Índice
Introdução
Formas de governo são os modelos institucionais de administração e organização política da nação. As formas de governo não são, portanto, estáticas, modificando-se conforme os Estados também se transformam e se expandem.
Foi o filósofo Aristóteles o primeiro a refletir sobre a complexidade das formas de governo, em seu livro “A Política”. Segundo o pensador, um governo precisa ser conciliador, justo e ter como objetivo norteador e principal o bem comum da sociedade. Além disso, foi ele quem interpretou o governo como forma de organização e classificou sua existência a partir do poder que é dado aos governantes.
Entretanto, outros pensadores também se propuseram a teorizar sobre as formas de governo, como Maquiavel, Políbio e Kelsen.
Veremos, aqui, a classificação de República de Maquiavel, por exemplo, assim como as definições das formas de governo mais encontradas contemporaneamente.
Principais conclusões
- Formas de governo são modelos institucionais de administração e organização política da nação que definem quem detém o poder, como ele se estrutura e quais fins públicos orientam a ação dos governantes em busca do bem comum.
- Funcionam pela distribuição e legitimação do poder: podem concentrar autoridade (monarquia, autocracia), atribuí‑lo a elites (aristocracia/oligarquia) ou basear‑se na participação popular e na temporalidade do mandato (república, democracia).
- Contexto histórico e teórico: Aristóteles distinguia formas puras (visam o bem comum) e impuras; Maquiavel, Políbio e Kelsen propuseram classificações distintas, mostrando que formas de governo evoluem conforme transformações sociais e estatais.
- No ENEM, atenção a conceitos e mudanças históricas: diferencie monarquia e república, presidencialismo e parlamentarismo, e relacione rupturas (Proclamação da República, parlamentarismo em 1961, golpe de 1964, redemocratização em 1985) aos impactos sociais.
- Compreender formas de governo permite avaliar participação cidadã, limites do poder e eficácia de políticas públicas, aplicando-se à análise de direitos, conflitos sociais e à formação de um olhar crítico sobre a governança contemporânea.
Classificação aristotélica
Busto de AristótelesA partir da análise dos Estados Gregos, Aristóteles chegou na seguinte classificação das formas de governo:
- Nomeou como formas puras, normais e perfeitas, por serem, por definição, formas que visam o bem comum:
- Monarquia: é marcada por ser um regime no qual o Rei possui o poder supremo e é quem controla a nação.
- Aristocracia: se configura como um modelo no qual uma elite ou nobreza possuem todo ou grande parte do poder de administração da nação.
- Democracia: é uma organização social ou regime político em que o poder é exercido pelo povo. Ou seja, a democracia é mais que um regime político, mas uma forma de governo baseada em um Estado de direitos em que a soberania deve pertencer ao povo. Posteriormente, um outro pensador, Habermas, dividiu a democracia em:
- democracia deliberativa: onde o debate público deve ser feito a fim de criar o consenso sobre determinada ideia ou discurso.
- democracia ativista: tem por objetivo mobilizar socialmente, a fim de que os indivíduos conquistem seus direitos.
- Nomeou como formas impuras ou corruptas, pois colocam os interesses dos governantes em detrimento daqueles que visam o bem-estar geral da população:
- Tirania: quando o poder é conquistado de forma imoral ou corrupta.
- Oligarquia: quando o grupo que está no poder toma decisões apenas para beneficiar a si próprio.
- Demagogia: quando o poder é exercido por facções populares.
Classificação maquiavélica
Retrato de Nicolau Maquiavel
Maquiavel classificou as formas de governo em Monarquia e República. A primeira tem tem como característica a concessão do poder ao rei de forma hereditária, sem definição ou limitação temporal. A segunda, por sua vez, possui o exercício do poder atribuído ao povo, que por meio de eleições, escolhe seu representante.
A República é marcada pela temporalidade do poder, podendo ser classificada como:
- Direta: quando o povo exerce a função de administração diretamente;
- Presidencialista: quando o presidente é eleito de forma direta ou indireta, tornando-se responsável pela representação do Estado e pela administração do Governo. O presidente da República é responsável, portanto, pela execução das políticas públicas, pela representação da nação, comando das forças armadas, escolha dos ministros etc.
- Parlamentarista: quando o Legislativo é representado por um parlamento - geralmente eleito pelo povo - e é este parlamento que exerce as tomadas de decisões centrais do Governo. No Parlamentarismo, o chefe de Governo é um representante do poder legislativo, indicado pelo parlamento e responsável por executar as políticas públicas. Esse chefe de Governo é chamado Primeiro Ministro. Enquanto isso, o chefe de Estado é aquele responsável pela manutenção do Estado Nacional e, geralmente, possui poderes políticos limitados, por vezes até simbólicos.
Outras classificações e formas de governo
Outros pensadores também se dedicaram a analisar as formas de governo.
Kelsen, por exemplo, classificou as formas de governo como democráticas - onde há participação popular - ou autocráticas - onde as decisões geralmente ocorrem alheias à vontade da maioria da população.
Além disso, a anarquia é também outra forma de governo. Tem como objetivo central o fim da autoridade estatal e do Estado em si. A etimologia da palavra remete ao grego e significa “ausência de governo”.
Pode-se definir a anarquia como uma filosofia política que repudia qualquer forma de hierarquia e dominação - inclusive a do Estado - e que acredita ser possível alcançar uma sociedade ideal voltada para o bem comum, a partir da liberdade individual, da coletividade e da autogestão.
Formas de Governo no Brasil
O Brasil atravessou diferentes formas de Governo.
Após se tornar um país independente, entre 1882 e 1889, vivemos em um regime monárquico.
Em 1889, foi Proclamada a República do Brasil, e esta durou até 1961, quando foi instaurado o Parlamentarismo.
Em 1964, o Golpe Militar no Brasil acabou com a forma de Governo democrática. Somente em 1985, com o processo de redemocratização, a Ditadura Militar chegou ao fim.
Exercício de fixação
Exercícios sobre Formas de Governo para vestibular
ENEM/2016
“A democracia deliberativa afirma que as partes do conflito político devem deliberar entre si e, por meio de argumentação razoável, tentar chegar a um acordo sobre as políticas que seja satisfatório para todos. A democracia ativista desconfia das exortações à deliberação por acreditar que, no mundo real da política, onde as desigualdades estruturais influenciam procedimentos e resultados, processos democráticos que parecem cumprir as normas de deliberação geralmente tendem a beneficiar os agentes mais poderosos. Ela recomenda, portanto, que aqueles que se preocupam com a promoção de mais justiça devem realizar principalmente a atividade de oposição crítica, em vez de tentar chegar a um acordo com quem sustenta estruturas de poder existentes ou delas se beneficia”.
(YOUNG, I. M. Desafios ativistas à democracia deliberativa. Revista Brasileira de Ciência Política, n. 13, jan.-abr. 2014)
As concepções de democracia deliberativa e de democracia ativista apresentadas no texto tratam como imprescindíveis, respectivamente: