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Geografia

Aquecimento Global

Maria Júlia Rossetto
Publicado por Maria Júlia Rossetto
Última atualização: 24/5/2019

Introdução

Fonte: Diário do Povo (Campinas - SP).

Aquecimento global é o processo de aumento da temperatura média do planeta, causado pela intensificação do efeito estufa. O aumento nas temperaturas globais e a nova composição da atmosfera desencadeiam alterações importantes na Terra. Alguns exemplos são:

  • Elevação do nível dos mares e mudanças nas correntes marinhas e na composição química da água.
  • Interferência no ritmo das estações do ano e nos ciclos da água, do carbono, do nitrogênio e outros compostos.
  • Degelo das calotas polares, do solo congelado das regiões frias (permafrost) e dos glaciares de montanha, modificando ecossistemas e reduzindo a disponibilidade de água potável.
  • Irregularidade do regime de chuvas e do padrão dos ventos, que tendem a desertificar as regiões tropicais, enchentes e secas mais graves e frequentes,  que aumentam a frequência e a intensidade de tempestades e outros eventos climáticos extremos, como as ondas de calor e de frio.

O clima tem história

O planeta já sofreu muitas mudanças climáticas globais. Isso é demonstrado por uma série de evidências que mostram que isso já acontecia há milhões de anos, por causas naturais associadas aos ciclos de resfriamento (glaciações) e aumento de temperatura. Entre essas causas, tanto para aquecimentos como para resfriamentos, podem ser citadas mudanças na atividade vulcânica, na circulação marítima, na atividade solar, no posicionamento dos polos e na órbita terrestre.

A mudança significativa global mais recente foi a última glaciação, no período Holoceno, que terminou em torno de 10 mil anos atrás.

Mas, para além desses ciclos, a temperatura média da Terra tem se elevado desde meados do século XIX. A elevação na temperatura não foi linear, com várias oscilações para mais e para menos. Variações desse tipo são naturais e esperadas, mas a tendência geral é que a intensidade dos fenômenos vem aumentando.

Variação da temperatura média global de 1880 até 2013. A linha vermelha representa as médias anuais em cada ano.

Evidências do aquecimento global

  • aumento na temperatura da atmosfera sobre terras e mares;

Esquema com temperaturas globais na década de 1880 e 1980, comparadas à média no período entre 1951 e 1980.

  • A retração das geleiras e diminuição da área coberta por neve;
  • Migração de muitas espécies animais e vegetais de climas mais quentes em direção aos polos, ou a altitudes mais elevadas;
  • O adiantamento da ocorrência de eventos associados a estações do ano, como as cheias de rios e lagos decorrentes de degelo, nascimento de plantas e migrações de animais.

Ações humanas no aquecimento global

Mudanças importantes estão sendo agora induzidas pelo homem, cujas atividades geram gases estufa e os liberam na atmosfera, aumentando a sua concentração e provocando um aumento na retenção geral de calor. Algumas evidências para isso são:

  • gás carbônico (CO2) indica que tem principalmente origem fóssil, derivado da combustão do petróleo, do gás natural e do carvão mineral. A quantidade de O2 também tem diminuído de forma consistente com a liberação de CO2 por meio de combustão.
  • metano (CH4se origina no uso de combustíveis fósseis, na agricultura, na pecuária e na decomposição de matéria orgânica (lixo, esgotos), mais que dobrando sua concentração atmosférica desde o período pré-industrial.
  • Menos calor está escapando para o espaço, o que mostra uma intensificação do efeito estufa. Além disso, mais calor está retornando da atmosfera de volta à superfície.

Curvas de concentração na atmosfera de vários gases estufa no período 1976-2013: CO2, N2O, CH4, CFC-12, CFC-11, HCFC-22 e HFC-134a. Apenas dois, dos menos importantes, mostram declínio recente. Todos os outros, inclusive os mais potentes, cresceram constantemente.

Alguns estudos indicaram que uma parte do aquecimento observado no início do século XX pode ser atribuível a causas naturais, como a variabilidade climática natural e emissões vulcânicas de gases, mas o consenso atual é de que a partir da segunda metade do século as atividades humanas têm sido responsáveis por muitas mudanças.

Consequências

Projeção dos aumentos de temperatura em diferentes locais do planeta no decorrer do século XXI.

  • O aquecimento da atmosfera aumenta sua capacidade de reter vapor d'água, bem como aumenta a evaporação das águas superficiais (oceanos, lagos e rios). Isso tem dois efeitos importantes: 
  • Aumenta a quantidade de água disponível na atmosfera, e em certas regiões, quando essa água em vapor se converte em chuva, tende a chover com mais intensidade.
  • O vapor d'água é um gás estufa por si mesmo, e de todos o mais importante, porque existe em grande quantidade na nossa atmosfera naturalmente. Com o aumento do calor, o aquecimento global se intensifica por um ciclo de auto-reforço: aumenta a evaporação, mais vapor d'água vai para a atmosfera e o efeito estufa se acentua; então o calor aumenta ainda mais, aumenta a evaporação e assim sucessivamente. Em função do desequilíbrio hídrico, em algumas regiões subtropicais está prevista tendência à desertificação, diminuindo a superfície coberta por florestas. Com a diminuição da capacidade da natureza de reciclar o gás carbônico, o efeito estufa se realimenta.
  • Também estão previstas mudanças no padrão dos ventos e o aumento na frequência e intensidade das tempestades severas e das ondas de calor extremo. Mais umidade no ar pode também significar uma presença de mais nuvens na atmosfera. As nuvens têm um papel importante no equilíbrio energético porque controlam a energia que entra e a que sai do sistema.
  • O aumento da temperatura global, junto com seus efeitos secundários (diminuição da cobertura de gelo, subida do nível do mar, mudanças dos padrões climáticos, etc), provocam importantes alterações nas condições que mantém estáveis os ecossistemas.
  • A mudança nas zonas climáticas provoca em todas as regiões um desarranjo no ciclo das estações do ano.
  • Na região do Ártico, a que está aquecendo mais rápido já foi observada uma migração de espécies exóticas arbóreas e arbustivas perenes. O maior calor no Ártico também tem aumentado o número e a gravidade dos incêndios na tundra e nas florestas boreais, que lançam grandes quantidades de gases estufa na atmosfera, destroem ecossistemas e derretem o permafrost, o solo permanentemente congelado que existe em vastas áreas do Hemisfério Norte (e também, em menor extensão, no Sul).
    Recuo do Glaciar McCarty entre 1909 e 2004.
  • O aquecimento global provoca subida dos mares através de dois fatores principais: o primeiro é a expansão térmica das águas, um mecanismo pelo qual as águas se expandem ao aquecer, ocupando maior volume. Os oceanos absorvem cerca de 90% do calor gerado pelo efeito estufa, e por isso aquecem e se expandem.
  • Muitas ilhas e regiões litorâneas baixas, onde se concentra uma parte expressiva da população mundial, como Hong Kong, Nova Iorque, Rio de Janeiro, Buenos Aires, serão inundadas em graus variáveis, o que causará perdas materiais e culturais incalculáveis e provocará migrações em massa para regiões mais elevadas, gerando novos transtornos e despesas em larga escala. A elevação do nível do mar também afetará os ecossistemas costeiros, causando sua degradação ou erradicação, com perdas ou modificações importantes na biodiversidade.
  • Outro efeito direto é a erosão costeira, provocando o recuo da linha de areia nas praias, mudanças no perfil dos litorais e destruição de infra-estruturas litorâneas construídas pelo homem, como barragens, estradas e habitações, além de prejudicar o lazer, o turismo e outras atividades econômicas e sociais. Ao mesmo tempo, os aquíferos costeiros subterrâneos de água doce tendem a ser invadidos por água salgada, diminuindo a oferta de água potável para as populações humanas.
  • O aquecimento da água, além de causar a elevação do nível do mar, produz por si só vários outros efeitos negativos. Altera as correntes marinhas, a salinidade, os níveis de oxigênio e de evaporação, modifica a estratificação das camadas de água, e acelera as taxas de derretimento do gelo flutuante.

