Índice
Introdução
Anfioxo é o nome dado a um animal do gênero Branchiostoma que vive semienterrado em ambientes marinhos, abaixo da linha das marés.
Sua aparência lembra muito os peixes com poucos centímetros de comprimento, diferenciando-se deles por não possuir nadadeiras e por sua cabeça não ser bem definida.
A denominação “anfioxo” é derivada do grego amphi (duas) e oxus (cauda) e foi dada a esse animal exatamente por suas extremidades afiladas. O destaque desse animal ocorre devido ao seu desenvolvimento embrionário, que apresenta um ovo muito semelhante aos ovos de grande parte dos mamíferos, oligolécito.
Segmentação ou clivagem
A segmentação ou clivagem é o nome dado ao processo de divisões mitóticas que ocorrem a partir da ativação do zigoto. Todo o processo se inicia com a primeira divisão do zigoto. Nela, o zigoto é dividido longitudinalmente de ponta a ponta.
Assim, se formam duas novas células, denominadas blastômeros. Dalí em diante, sucedem-se divisões que darão origem a 4, 8, 16 ou 32 novos blastômeros. Juntos, esses blastômeros formam um agrupamento de células. A essa fase é dado o nome de mórula.
As divisões continuam ocorrendo e, conforme avançam, o centro do aglomerado celular começa a ser preenchido por um líquido, enquanto as células passam a se distribuir ao redor dessa região. Após esse processo, o aglomerado tomará a forma de uma esfera, a blástula.
A blástula é uma esfera constituída de uma camada celular externa, denominada blastoderma, e uma cavidade central, denominada blastocele. Uma vez formada essa esfera, a primeira etapa da embriogênese está finalizada. Embora ocorra um crescimento expressivo do número de células após as divisões, as células diminuem de tamanho, o que garante que, nessa fase, não ocorra crescimento celular.
Ainda que parecidas, as blástulas dos mamíferos e a do anfioxo apresentam algumas diferenças. Nos mamíferos, a blástula é chamada de blastocisto e é revestida por uma camada de células, denominada trofoblasto. Mais à frente no desenvolvimento, o trofoblasto será o responsável por dar origem à placenta.
Na região interna do trofoblasto existe uma massa celular aderida a suas paredes. Essa massa celular é denominada embrioblasto, ou nó embrionário. O nó embrionário dará origem ao embrião.
Gastrulação
A gastrulação e a formação de um ente embrionário, a gástrula. A gástrula é originária da massa celular da formação anterior, a blástula. Embora sempre aconteça a transformação da blástula de um embrião em gástrula de três tecidos embrionários (o ectoderme, o mesoderme e o endoderme), a gastrulação não é um processo idêntico em todos os cordados.
No caso do anfioxo que é utilizado como modelo para o processo básico de embriogênese, a gastrulação acontece graças a um mecanismo em que as células de um polo da blastoderme migram para a região interior da blastocele. Esse tipo de gastrulação é chamado de gastrulação por embolia. Essa migração se acentua de tal maneira que a blastocele aos poucos deixa de existir.
É nesse momento do processo que ocorre a formação dos dois primeiros folhetos embrionários. Esses folhetos estão dispostos um mais externamente e um mais internamente. O folheto externo se chama ectoderme, enquanto o mais interno se chama endoderme e reveste o arquêntero, uma cavidade do embrião. O arquêntero formará mais adiante o tubo digestório do embrião que está se desenvolvendo.
O arquêntero apresenta uma região de comunicação com o meio externo denominado blastóporo. É a partir do desenvolvimento do blastóporo que acontece a classificação dos animais em protostômios ou deuterostômios. No caso dos deuterostômios, o blastóporo dá origem ao ânus e a boca surgirá posteriormente. É o caso de cordados e equinodermas.
No anfioxo o processo é bastante semelhante: o mesoderme se desenvolve a partir das paredes do arquêntero. O mesoderme formará duas bolsas laterais entre o ectoderme e o endoderme. Assim, o mesoderme passará a delimitar uma cavidade no interior do embrião denominada celoma.
Organogênese
À medida que ocorre a gastrulação, também se inicia o processo de organogênese. Nesse processo, algumas células do teto do arquêntero passam a se multiplicar e iniciam a formação do eixo dorsal que sustentará o embrião, a notocorda. Em grande parte dos vertebrados, a notocorda será substituída pela coluna vertebral, que se originará de outro processo. Já no anfioxo, ela permanece por toda a vida.
Junto com a formação da mesoderme, acontece o achatamento celular logo acima da ectoderme, que formará a placa neural. Esta placa se dobra e origina o sulco neural, que então se fecha e se desprende da ectoderme, passando a constituir o tubo neural, principal responsável pela formação do sistema nervoso.
Anfioxo, animal utilizado como base para estudos embrionários
Exercício de fixação
Exercícios sobre Embriologia do Anfioxo para vestibular
UTFPR
Nos organismos multicelulares, após a fecundação, tem início o desenvolvimento embrionário (a embriogênese) que dará origem ao novo indivíduo. Durante esse desenvolvimento, é correto afirmar que: