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Biografias

Chiquinha Gonzaga

Gabriela Costa Costa
Publicado por Gabriela Costa Costa
Última atualização: 22/11/2019

Introdução

Chiquinha Gonzaga foi uma importante compositora, instrumentalista e maestrina brasileira.

Não bastasse esses títulos, ainda recai sobre ela a impressionante faceta de tê-los conquistado no século XX, quando mulheres eram limitadas por muitas regras do patriarcado.

Chiquinha Gonzaga (1847 – 1935)

Chiquinha Gonzaga é considerada a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil. O Dia da Música Popular Brasileira é comemorado no seu aniversário, tal a importância de Chiquinha Gonzaga.

Trajetória

Francisca Edwiges Neves Gonzaga nasceu em 17 de outubro de 1847, no Rio de Janeiro. Filha do militar José Basileu Alves Gonzaga e de Rosa Maria Neves Lima, que era filha de uma escrava liberta.

Embora a família Gonzaga rejeitasse a relação entre José Basileu e Rosa Maria, Chiquinha Gonzaga recebeu a educação de uma criança da elite

Teve um tutor que a colocou em contato com português, francês, cálculo. E, tendo apresentado interesse por música desde nova, Chiquinha Gonzaga teve aulas com o Maestro Elias Álvares Lobo

Aos 16 anos, casou-se, obedecendo a ordens de seu pai, com o empresário Jacinto Ribeiro do Amaral, de 24 anos. De presente de casamento, o patriarca Gonzaga deu à filha um piano.

Chiquinha Gonzaga passou a dedicar-se cada vez mais à música, algo que desagradava profundamente o marido. Após os nascimentos de seus filhos João Gualberto e Maria do Patrocínio, o relacionamento entre ela e o marido tornou-se mais tóxico.

Em 1865, Jacinto do Amaral passou a realizar viagens constantes a São Paulo, após tornar-se sócio do conhecido Barão de Mauá, empenhando-se em fornecimento bélico para a Guerra do Paraguai.

Nas viagens constantes, Jacinto fazia questão de que Chiquinha Gonzaga o acompanhasse, e isso a distanciava de sua prática musical. Seu casamento durou pouco tempo depois do nascimento de seu terceiro filho, Hilário.

Após a separação, Chiquinha Gonzaga conheceu o engenheiro João Batista de Carvalho. Com ele, teve uma filha, Alice. No entanto, após descobrir uma traição do novo marido, ela se divorciou pela segunda vez.

As separações de Chiquinha Gonzaga, na época, foram grandes escândalos. Por isso, ela conseguiu ficar apenas com a guarda de seu filho mais velho.

Mulher e compositora    

A partir de 1877, Chiquinha Gonzaga incorporou a música como profissão. Estudando e aperfeiçoando suas técnicas com o pianista português Artur Napoleão dos Santos, ela passou a lecionar aulas de piano.

Isso era tão incomum que, naquele período, ainda não havia na imprensa uma palavra no feminino para “maestro”. Sua primeira composição foi “Atraente”, e, depois, regeu no teatro de variedades a opereta “A Corte na Roça”.

Chiquinha Gonzaga passou a ser reconhecida e a receber diversos convites para tocar, compor e reger.

Em 1899, compôs aquela que foi considerada a primeira marcha carnavalesca com letra: “Abre Alas”

Ô abre alas! 

Que eu quero passar (bis) 

Eu sou da lira 

Não posso negar (bis)

Ô abre alas! 

Que eu quero passar (bis)

Rosa de Ouro 

É que vai ganhar (bis).

Conhecida até os dias de hoje, “Abre Alas” consagrou Chiquinha Gonzaga, eternizando-a na música brasileira dos séculos XIX e XX.

Chiquinha Gonzaga sempre foi uma mulher fora dos moldes do que significava ser uma “dama da sociedade” no período do fim do Império e início da República. As separações, a distância dos filhos, a dedicação a sua carreira e sua polêmica relação com português João Batista Fernandes Lage são alguns exemplos disso.

João Batista Fernandes Lage, ao que tudo indica, tinha 16 anos quando começou a se relacionar com a musicista, que tinha então 52 anos. Ambos teriam trabalhado juntos para a criação da “Sociedade Brasileira de Autores Teatrais”

Chiquinha Gonzaga declarou-se abolicionista, tendo investido dinheiro de seu trabalho na Confederação Libertadora.

Morreu aos 87 anos, em 28 de fevereiro de 1935, no Rio de Janeiro. 


Exercícios

Exercício 1
(FGV)

“Chiquinha Gonzaga alinha-se a outras figuras femininas do Império (...) como a Imperatriz Leopoldina e Anita Garibaldi. Todas as três, embora de diferentes maneiras, de diferente proveniência social e, em diferentes épocas, desempenharam um papel político que, certamente, contribuiu para as mudanças por elas defendidas e as inscreveu na História do Brasil”. (Suely Robles Reis de Queiroz, Política e cultura no império brasileiro. 2010). Em termos políticos, a Imperatriz Leopoldina, Anita Garibaldi e Chiquinha Gonzaga, respectivamente:

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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