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Geografia

São Paulo

Maria Júlia Rossetto
Publicado por Maria Júlia Rossetto
Última atualização: 24/5/2019

Introdução

São Paulo é um dos 27 estados do Brasil. Está situado na Região Sudeste e tem por limites os estados de Minas Gerais a Norte e Nordeste, Paraná a Sul, Rio de Janeiro a Leste e Mato Grosso do Sul a Oeste, além do Oceano Atlântico a Sudeste.

É dividido em 645 municípios. Sua área total é de 248 222,362 km², o que equivale a 2,9% da superfície do Brasil. Sua capital é o município de São Paulo e seu atual governador é João Doria.

Legenda: Estado de São Paulo e suas divisões municipais

Segundo o IBGE, São Paulo possui a maior produção industrial do país, com o maior PIB entre todos os estados brasileiros. Em 2016, a economia paulista respondia por cerca de 32,5% do total de riquezas produzidas no país. 

Geologia e relevo

A maior parte do seu território está situado na Bacia Sedimentar do Paraná, que é formada pela Depressão Periférica e pelo Planalto Ocidental Paulista, a maior unidade geomorfológica de São Paulo, ocupando aproximadamente metade do território estadual.  Além disso, também está situado nas cuestas, de formação basáltica.

Já o Cinturão Orogênico do Atlântico abrange o Planalto Atlântico, uma área de transição entre a Bacia Sedimentar Cenozoica e a Bacia Sedimentar do Paraná. O litoral é constituído de planícies costeiras abaixo dos trezentos metros de altitude, que fazem limite com a Serra do Mar.

Em resumo, as unidades de relevo do estado de São Paulo podem ser classificadas como:

  • Planície Litorânea: alguns maciços isolados, como as elevações que dominam a cidade de Santos, que se erguem da planície. Esta é constituída de baixadas fluvio-marinhas recentes.
  • Planalto Atlântico: no sentido Norte-Sul, acompanhando o litoral, é resultado de um complexo serrano de dobramentos e de falhamentos. Essas formações refletem-se nas formações na Serra do Mar, Serra do Paranapiacaba e Serra da Mantiqueira. Outra porção do relevo ocupa a porção Sul-oriental do Planalto Paulista. Sua topografia regular se desdobra em amplo conjunto de colinas, entre as quais promovem vales rasos e largos.
  • Depressão periférica paulista: se estende a Oeste do Planalto Atlântico, na forma de um grande arco. Sua superfície se encontra acima de 200m abaixo do nível geral do Planalto Cristalino e do Planalto Ocidental. Possui rochas sedimentares antigas, paleozoicas, relativamente menos resistentes à erosão que as formações dos planaltos vizinhos. Apresenta relevo uniforme, com amplos e profundos vales, além de planícies aluviais e formas suavizadas, levemente onduladas e constituídas por colinas amplas e médias e morros amplos.
  • Cuestas: forma de relevo que possui um lado com escarpa abrupta e outro com declive suave. Essa diferença de inclinação ocorre porque os agentes externos atuaram sobre rochas com resistências diferentes.
  • Planalto Ocidental Paulista: mais extensa unidade morfológica de São Paulo, o Planalto Ocidental ocupa aproximadamente metade do território do estado, caindo de 700m de altitude a Leste para 300m a Oeste. Possui topografia regular.

Hidrografia

São Paulo possui seu território dividido em 21 bacias hidrográficas, inseridas em três regiões hidrográficas. A maior delas é a do Paraná, em que se destaca o Rio Grande, que nasce em Minas Gerais e separa este de São Paulo ao Norte e, ao se juntar com o Rio Paranaíba, forma o Rio Paraná, que separa São Paulo de Mato Grosso do Sul.

Dois importantes rios paulistas, afluentes do Rio Paraná, são o Paranapanema e o Tietê, maior rio totalmente paulista, que percorre o território estadual de Sudeste a Noroeste.

Legenda: Bacias dos rios Tietê e Paraná

 A região hidrográfica do Atlântico Sudeste compreende, em geral, apenas pequenos rios que descem da Serra do Mar e atravessam a Planície Litorânea em direção ao oceano, como o Rio Paraíba do Sul.

Por último, há a região hidrográfica do Atlântico Sul, localizada no extremo sul de São Paulo, bem próximo à divisa com o estado do Paraná. É formada por rios de pequeno porte que desembocam diretamente no oceano.

Clima

O clima do estado é influenciado por fatores climáticos como a maritimidade, a latitude, a altitude e a continentalidade. Além disso, correntes marítimas e massas de ar desenvolvem características climáticas diferentes em determinados momentos do ano.

Nas áreas serranas do estado existe o clima subtropical nas áreas de maior altitude, como as serras da Mantiqueira e do Mar.

No litoral, o tipo climático é tropical úmido, com precipitações superiores a sessenta milímetros mensais em todos os meses do ano, sem a existência de uma estação seca.

O clima tropical de altitude, predominante no território paulista, mais especificamente na região central do estado, é caracterizado por uma estação chuvosa no verão e outra seca no inverno. Nas demais áreas, há o clima semiúmido.

