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Ensino Básico

Reabertura das escolas: veja quais medidas deverão ser adotadas e os principais desafios

por Luiza Padovam Vieira em 12/06/20

Atualização (06/07/2020):
Os estados de São Paulo, Distrito Federal e Tocantis já anunciaram o calendário de volta às aulas, bem como as estratégias que serão adotadas no processo de reabertura das escolas. Confira aqui o planejamento atualizado de volta às aulas de cada estado.

Nesta semana, diversas cidades ao redor do Brasil deram início ao plano de reabertura gradual divulgado pelos governos estaduais.O planejamento se divide em cinco fases e estabelece diretrizes referentes ao funcionamento dos comércios, escritórios, transporte público, bares e academias. Entretanto, o documento não contempla a reabertura das escolas

Menino usando máscara em possível reabertura das escolas após a quarentena.
Pexels/Alexandra_Koch

A falta de posicionamento do governo quanto às medidas de retorno a aula tem deixado educadores e pais um tanto perdidos. Na semana passada, o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (Sieeesp), elaborou um protocolo alternativo para que as escolas particulares pudessem voltar a dar aulas.

O documento, que inclui estratégias como, cantinas sem filas, distância maior entre mesas nas salas de aula e separação de alunos por grupos, foi elaborado em conjunto com a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Federação Paulista de Medicina. 

“Nós queremos voltar a trabalhar, porém precisamos fazer isso com responsabilidade”, afirma Benjamin Ribeiro, presidente do Sindicato. “Estamos lidando com crianças, com vidas”, complementa.

Além disso, a volta seria gradativa, começando pelo ensino infantil, seguido pelo ensino fundamental I e II, até chegar nos anos escolares mais avançados. 

Segundo Ribeiro, o protocolo foi enviado para a Secretaria do Estado de São Paulo, porém, até agora não receberam nenhuma posição do governo estadual.

Insegurança dos pais com relação ao retorno das escolas


Mesmo que as escolas voltem a funcionar presencialmente, o professor comenta que o cenário não será mais o mesmo da pré-pandemia. “Enquanto não tivermos uma vacina ou um remédio para combater o vírus [covid-19], as pessoas não deixarão os seus filhos voltarem a estudar”, destaca. 

Essa insegurança dos pais e responsáveis mostra que, mesmo com as aulas liberadas, as instituições terão que manter o ensino a distância como opção nos seus currículos por um tempo. Na verdade, adiciona Ribeiro, o “modelo EaD chegou para ficar”. 

Marcos Marins, de 46 anos, é médico radiologista e pai de três filhos. Ele diz que é a favor da reabertura das escolas, desde que certas medidas sejam implementadas, como por exemplo: salas ventiladas, recreios intercalados, distanciamento entre alunos e fornecimento de álcool em gel. O médico acredita que “o prejuízo psicológico para a criança pela falta de convívio social possa ser ainda mais prejudicial, e que provavelmente ainda pode demorar algum tempo para o surgimento de uma vacina”. 

+ Saiba como lidar com o comportamento das crianças

Já Juliana Padovam Alessi, mãe de dois meninos, relata que está insegura com a volta às aulas presenciais. “Depende de como vai estar em minha cidade, o número de casos e leitos em hospitais”, afirma. Juliana mora em Presidente Prudente, município localizado no interior de São Paulo que registrou um dos piores índices de isolamento social do estado. A mãe comenta que, conforme for, optará pelo ensino a distância.

Medidas que devem ser consideradas na reabertura das escolas

A disparidade de infraestrutura entre a rede pública e privada de ensino e a desigualdade socioeconômica entre as famílias brasileiras não vem de hoje. A pandemia, nesse aspecto, acentuou ainda mais essa diferença, provocando diversas consequências no que diz respeito ao acesso ao ensino de qualidade através das plataformas digitais.  

Quase três meses depois, a cena se repete no debate referente a reabertura das escolas. Segundo o Censo Escolar de 2019, são mais de 180 mil escolas, desde creches até o ensino médio, e aproximadamente 51,1 milhões de estudantes com realidades totalmente distintas. Encontrar um plano de volta às aulas que contemple a todos, não é tão simples.

No final de abril, a organização não governamental Todos Pela Educação, divulgou uma nota técnica com os aspectos fundamentais a serem considerados na retomada das aulas presenciais. Um dos principais pontos levantados no documento são: o risco da evasão escolar, cuidados com a saúde emocional e física da comunica escolar, e níveis variados de aprendizagem entre alunos. 

A médica infectologista Stefânia Bazanelli Prebianchi, comenta que as escolas deverão seguir diversas medidas de precaução como “a distância entre os alunos nas salas de aula, priorizar o uso do álcool gel, a higiene das mãos e até tentar melhorar o espaço físico, com colocação de pias a mais disponíveis para todos”. 

Crianças usando máscaras na escola durante aula de laboratório.
Pexels/Janko Ferlic

Além disso, a obrigatoriedade do uso de máscaras para os alunos, de equipamentos protetores para os professores, a priorização de atividades ao ar livre e o retorno às aulas com horários de turmas diferenciados para evitar aglomeração são algumas estratégias que podem ser implementadas nas instituições. 

Apesar das preocupações, a ONG também ressalta que a crise enfrentada pode gerar mudanças positivas e duradouras na educação brasileira, dentre as quais: recuperação da aprendizagem como política contínua, fortalecimento da relação família-escola e a implementação da tecnologia como aliada constante. 

