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Biologia

Peixes

William Mira
Publicado por William Mira
Última atualização: 13/12/2018

Introdução

Os peixes são organismos aquáticos e constituem uma superclasse dentro do filo dos Cordados, um dos filos do Reino Animal. Por fazerem parte do reino animal e do filo dos Cordados, esses organismos são pluricelulareseucariontestriblásticos (com três folhetos embrionários que dão origem a todos os demais órgãos e tecidos), com esqueleto interno (endoesqueleto) e são celomados, possuindo celoma, a cavidade que dá espaço para o depósito das vísceras.

Além dessas características gerais, os peixes possuem características específicas, como a respiração branquial e, na maior parte dos casos, o corpo coberto por escamas. Nos que possuem membros, estes se encontram na forma de nadadeiras. Também são organismos ectotérmicos, muitas vezes chamados de pecilotérmicos, que são animais com metabolismo mais simples e que, devido a isso, sua temperatura corporal não é constante e tende a variar de acordo com a temperatura ambiental.

Dentro do filo dos Cordados, os peixes apresentam grande diversidade, com aproximadamente 28 mil espécies catalogadas atualmente.

Diversidade entre os Peixes.Diversidade entre os Peixes.

Os peixes podem ser encontrados em ambientes de água doce, água salgada e em todos os ambientes aquáticos, inclusive em ambientes inóspitos, como as maiores profundidades marinhas, onde não há luz e os peixes têm que se adaptar para emitir luzes que garantem sua proteção e auxiliam na caça a presas.

Melanocetus johnsonii, um peixe bioluminescente que habita regiões profundas do oceano.Melanocetus johnsonii, um peixe bioluminescente que habita regiões profundas do oceano.

Classificação dos Peixes

Na taxonomia, a ordem dos peixes é subdividida em duas classes de maior importância que levam em consideração a composição do seu endoesqueleto: Os peixes de esqueleto cartilaginoso são chamados de Condrictes e os peixes de esqueleto ósseo são chamados de Osteíctes. Além disso, muitos taxonomistas agrupam dentro da superclasse dos peixes os chamados Agnatos, organismos aquáticos que não possuem mandíbulas, como as lampreias.

Lampreia.Lampreia.

As duas principais classes de peixes compõem o grupo dos Gnatostomados e possuem como característica principal a presença de mandíbula, permitindo que o animal possa abrir e fechar a boca e se alimentar de partículas maiores de alimento.

Condrictes

Os condrictes são peixes cartilaginosos, pois possuem esqueleto composto por cartilagem. Apresentam escamas placóides que se assemelham estruturalmente a pequenos dentes, constituídos de esmalte e dentina, que revestem todo o corpo do animal.

Além disso, a partir dos condrictes há o desenvolvimento de nadadeiras, estruturas que garantem eficiência na movimentação do organismo. As nadadeiras podem ser divididas em:

  • Nadadeira Dorsal: Localizada na região posterior (das costas) do organismo, tem como função garantir estabilidade no meio aquático;
  • Nadadeiras ventrais: Localizada na região inferior do corpo e, assim como a nadadeira dorsal, auxilia na estabilidade do animal;
  • Nadadeiras Peitorais: Localizada acima das nadadeiras ventrais, elas são responsáveis pela orientação do movimento do animal. Permitindo subir e descer em uma coluna de água;
  • Nadadeira Caudal: Localizada na extremidade do corpo do animal. Está relacionada com o impulso do peixe na água.

Estrutura Corporal dos Condríctes.Estrutura Corporal dos Condríctes.

Esses peixes apresentam, ainda, especificidades nos processos fisiológicos, como fendas branquiaisatividade do fígado para regular sua densidade corporal etc.

Os condrictes são divididos em duas grandes ordens: A ordem dos Elasmobrânquios (organismos que possuem de cinco a sete pares de fendas branquiais visíveis), composta pelos tubarões, cações e arraias; e a ordem dos Halocéfalos (organismos sem fendas branquiais visíveis externamente), cujos principais representantes são as quimeras, e que tem como principal característica a ausência de escamas.

