes, elas buscam uma nova fase e a oportunidade para começar a carreira na Engenharia de Petróleo e Gás. Para Alice, o primeiro passo é sair do trem. "Eu tô doida para conseguir o estágio o mais rápido possível", finaliza.

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