Veja também: 5 dicas para montar uma rotina de estudo em casa

Infraestrutura das escolas no Brasil

No papel, as medidas de precaução parecem ser efetivas, porém, quando analisamos a infraestrutura das instituições de ensino brasileiras, colocá-las em prática não é tão simples.

Um exemplo disso é o saneamento básico, ou seja, a distribuição de água potável, coleta e tratamento de esgoto, bem como drenagem urbana e coleta de resíduos sólidos. De acordo com o Censo Escolar de 2019, divulgado pelo INEP, menos da metade das escolas públicas do Brasil possuem acesso a rede de esgoto. Na rede de ensino privada, este número chega a 89%.

Escolas brasileiras com acesso à rede de esgoto em 2019.

Os serviços de saneamento impactam diretamente na saúde, qualidade de vida e no desenvolvimento do ser humano. Se considerarmos que uma das principais formas de prevenção do coronavírus é a higienização pessoal apropriada, os dados levantados são um tanto preocupantes. 

Além do acesso precário a serviços de saneamento básico, somente 30% das escolas públicas e privadas brasileiras possuem espaços livres com área verde.

O que as escolas estão fazendo

Algumas escolas brasileiras já estão se preparando para o retorno às aulas pós-quarentena. É o caso do colégio Sphere International School, localizado em São José dos Campos. Dentre algumas medidas adotadas, estão:

  • Retorno gradativo das turmas, começando pelo ensino infantil e o ensino fundamental I;

  • Uso de máscaras obrigatórios para alunos, professores e funcionários;

  • Diagnóstico de aprendizagem durante o ensino remoto para avaliar possíveis dificuldades desenvolvidas durante o período de aulas online;

  • Demarcações no chão e cadeiras intercaladas para manter distância de segurança;

  • Aferição de temperatura;

  • Tapetes sanitizantes na entrada da escola.

Além disso, a escola também disponibilizará apoio socioemocional para os estudantes e suas famílias. Segundo a diretora Ana Seixas, este acolhimento será essencial para ajudar as crianças nesta fase de transição, visto que elas “irão voltar para uma escola diferente do que estão acostumadas, com máscaras, checagem de temperaturas constantes e sem abraços”, explica. 

Impacto da reabertura das escolas na rotina familiar

O retorno às aulas presenciais e ao trabalho levanta um questionamento importante sobre como resolver a situação de milhares de famílias que contam com o apoio dos avós para cuidar das crianças enquanto os pais estão no serviço.

A Dra. Prebianchi lembra “que o fim da quarentena não significa o fim da pandemia, nem o fim da Covid, infelizmente”. Segundo a infectologista, o risco ainda é real, principalmente agora com a criança entrando em contato com outras pessoas na escola. Sendo assim, é recomendado evitar que os alunos tenham contato com os avós, visto que os idosos estão no grupo de risco para ter a doença de uma forma mais grave. 

Para ela, é preciso criar uma estratégia por parte de toda sociedade e até do governo para que o retorno seja feito paulatinamente 

“Assim como as crianças vão para a escola em períodos menores do que estavam acostumados, o ideal seria que a volta aos trabalhos dos pais também fosse em jornadas de trabalho menores do que o habitual”, explica.

Como foi a reabertura das escolas em outros países

Alguns países que passaram pelo pico da pandemia e até o momento permanecem estabilizados com relação ao número de novos casos do coronavírus, já deram início a reabertura das escolas. Confira abaixo como foi o retorno às aulas em alguns lugares do mundo:

França

A reabertura das escolas francesas aconteceu em 11 de maio, começando pelas escolas infantis e primárias, voltadas para alunos com até 11 anos de idade. O governo deu prioridade para os estudantes do último ano de pré-escolas e primeiros anos do primário. Crianças portadoras de deficiência, filhos de profissionais da saúde e alunos com dificuldades de aprendizagem também estão nessa lista. Com relação às medidas de prevenção e saúde, as salas de aula devem ter capacidade máxima de 10 alunos por classe na pré-escola e 15 no primário. 

Reabertura das escolas na França utiliza giz no chão para determinar distância entre as crianças.
Pré-escola francesa utiliza giz no chão para demarcar distância segura entre as crianças. Foto: Reprodução/Lionel Top/BFM TV

China

Depois de quatro meses de isolamento, a China, primeiro país atingido pelo vírus, liberou a retomada das aulas. A reabertura aconteceu de forma gradativa no início de maio, e estabeleceu medidas estritas de higiene. Em entrevista para a revista Época, a brasileira Rebecca Steinhoff contou que a escola onde as suas filhas estudam enviou um comunicado solicitando diversos acessórios de higiene, dentre os quais: toalhas de rosto, lenço umedecido, frasco de álcool em gel, talheres para o almoço e diversas máscaras descartáveis - do modelo N95 ou cirúrgica.

Holanda


Estudantes separadas por um plástico na reabertura das escolas na Holanda.
Na Holanda, placas de acrílico foram instaladas para separar carteiras dentro da sala de aula. Foto: REUTERS/ Piroschka van de Wouw

A Holanda foi um dos países que adotou o isolamento seletivo durante a pandemia, mas as escolas permaneceram fechadas por 51 dias. O governo anunciou a reabertura das escolas no dia 21 de abril e, a partir de primeiro de maio, o país liberou a volta das aulas em creches e ensino fundamental. Uma das soluções adotadas foi a divisão das turmas em dois turnos e a distância entre as carteiras - dois metros entre os colegas.


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