 Taeniura lymma, uma espécie de arraia.Taeniura lymma, uma espécie de arraia.

Osteíctes

Principal e mais numerosa classe dos peixes, compondo aproximadamente 90% de toda espécie marinha conhecida. A principal característica dos peixes osteíctes é o esqueleto de constituição óssea.

As escamas dos osteíctes se diferenciam das placóides encontradas nos condríctes. Os osteíctes apresentam escamas de origem dérmica que revestem o corpo do animal em estruturas semelhantes a telhas.

Além das escamas, os peixes ósseos liberam muco, uma substância lubrificante que banha toda as escamas do animal, garantindo menor atrito com a água e facilitando, assim, o deslocamento através dela.

Quanto às nadadeiras, os osteíctes costumam apresentar nadadeiras ímpares, isto é, encontrada apenas uma em cada posição ocupada. Sendo duas dorsais (localizadas uma à frente da outra), uma anal e uma nadadeira caudal simétrica.

Os osteíctes apresentam, também, dois pares de nadadeiras chamadas de pares, sendo um par de nadadeiras pélvicas e um par de nadadeiras peitorais.

Outra estrutura dos peixes ósseos é o opérculo, uma placa óssea que cobre as brânquias para proteção, além de controlar a entrada de água pelo corpo do peixe.

Dentro da classe dos osteíctes, os organismos podem ser divididos em duas ordens:

  • Sacropterygii: que possuem nadadeiras lobadas, a nadadeira caudal é circular para garantir movimentos de manobra precisos;
  • Actinopterygii: que possuem nadadeiras raiadas, a nadadeira caudal é geralmente bifurcada, permitindo a esses peixes atingirem altas velocidades de nado. Os Actinopterygii são os mais numerosos, em termos de espécies, entre os osteíctes.

Estrutura Corporal dos Osteíctes com: A - Nadadeira dorsal; B - Raios da nadadeira; C - Linha Lateral; D - Rim; E - Bexiga; F - Aparelho de Weber; G - Ouvido interno; H - Cérebro; I - Narinas; L - Olhos; M - Guelra N - Coração; O - Estômago; P - Vesícula Biliar; Q - Baço; R - Órgãos sexuais internos; S - Nadadeira ventral; T - Coluna; U - Nadadeira anal; V - Nadadeira caudal.Estrutura Corporal dos Osteíctes com: A - Nadadeira dorsal; B - Raios da nadadeira; C - Linha Lateral; D - Rim; E - Bexiga; F - Aparelho de Weber; G - Ouvido interno; H - Cérebro; I - Narinas; L - Olhos; M - Guelra N - Coração; O - Estômago; P - Vesícula Biliar; Q - Baço; R - Órgãos sexuais internos; S - Nadadeira ventral; T - Coluna; U - Nadadeira anal; V - Nadadeira caudal.

Peixe beta alaranjado.Peixe beta alaranjado.

Fisiologia

Os peixes apresentam algumas variações fisiológicas de acordo com a classe da qual fazem parte. Por exemplo, com relação à capacidade de nadar em profundezas, os peixes ósseos possuem a bexiga natatória, que auxilia no aumento da densidade, enquanto os peixes cartilaginosos não possuem essa estrutura, cabendo aos seus fígados acumular líquidos para garantir o aumento da densidade desses organismos.

Além desse exemplo, vários outros processos fisiológicos são específicos de cada classe. Portanto, para cada sistema fisiológico aqui apresentado, ambas as classes serão abordadas:

Pterophyllum scalare, um peixe ósseo.Pterophyllum scalare, um peixe ósseo.

Sistema Digestório e Excretor

Os peixes, de modo geral, apresentam digestão completa iniciando na boca, localizada na região ventral, e finalizando na cloaca. A digestão é extracelular, no compartimento chamado de estômago, e a absorção de nutrientes ocorre no intestino, composto por uma válvula espiral que aumenta a superfície de absorção de nutrientes nos tubarões.

