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Biologia

Darwinismo e Lamarckismo

William Mira
Publicado por William Mira
Última atualização: 9/10/2018

Introdução

A partir do século XIX, através dos primeiros estudos que desmistificaram o criacionismo, pesquisadores e naturalistas buscavam explicações para o entendimento da diversidade das espécies de organismos existentes.

Dois principais pesquisadores contribuíram com teorias a cerca da evolução. O primeiro foi Jean-Baptiste Lamarck, um naturalista francês que acreditava que a adaptação era uma necessidade dos seres vivos que tinham controle, mesmo que indireto, sobre ela.

Cinquenta anos depois, foi a vez de o naturalista britânico Charles Robert Darwin postular a sua teoria evolutiva, na qual dizia que o ambiente apresentava condições que permitiam selecionar as espécies mais adaptadas a sobreviver, enquanto que as menos adaptadas sucumbiam ao ambiente.

A teoria de Darwin, principalmente após os experimentos de August Weisman em 1880 que mostraram inconsistências nas ideias de Lamarck, ganhou mais força e embasamento, enquanto que a teoria Lamarckista entrava em descrédito.

Em 1900, com a descoberta dos estudos de Mendel, a teoria darwinista mostrou-se contraditória e com pouco embasamento (Darwin não conseguia explicar a herança de características adaptativas).

Foi apenas na década de 30, com os avanços da biologia molecular e da genética, que as contradições existentes na teoria proposta por Darwin com base nos estudos de Mendel foram explicadas.

A partir de outros experimentos genéticos, uma nova teoria foi fundamentada (neodarwinismo) e é utilizada até hoje como modelo para explicação dos processos evolutivos.

Lamarckismo

Jean-Baptiste Lamarck (1744-1829) foi um naturalista francês que pertenceu à baixa nobreza e interessava-se por história natural. Ffoi através dele que o termo biologia foi difundido.

Em 1808, ao estudar moluscos em Paris, Lamarck constatou que as espécies sofreram mudanças adaptativas, o que ele chamou de transmutação das espécies ao longo do tempo.

Através dessa constatação e de posteriores estudos, desenvolveu a teoria da evolução que ficou conhecida como lamarckismo e foi publicada em seu livro "Filosofia da Zoologia", no ano de 1809.

Jean-Baptiste Lamarck, por Charles Thévenin.Jean-Baptiste Lamarck, por Charles Thévenin.

Lei do Uso e Desuso

Lamarck acreditava que órgãos utilizados constantemente se desenvolviam mais enquanto que órgãos que não eram utilizados se desenvolviam menor e podiam até se atrofiar.

Essa lei parte do princípio que o ambiente oferece condições para que cada organismo se desenvolva e se adapte.

Um exemplo clássico dessa lei é o pescoço das girafas. Para Lamarck, as girafas não possuíam pescoço longo, porém ao se alimentarem das folhas presentes na copa da árvore, elas utilizavam o pescoço que acabou se desenvolvendo e aumentando de tamanho.

Herança dos Caracteres Adquiridos

Ainda complementando a primeira lei, Lamarck acreditava que as diversas partes transmutadas dos animais geravam pangenes, partículas que se dirigem para as gônadas levando as informações das mudanças ocorridas.

Dessa forma, as características adquiridas por um organismo ao longo da sua vida eram passadas para seus descendentes.

Ainda utilizando o pescoço das girafas como exemplo, o desenvolvimento do pescoço era passado para as gerações seguintes de forma que filhotes de girafas já nasciam com pescoço grande.

Darwinismo

O Naturalista Britânico Charles Robert Darwin (1809-1882) apresentou sua teoria acerca da evolução em 1859, cinquenta anos depois da teoria lamarckista.

Seus estudos começaram quando realizou uma expedição por cinco anos no hemisfério sul, passando, inclusive, pela América do Sul (Brasil, Uruguai e Argentina). Darwin, nessa época com 22 anos, era até então criacionista, tendo frequentado o seminário onde teve formação de pastor da igreja anglicana.

Ao estudar jabutis presentes no arquipélago de Galápagos, Darwin observou diferenças entre os indivíduos localizados em ilhas diferentes, embora todos fossem espécimes de jabutis.

Além dos jabutis, Darwin investigou os tentilhões, aves provenientes do continente sul-americano. Em Galápagos, os tentilhões presentes em uma ilha se diversificaram dos presentes em outra, mostrando processos adaptativos relacionados principalmente ao formato do bico e a captura de alimentos.

Algumas espécies de tentilhões estudadas por Darwin.Algumas espécies de tentilhões estudadas por Darwin.

Através dos estudos, Darwin voltou para a Inglaterra convencido de que os seres vivos estão sujeitos a mudanças evolutivas.

Procurando mais material para sustentar a sua teoria, Darwin analisou as modificações impostas pelos seres humanos aos animais domésticos, o que ele chamou de seleção artificial: um cão com características desejadas é selecionado pelo homem e separado dos demais. A partir desse indivíduo são gerados descendentes portadores da mesma característica.

Darwin precisava estudar como o ambiente promovia a seleção de indivíduos com características desejadas enquanto outros não eram selecionados. Através do estudo de Alfred Wallace, que era muito similar ao dele, e do estudo de Thomas Malthus chamado de "Um Ensaio sobre Populações", ele encontrou sua resposta: O ambiente promove condições específicas que seleciona os indivíduos.

Com isso, Charles Darwin publicou sua teoria que ficou conhecida como darwinismo no livro "A Origem das Espécies" onde mostra a lei principal para a adaptação dos indivíduos: A seleção natural.

Darwin também foi o primeiro a demonstrar que todos os organismos descendem de um ancestral comum (origem comum).

Seleção Natural

Para Darwin, o ambiente pode promover condições específicas, as vezes adversas, que permite selecionar os indivíduos mais adaptados.

Seleção Natural de bactérias resistentes a um antibiótico.Seleção Natural de bactérias resistentes a um antibiótico.

Essa lei estabelece que os processos adaptativos ocorrem ao acaso, através de condições externas as quais submetem os seres vivos de um determinado ambiente.

Usando o exemplo do pescoço das girafas, para Darwin, havia girafas de pescoço comprido e girafas de pescoço curto, ambas se alimentando de vegetais. Com o tempo, os vegetais menores desapareceram. As girafas de pescoço longo conseguiam se alimentar das folhas localizadas na copa das árvores altas enquanto que as girafas de pescoço curto foram extintas, mostrando que as girafas de pescoço longo foram selecionadas por serem mais adaptadas ao ambiente.

Seleção natural esquematizada para selecionar organismos de coloração escura.Seleção natural esquematizada para selecionar organismos de coloração escura.

Lamarckismo e Darwinismo

Com a publicação da “Origem das Espécies” e com estudos de August Weisman comprovando que características adquiridas não eram passadas para os descendentes, a teoria lamarckista entrou em descrédito.

Além disso, é possível comprovar que nem todas as estruturas se desenvolvem quando muito utilizadas. Por exemplo, os olhos e cérebro não aumentam ou ficam mais desenvolvidos em uma pessoa que lê muito.

O darwinismo, embora na época não tivesse todas as suas comprovações (Darwin não tinha conhecimento do material genético e da transferência de características hereditárias), ainda foi a teoria mais aceita para explicar as transformações evolutivas que promovem a diferenciação das espécies.

Com a descoberta do material genético e através de experimentos modernos, foi possível entender melhor como acontecia essa mudança de característica (geralmente por mutaçãoao acaso) e como essas características eram passadas hereditariamente, aperfeiçoando a teoria darwinista com a “Teoria Sintética da Evolução” ou neodarwinismo.

A principal diferença entre a teoria lamarckista e darwinista está no mecanismo de adaptação: Para Lamarck, o ambiente gera necessidade de adaptação que desencadeia um esforço do indivíduo de forma isolada, chamado de adaptação ativa.

Já Darwin considera que o ambiente promove condições para selecionar os indivíduos mais adaptados em uma população, promovendo assim uma adaptação passiva.

Exemplo:

Traça (Biston betularia) branca e sua variação de coloração Preta.Traça (Biston betularia) branca e sua variação de coloração Preta.

Hipótese Lamarckista: A traça branca era comum na natureza até a Revolução Industrial, quando fuligem e cinzas das chaminés caiam no ambiente deixando-o galhos e troncos mais escuros. As traças passaram a desenvolver a coloração escura para se camuflar de predadores.

Hipótese Darwinista: No ambiente havia traças brancas e a variação preta que era vista pelos predadores e era caçada. Com a Revolução Industrial, os troncos e galhos de árvores ficaram mais escuros com as cinzas liberadas pelas chaminés e as traças pretas passaram a se camuflar mais facilmente que as traças brancas, que eram caçadas. Dessa forma, as traças pretas ficaram mais comuns que as traças brancas.


Exercícios

Exercício 1
(ENEM/2010)

Alguns anfíbios e répteis são adaptados à vida subterrânea. Nessa situação, apresentam algumas características corporais como, por exemplo, ausência de patas, corpo anelado que facilita o deslocamento no subsolo e, em alguns casos, ausência de olhos.

Suponha que um biólogo tentasse explicar a origem das adaptações mencionadas no texto utilizando conceitos da teoria evolutiva de Lamarck. Ao adotar esse ponto de vista, ele diria que:

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, shorts e tênis acenando

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