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Biologia

Interação gênica

Jéssica Maciel
Publicado por Jéssica Maciel
Última atualização: 27/6/2019

Introdução

Interação gênica é a denominação de um processo que ocorre quando dois ou mais genes interagem controlando apenas uma característica. Para que ocorra essa interação, não é necessário que os genes estejam localizados no mesmo cromossomo.

Por ser mais de um gene que determinará uma característica quando ocorrer a interação, a análise das características normalmente fogem das proporções de Mendel.

As interações gênicas podem ser classificadas em interações epistáticas e interações não epistáticas. 

Interações epistáticas

Interações epistáticas são interações que acontecem quando mais de um gene determina a produção das enzimas responsáveis por catalisar etapas diferentes de uma via metabólica. 

Na epistasia, quando um alelo de um gene em um locus se manifesta, ele suprime a manifestação de outro gene locus diferente. Esse alelo que suprime a manifestação do outro recebe o nome de epistático, enquanto que o alelo que foi suprimido é denominado hipostático.

Se apenas um alelo conseguir, sozinho, suprimir o hipostático, então dizemos que se trata de uma epistasia dominante. Em contrapartida, se o alelo aparece em dupla para inibir o hipostático, então o processo é denominado epistasia recessiva

A cor das galinhas é um exemplo clássico de epistasia dominante. Nelas, o gene dominante C determina que suas penas sejam coloridas, enquanto que o gene recessivo c determina que as penas sejam brancas. O gene I é epistático, impedindo a produção da pigmentação das penas, já o gene i não tem efeito inibidor. Dessa forma, se a galinha possui o alelo I, ela não terá suas penas coloridas, ainda que possua o alelo C. 

Já a epistasia recessiva pode ser exemplificada pelo albinismo em humanos. O albinismo ocorre quando os genes recessivos aa aparecem juntos, inibindo outros genes, responsáveis pela pigmentação da pele. Por essa razão, a pele de pessoas albinas não apresenta pigmentos.

Interações não epistáticas

Quando genes produzem enzimas que têm ação em diferentes vias metabólicas, as interações são denominadas interações não epistáticas. Nesse tipo de interação, dois ou mais locus interagem entre si e, dessa forma, produzem fenótipos sem que os alelos suprimam a expressão dos alelos de outros locus.

Um exemplo desse tipo de interação é a forma da crista das galinhas. Os quatro tipos de crista de galinhas são: ervilha, rosa, simples e noz. O gene dominante R é quem determina a crista rosa, enquanto que o gene dominante E determina a crista ervilha. Caso ocorra a presença do gene R e do gene E, então acontecerá uma interação gênica não-epistática e a crista correspondente será a crista tipo noz. Caso nenhum dos genes dominantes apareçam, a galinha possuirá a crista do tipo simples. 

Pleiotropia

A pleiotropia é o processo inverso da interação gênica. Ou seja, ocorre quando um único par de genes, o par pleiotrópico, é responsável pela manifestação de diversas características.

Um exemplo bastante comum de condição pleiotrópica é a fenilcetonúria, causada por um gene recessivo que produz enzimas que não conseguem transformar fenilalanina em tirosina. Em razão da fenilcetonúria, é possível que surjam os seguintes fenótipos: redução de pilosidade, pigmentação da pele, incapacitação mental. 

Herança qualitativa e herança quantitativa

Herança qualitativa é o nome dado quando vários genes não alelos atuam complementarmente, de modo a expressar uma característica qualitativa. Esse tipo de característica se refere a atributos que geralmente afetam a aparência do indivíduo

Um dos exemplos de herança qualitativa é a surdez hereditária. Durante o desenvolvimento do feto, o gene D determina o desenvolvimento de uma região importante da audição, já o gene E atua na formação do nervo acústico. Caso o indivíduo seja homozigoto recessivo para qualquer um desses genes, ele será incapaz de ouvir, uma vez que não acontecerá  a formação de uma parte do aparelho auditivo. 

Já a herança quantitativa, também denominada herança poligênica, acontece quando dois ou mais pares alelos acumulam efeitos e, com isso, produzem diversos fenótipos, diferentes uns dos outros. Para variar ainda mais os fenótipos, ainda é possível que fatores do ambiente atuem sobre essas características. 

Exemplo disso é a cor da pele humana. Simplificadamente, ela é definida com S e T. Quanto mais dominantes S e T estiverem presentes, maior será a concentração de melanina na pele. Assim, um indivíduo sstt possuirá pele com pouca coloração, enquanto que um indivíduo SSTT possuirá pele negra. Os fenótipos intermediários apresentarão uma gama muito diversa de tons de pele, que serão determinadas pela quantidade de aditivos.

Leão albino, consequência de uma interação gênica


Exercícios

Exercício 1
(UNESP/2016)

Na cobra do milharal, os alelos A/a e B/b regulam a coloração da pele. O pigmento preto é determinado pelo alelo dominante A enquanto o alelo recessivo a não produz esse pigmento. O pigmento laranja é determinado pelo alelo dominante B enquanto o alelo b não produz esse pigmento. A cobra selvagem produz os pigmentos preto e laranja. Cobras pretas produzem apenas pigmento preto. Cobras laranja produzem apenas pigmento laranja. Existem ainda cobras albinas, que não produzem os dois pigmentos. As figuras apresentam os quatro fenótipos possíveis de coloração da pele.

Assinale a alternativa na qual os genótipos representam, respectivamente, uma cobra selvagem e uma cobra albina.

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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