Os condrictes apresentam dentes serrilhados e de material semelhante às escamas placóides. Geralmente apresentam hábitos carnívoros, mas podem ser encontradas espécies herbívoras. Uma característica dos Condrictes é a capacidade de substituir um dente perdido por um novo. Além disso, os condrictes apresentam fígado bem desenvolvido que é rico em óleo, composto que auxilia na flutuação do animal através do controle da sua densidade, sendo esse o único mecanismo hidrostático presente nessa classe.

Quando o peixe cartilaginoso precisa nadar próximo à superfície, o óleo concentrado no fígado é transportado pela corrente sanguínea para todo o corpo do animal, deixando-o menos denso e facilitando sua movimentação até a superfície.

Os peixes ósseos, por outro lado, possuem uma boca terminal, localizada na ponta da cabeça. Além disso, possuem projeções intestinais chamadas de cecos pilóricos que, assim como a válvula espiral dos condrictes, aumenta a superfície de absorção de nutrientes e sua digestão finaliza no ânus.

Assim como os condrictes, os osteíctes podem apresentar hábitos carnívoros, onívoros ou herbívoros e sua digestão é extracelular. Os peixes ósseos também possuem uma estrutura que, geralmente, está associada ao sistema digestório e que auxilia na flutuação e no controle da densidade desses organismos. Essa estrutura hidrostática é chamada de Bexiga Natatória e se assemelha a uma bolsa capaz de armazenar gases.

O controle da concentração de gás armazenada na bexiga, aumenta ou diminui a densidade do animal. Quando é necessário esvaziar a bexiga natatória, geralmente para nadar em grandes profundidades, os osteíctes expelem o gás através do preenchimento de ácido láctico na bexiga natatória.

Quanto à excreção, os condrictes utilizam a cloaca para liberar suas excretas na forma de uréiaOs osteíctes liberam suas excretas pelo ânus e na forma de amônia.

Respiração e Circulação

A maioria dos peixes apresenta respiração branquial. No caso dos condrictes, as fendas branquiais são visíveis e são encarregadas de filtrar o O2 dissolvido na água. Já nos osteíctes, as fendas branquiais são protegidas por uma estrutura óssea chamada opérculo.

O sistema circulatório dos peixes é fechado, com o sangue sendo transportado apenas dentro de vasos sanguíneos. Os vasos de calibre menor são chamados de capilares e é onde ocorrem as trocas gasosas. O coração dos peixes é bicavitário, ou seja, possui apenas duas cavidades, sendo um átrio e um ventrículo.

A circulação pode ser didaticamente explicada com o fluxo sanguíneo sendo bombeado a partir do ventrículo, passando próximo das brânquias, onde ocorre a oxigenação, deixando o sangue rico em O2 (sangue arterial) e circulando pela artéria até os capilares para as trocas gasosas. Após a troca, o sangue passa a ser rico em CO2 (sangue venoso) e caminha pelas veias até atingir o átrio para iniciar novamente o ciclo.

Sistema Nervoso

Assim como todos os vertebrados, os peixes possuem tubo nervoso dorsal durante a fase embrionária, no qual uma de suas extremidades se desenvolve em encéfalo, enquanto a outra se projeta pelo dorso do animal formando a medula espinhal. O encéfalo, juntamente com a medula espinhal, forma o sistema nervoso central, e da medula saem nervos que são agrupados no sistema nervoso periférico.

Os peixes apresentam a linha lateral, um conjunto de canais preenchidos com água que tem como função principal detectar variações na água, seja por vibrações, por diferença de pressão, pela movimentação de organismos etc., o que facilita, por exemplo, a formação e o estabelecimento de cardumes (coletivo de peixes que se movimentam ordenadamente).

Além da linha lateral, especificamente nos condrictes, há também estruturas chamadas de Ampolas de Lorenzini localizadas próximas ao focinho dos tubarões. Essas estruturas são capazes de detectar correntes elétricas presentes na musculatura de outros organismos, auxiliando na detecção das presas que podem estar escondidas ou camufladas.

