A invasão tem proporções alarmantes para a fabricante, porque afeta quase todos os firmwares (o sistema operacional da máquina) lançados até a versão 13.60.
Em outras palavras, qualquer videogame que não tenha sido conectado à internet e atualizado na última semana de setembro pode, em tese, ser destravado.
Como a quebra foi feita?
O desbloqueio do PS5 através do Relapse exige uma combinação de falhas de segurança e passos estruturados que culminam na invasão do kernel do console.
De forma simplificada, o processo de “abrir a porta” para o desbloqueio funciona assim:
- Ponto de entrada: Utiliza-se uma falha de memória (do tipo use-after-free) no navegador escondido do sistema (o WebKit), usado normalmente para exibir páginas como manuais de instrução.
- Injeção de código: Com a falha explorada, pacotes de código (payloads) são ativados na memória RAM da máquina.
- Escalada de privilégios: O código inicial serve de ponte para alcançar uma vulnerabilidade muito mais grave no núcleo (kernel) do sistema operacional.
- Derrubada das defesas: O Hypervisor da Sony (uma camada de segurança rígida) é superado, e a checagem de licenças e assinaturas digitais é desligada
- Acesso administrador: Os hackers ganham poder absoluto sobre as funções da placa-mãe do console.
Novas funcionalidades: emuladores, lojas alternativas e discos físicos de PS2
Uma vez superada a trava de segurança, o PS5 deixa de ser um sistema fechado e se transforma em uma espécie de computador customizável.
A grande atração inicial era a capacidade de rodar jogos e softwares independentes (homebrews), baixados em plataformas que imitam as vitrines de uma loja oficial, mas construídas por e para a comunidade.
Entretanto, as atualizações recentes do emulador “PS5SX2” introduziram algo que os jogadores não viam há quase duas décadas: suporte a discos físicos de gerações passadas.
Essa ferramenta permite:
- Leitura nativa: Permite inserir DVDs de PS2 no drive e rodá-los após uma breve cópia para a memória.
- Melhorias gráficas (Upscaling): O processador do PS5 força resoluções até 8x maiores nos modelos Pro, aplicando texturas em alta definição.
- Suavidade (Frame Generation): Jogos que antes rodavam a 30 FPS são alavancados para 60 FPS ou até 120 FPS.
- Filtros Nostálgicos: Opções visuais como tela CRT, efeitos VHS e Scanlines, além de patches para formato widescreen.
- Troféus e Online: Suporte ao sistema RetroAchievements (troféus estilo PS5) e multiplayer online reativado para clássicos de PS2.
Além da biblioteca de mais de 2.000 jogos de PS2 agora suportada, os desenvolvedores já sinalizaram que a compatibilidade física de discos de PlayStation 3 está em fase de testes.
O que motivou a comunidade a ir tão longe?
As raízes desse esforço para derrubar os bloqueios da Sony misturam insatisfação e preservacionismo.
O ponto de ruptura aconteceu após a empresa japonesa confirmar o fim dos jogos em mídia física a partir de janeiro de 2028.
Esse anúncio gerou uma onda global de revolta coletiva, levando à organização de protestos, como o boicote conhecido como PlayStation Blackout, além de batalhas judiciais e pressões governamentais ao redor do mundo.
Histórico de tentativas
A jornada para desbloquear o PS5 não é nova. Desde o lançamento em 2020, o hardware impôs a barreira mais difícil já enfrentada pela cena homebrew.
As primeiras conquistas, por volta de 2021, eram rasas: envolviam apenas acesso para leitura e extração de dados do disco rígido ou exploração limitada do WebKit, que se fechava rapidamente caso o console tentasse rodar algum jogo de PS4 não assinado.
O que aconteceu em 2023 mudou o rumo: as chaves criptográficas começaram a ruir em firmwares mais antigos, possibilitando as primeiras execuções de jogos piratas da velha geração, porém sem estabilidade e limitados aos firmwares que não superavam a barreira da versão 4.03.
O que consolidou a mudança agora no final de 2026, porém, foi o salto exponencial de quebra do “Relapse”.
Ao unir o ataque WebKit a uma poderosa falha do kernel, as barreiras de firmware foram dizimadas, afetando consoles muito mais novos do que o habitual para um destrave em meio de geração.
Como a Sony tem reagido?
Como era de se esperar, a gigante japonesa não tem poupado esforços para fechar essa caixa de Pandora. No início de outubro de 2026, a Sony liberou emergencialmente a versão do software 26.06-14.10.00 com foco ostensivo na remoção das vulnerabilidades exploradas:
- Bloqueio de acesso online: Consoles que atualizam perdem o acesso imediato ao exploit. Contudo, recuperar as capacidades da PSN só é possível mantendo a máquina com a versão mais recente.
- Monitoramento de Logs e Banimentos: Ao menor sinal de injeção de pacotes suspeitos ou assinaturas falsificadas no log de atividades, a Sony tem aplicado a política de tolerância zero.
- Requisito forçado: Os lançamentos AAA das parceiras vão atuar como reforços, exigindo o sistema base mais recente no ato de instalação do disco.
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