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Geografia

Formas de Governo

Publicado por Maria Clara Cavalcanti | Última atualização: 19/6/2025
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Índice

Introdução

Formas de governo são os modelos institucionais de administração e organização política da nação. As formas de governo não são, portanto, estáticas, modificando-se conforme os Estados também se transformam e se expandem. 

Foi o filósofo Aristóteles o primeiro a refletir sobre a complexidade das formas de governo, em seu livro “A Política”. Segundo o pensador, um governo precisa ser conciliador, justo e ter como objetivo norteador e principal o bem comum da sociedade. Além disso, foi ele quem interpretou o governo como forma de organização e classificou sua existência a partir do poder que é dado aos governantes. 

Entretanto, outros pensadores também se propuseram a teorizar sobre as formas de governo, como Maquiavel, Políbio e Kelsen.

Veremos, aqui, a classificação de República de Maquiavel, por exemplo, assim como as definições das formas de governo mais encontradas contemporaneamente. 

Principais conclusões

  • Formas de governo são modelos institucionais de administração e organização política da nação que definem quem detém o poder, como ele se estrutura e quais fins públicos orientam a ação dos governantes em busca do bem comum.
  • Funcionam pela distribuição e legitimação do poder: podem concentrar autoridade (monarquia, autocracia), atribuí‑lo a elites (aristocracia/oligarquia) ou basear‑se na participação popular e na temporalidade do mandato (república, democracia).
  • Contexto histórico e teórico: Aristóteles distinguia formas puras (visam o bem comum) e impuras; Maquiavel, Políbio e Kelsen propuseram classificações distintas, mostrando que formas de governo evoluem conforme transformações sociais e estatais.
  • No ENEM, atenção a conceitos e mudanças históricas: diferencie monarquia e república, presidencialismo e parlamentarismo, e relacione rupturas (Proclamação da República, parlamentarismo em 1961, golpe de 1964, redemocratização em 1985) aos impactos sociais.
  • Compreender formas de governo permite avaliar participação cidadã, limites do poder e eficácia de políticas públicas, aplicando-se à análise de direitos, conflitos sociais e à formação de um olhar crítico sobre a governança contemporânea.
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Classificação aristotélica

Busto de AristótelesA partir da análise dos Estados Gregos, Aristóteles chegou na seguinte classificação das formas de governo:

  • Nomeou como formas puras, normais e perfeitas, por serem, por definição, formas que visam o bem comum:
  • Monarquia: é marcada por ser um regime no qual o Rei possui o poder supremo e é quem controla a nação.
  • Aristocracia: se configura como um modelo no qual uma elite ou nobreza possuem todo ou grande parte do poder de administração da nação.
  • Democracia: é uma organização social ou regime político em que o poder é exercido pelo povo. Ou seja, a democracia é mais que um regime político, mas uma forma de governo baseada em um Estado de direitos em que a soberania deve pertencer ao povo. Posteriormente, um outro pensador, Habermas, dividiu a democracia em:
  • democracia deliberativa: onde o debate público deve ser feito a fim de criar o consenso sobre determinada ideia ou discurso.
  • democracia ativista: tem por objetivo mobilizar socialmente, a fim de que os indivíduos conquistem seus direitos.
  • Nomeou como formas impuras ou corruptas, pois colocam os interesses dos governantes em detrimento daqueles que visam o bem-estar geral da população:
  • Tirania: quando o poder é conquistado de forma imoral ou corrupta. 
  • Oligarquia: quando o grupo que está no poder toma decisões apenas para beneficiar a si próprio.
  • Demagogia: quando o poder é exercido por facções populares. 

Classificação maquiavélica

Retrato de Nicolau Maquiavel 

Maquiavel classificou as formas de governo em Monarquia e República. A primeira tem tem como característica a concessão do poder ao rei de forma hereditária, sem definição ou limitação temporal. A segunda, por sua vez, possui o exercício do poder atribuído ao povo, que por meio de eleições, escolhe seu representante. 

A República é marcada pela temporalidade do poder, podendo ser classificada como:

  • Direta: quando o povo exerce a função de administração diretamente;
  • Presidencialista: quando o presidente é eleito de forma direta ou indireta, tornando-se responsável pela representação do Estado e pela administração do Governo. O presidente da República é responsável, portanto, pela execução das políticas públicas, pela representação da nação, comando das forças armadas, escolha dos ministros etc. 
  • Parlamentarista: quando o Legislativo é representado por um parlamento - geralmente eleito pelo povo - e é este parlamento que exerce as tomadas de decisões centrais do Governo. No Parlamentarismo, o chefe de Governo é um representante do poder legislativo, indicado pelo parlamento e responsável por executar as políticas públicas. Esse chefe de Governo é chamado Primeiro Ministro. Enquanto isso, o chefe de Estado é aquele responsável pela manutenção do Estado Nacional e, geralmente, possui poderes políticos limitados, por vezes até simbólicos.

Outras classificações e formas de governo

Outros pensadores também se dedicaram a analisar as formas de governo.

Kelsen, por exemplo, classificou as formas de governo como democráticas - onde há participação popular - ou autocráticas - onde as decisões geralmente ocorrem alheias à vontade da maioria da população.

Além disso, a anarquia é também outra forma de governo. Tem como objetivo central o fim da autoridade estatal e do Estado em si. A etimologia da palavra remete ao grego e significa “ausência de governo”.

Pode-se definir a anarquia como uma filosofia política que repudia qualquer forma de hierarquia e dominação - inclusive a do Estado - e que acredita ser possível alcançar uma sociedade ideal voltada para o bem comum, a partir da liberdade individual, da coletividade e da autogestão.

Formas de Governo no Brasil

O Brasil atravessou diferentes formas de Governo.

Após se tornar um país independente, entre 1882 e 1889, vivemos em um regime monárquico.

Em 1889, foi Proclamada a República do Brasil, e esta durou até 1961, quando foi instaurado o Parlamentarismo.

Em 1964, o Golpe Militar no Brasil acabou com a forma de Governo democrática. Somente em 1985, com o processo de redemocratização, a Ditadura Militar chegou ao fim. 

Exercício de fixação

Exercícios sobre Formas de Governo para vestibular

Passo 1 de 3

ENEM/2016

A democracia deliberativa afirma que as partes do conflito político devem deliberar entre si e, por meio de argumentação razoável, tentar chegar a um acordo sobre as políticas que seja satisfatório para todos. A democracia ativista desconfia das exortações à deliberação por acreditar que, no mundo real da política, onde as desigualdades estruturais influenciam procedimentos e resultados, processos democráticos que parecem cumprir as normas de deliberação geralmente tendem a beneficiar os agentes mais poderosos. Ela recomenda, portanto, que aqueles que se preocupam com a promoção de mais justiça devem realizar principalmente a atividade de oposição crítica, em vez de tentar chegar a um acordo com quem sustenta estruturas de poder existentes ou delas se beneficia”.

(YOUNG, I. M. Desafios ativistas à democracia deliberativa. Revista Brasileira de Ciência Política, n. 13, jan.-abr. 2014)

As concepções de democracia deliberativa e de democracia ativista apresentadas no texto tratam como imprescindíveis, respectivamente:

A a decisão da maioria e a uniformização de direitos
B a organização de eleições e o movimento anarquista.
C a obtenção do consenso e a mobilização das minorias.
D a fragmentação da participação e a desobediência civil.
E a imposição de resistência e o monitoramento da liberdade.
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