Reprodução

Os peixes são seres dióicos (apresentam sexo biológico separado) e muitas espécies possuem dimorfismo sexual (diferenças anatômicas entre machos e fêmeas).

A reprodução dos condrictes ocorre por meio de fecundação interna. Os machos apresentam estruturas copulatórias chamadas de clásper, que são introduzidas na cloaca da fêmea. O clásper é um canal direto para os testículos do macho, local onde são produzidos os gametas masculinos (espermatozóides) que são liberados dentro do corpo da fêmea para entrarem em contato com o gameta feminino (óvulo).

A partir da fecundação, ocorre a formação de um zigoto, que irá se desenvolver em embrião diretamente, sem formação de larva.

Os peixes cartilaginosos podem ser classificados quanto ao tipo de desenvolvimento embrionário apresentado em: 

  • Ovíparos: Quando, após a fecundação, o embrião se desenvolve dentro de ovos que são liberados no ambiente pela fêmea;
  • Ovovivíparos: Com o desenvolvimento embrionário ocorrendo dentro de ovos, porém com estes ovos permanecendo dentro do corpo das fêmeas, em locais chamados de ovidutos.
  • Vivíparos: Com o embrião se desenvolvendo dentro do corpo da fêmea, sem a presença de ovos.

Já nos peixes ósseos, a fecundação é externa. O macho e a fêmea liberam seus gametas na água, onde ocorre a fecundação e formação do zigoto, que se desenvolve no interior de um ovo, fazendo dos osteíctes espécies ovíparas.

Osmorregulação

Osmorregulação é a capacidade do peixe de controlar o fluxo de água que entra e sai do seu organismo através da osmose (transporte de água de um meio menos concentrado para o mais concentrado). Os peixes que possuem essa capacidade de osmorregulação são chamados de osmorreguladores e são os osteíctes.

Em osteíctes marinhos, a água ambiente tem uma grande concentração de sais, deixando o meio hipertônico (elevada concentração de soluto). Dessa forma, de acordo com a osmose, a água deveria sair do meio menos concentrado - nesse caso, o interior do animal - e ir para o meio mais concentrado - o meio externo. Essa passagem de água, contudo, dificultaria a sobrevivência dos peixes nesses ambientes. Para evitar esse processo, os peixes marinhos minimizam os efeitos da osmose ingerindo muita água marinhaurinando pouco e eliminando o excesso de sal através das brânquias.

Já nos peixes ósseos de água doce, o inverso acontece: o meio externo é hipotônico, isto é, o interior do peixe tem uma maior concentração de soluto quando comparada com o meio externo. Dessa forma, água do meio externo tende a entrar no organismo pela superfície corporal dos peixes e a osmorregulação, nesse caso, faz com que os peixes bebam menos água e absorvam os sais presentes no meio externo através das brânquias. O excesso de sal pode ser eliminado através da urina, que é abundante, quando comparada à urina dos peixes marinhos.

Em peixes cartilaginosos, não há osmorregulação, mas sim um processo mais simples: Os condrictes possuem a capacidade de controlar a tonicidade do seu sangue, fazendo com que a concentração dos seus fluidos corporais tenha a mesma concentração do meio externo. São chamados, por isso, de osmoconformes.

Classificação ecológica

Os peixes podem, ainda, ser classificados de acordo com seu comportamento dentro do ambiente aquático em que vivem.

  • Pelágios: Peixes que vivem em cardumes, como as sardinhas e os atuns;
  • Demersais: Peixes territorialistas que vivem, geralmente, isolados no interior de estruturas rochosas, como as garoupas e os linguados;
  • Batipelágios: Peixes que nadam livremente em águas de grande profundidade;
  • Mesopelágios: Espécies migratórias que costumam subir para a superfície apenas no período noturno.

Exercícios

Exercício 1
(MACK/2003)

I - Presença de bexiga natatória.

II - Presença de opérculo protegendo as fendas branquiais.

III - Corpo coberto por escamas de origem dérmica.

IV - Arco mandibular não fundido ao crânio.

Das características acima, assinale aquelas presentes nos peixes ósseos e ausentes nos cartilaginosos.

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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