Perda de terra firme por conta da elevação do nível do mar na costa da Louisiana, EUA, entre os anos de 1932 e 2011.

  • A elevação da concentração de CO2 nos mares fez com que as águas se tornassem 26% mais ácidas do que eram no período pré-industrial. Paralelamente, baixaram as concentrações de O2 (oxigênio), que é essencial para a preservação da vida.
  • Uma consequência esperada do somatório de todos os efeitos do aquecimento global é o sério comprometimento da produção de alimentos. As mudanças nos mares devem significar uma importante ameaça aos estoques de peixes, moluscos e crustáceos para consumo, que constituem alimento básico ou importante para grande parte da população mundial. O aquecimento global também afeta a produção de outros alimentos. A elevação das temperaturas, as mudanças nas chuvas, na circulação de umidade atmosférica, no ritmo das estações, no ciclo do carbono, no ciclo do nitrogênio e outros nutrientes, a redução da umidade do solo e dos mananciais de água, o aumento nas taxas de evaporação superficial, a tendência à desertificação subtropical, sem dúvida vão prejudicar a agricultura, a pecuária e a silvicultura de grandes áreas produtoras em todo o mundo. Devem aumentar também o uso de pesticidas e adubos nas culturas para compensar a queda na produtividade, o que contaminará ainda mais o ambiente e elevará os custos de produção, gerando novos prejuízos num efeito de cascata.
  • É esperado o aumento na incidência e mudanças na distribuição geográfica de várias doenças, especialmente as cardiorrespiratórias, as infecciosas e as ligadas à desnutrição. O aquecimento deve provocar também a redistribuição geográfica de todas as doenças que de alguma forma são influenciadas pelo clima e pelas condições do tempo, como a malária e a dengue.

O Protocolo de Quioto

O principal acordo mundial para combater o aquecimento global é o Protocolo de Quioto, negociado em 1997, onde foram definidas metas concretas de mitigação por cada país participante, com a exceção dos países em desenvolvimento, que não foram obrigados a estabelecer metas. O protocolo abrange mais de 160 países e mais de 55% das emissões de gases do efeito estufa. Apenas os Estados Unidos, historicamente o maior emissor de gases estufa do mundo, e o Cazaquistão, recusaram-se a reconhecer o tratado.

Os países menos desenvolvidos e mais pobres em geral são pequenos emissores de gases estufa, mas devem sofrer suas consequências mais pesadamente do que os ricos — que são grandes emissores e os maiores responsáveis pela origem do problema. 

O debate passa também pela questão de saber em que medida é que países recém-industrializados, como China e Índia, deverão ter o privilégio de poder aumentar suas emissões a fim de que seu crescimento não seja prejudicado, especialmente a China, uma vez que ela é atualmente o maior emissor individual do mundo.

A fim de auxiliar os países menos favorecidos, o Protocolo de Quioto introduziu três instrumentos principais para a flexibilização das exigências:

  • Comércio de Emissões, que instituiu os “créditos de carbono”, através dos quais as empresas (em conjunto com os governos) concordam em limitar suas emissões de gases estufa ou comprar créditos das nações que emitem menos.
  • Implementação Conjunta prevê que os países desenvolvidos podem desenvolver projetos de redução de emissões nos países em desenvolvimento.
  • Mecanismo de Desenvolvimento Limpo estimula a transferência de tecnologia entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento.

Exercícios

Exercício 1
(ENEM/2011)

De acordo com o relatório “A grande sombra da pecuária” (Livestock’s Long Shadow), feito pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação, o gado é responsável por cerca de 18% do aquecimento global, uma contribuição maior que a do setor de transportes.

A criação de gado em larga escala contribui para o aquecimento global por meio da emissão de:

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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