Vegetação

A maior parte da cobertura vegetal natural do estado de São Paulo é formada pelos biomas Mata Atlântica e Cerrado. O primeiro, com sua típica fauna e flora ricas, cobria 81,8% do território paulista na época da colonização portuguesa e foi bastante devastado, restando hoje apenas 8,3% dos remanescentes originais.

O Cerrado, que já cobriu 12% do território paulista, domina principalmente áreas do Centro-Oeste paulista. Hoje cobre apenas 1% da área do estado.

Legenda: Mapa com a distribuição natural dos biomas brasileiros. Note que o estado de São Paulo naturalmente estava recoberto pela Mata Atlântica e o Cerrado mas, com o avanço da ocupação, do extrativismo, da agricultura, industrialização e urbanização, a cobertura natural está praticamente devastada.

O desenvolvimento do território paulista

capitania de São Paulo ganha peso político durante a época da Independência do Brasil. Em 7 de setembro de 1822, a Independência é proclamada às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo, por Dom Pedro I.

Em 1821 a capitania transforma-se em província. Já em 1853, é criada a província do Paraná, e São Paulo perde território pela última vez, ficando a partir daquela data com seu território atual. Suas divisas atuais foram fixadas em definitivo apenas na década de 1930.

Ciclo do café e República Velha

Após a Independência do Brasil, o cultivo de café ganha força nas terras da região do Vale do Paraíba. O Vale enriquece rapidamente, gerando uma oligarquia rural. Porém, o restante da província continua dependente da cana-de-açúcar e do comércio que vai se estabelecendo na cidade de São Paulo.

Entretanto, a exaustão dos solos do Vale do Paraíba e as crescentes dificuldades impostas ao regime escravocrata levam a uma decadência no cultivo do café a partir de 1860. O Vale vai se esvaziando economicamente, enquanto o cultivo do café migra em direção ao Oeste Paulista.

Aos poucos, o café vai adentrando na região. Em 1870, a penetração da cultura encontra os férteis campos de cultivo de terras roxas do Nordeste paulista, o até então desconhecido quadrilátero compreendido entre a Serra de Botucatu e os rios Paraná, Tietê e Paranapanema, no final do século XIX e início do século XX. 

 

Legenda: Este tipo de latossolo, também conhecido por terra roxa, é um tipo de solo avermelhado muito fértil, caracterizado por ser o resultado de milhões de anos de decomposição de rochas basálticas. Essas rochas, pertencentes à Formação Serra Geral, se originaram de um derrame vulcânico, na Era Mesozóica.

O nome "terra roxa" é um equívoco. Os imigrantes italianos que trabalhavam nas fazendas de café referiam-se ao solo pelo nome terra rossa, já que “rosso” em italiano significa "vermelho". Os brasileiros aportuguesaram o termo italiano, então, para "terra roxa".

Importante ressaltar que a proibição do tráfico negreiro, em 1850, leva a necessidade de busca de nova forma de mão de obra, e a imigração de europeus passa a ser incentivada pelo governo Imperial e provincial.

O enriquecimento provocado pelo café e a constante chegada de imigrantes italianos, portugueses, espanhóis, japoneses e árabes à província, além do desenvolvimento de uma grande rede férrea para o transporte do café, trazem prosperidade a São Paulo.

Legenda: Imigrantes posando para fotografia no pátio central da Hospedaria dos Imigrantes. 1890. 

Industrialização e metropolização

Em 1930, o ciclo do café declina com a Crise de 1929, com o colapso dos preços externos dos grãos e com a Revolução de 1930, que retira os paulistas do poder.

Dois anos depois, em 1932, São Paulo entra na Revolução Constitucionalista, em uma tentativa de retomar o poder perdido, porém é derrotado militarmente. Neste contexto, a crise do café se amplifica e o êxodo rural esvazia o interior do estado. 

No período do Estado Novo, com Ademar de Barros como governador e Prestes Maia como prefeito da cidade de São Paulo, o estado entra em uma nova fase de desenvolvimento, com a construção de grandes obras de infraestrutura.

Porém, a Segunda Guerra Mundial interrompe as importações de produtos e a indústria paulista inicia um processo de substituição de importações, passando a produzir os produtos até então importados.

O processo intensifica-se no governo de Juscelino Kubitschek, que no decorrer da década de 1950 lança as bases da indústria automotiva no ABC paulista.

Nas décadas de 1960 e 1970, o governo estadual promove diversas obras que incentivam a economia do interior do estado, esvaziado desde a crise do café em 1930. Entre elas estão a abertura e duplicação da Via Dutra (BR-116) - que recupera e industrializa o Vale do Paraíba -, a implantação do Aeroporto Internacional de Viracopos, a criação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) a abertura de rodovias como Anhanguera e Bandeirantes, além da Rodovia Washington Luís.

Este processo de recuperação econômica do interior intensifica-se a partir da década de 1980, quando inúmeros problemas urbanos, como violência, poluição e ocupação desordenada começam a ficar cada vez mais presentes na Região Metropolitana de São Paulo.

Entre 1980 e 2000, a grande maioria dos investimentos realizados no estado foi feita fora da capital, que passa de uma metrópole industrial para um polo do setor de serviços.

Demografia

São Paulo é o estado mais populoso do Brasil. De acordo com o censo demográfico de 2010, a população do estado era de 41.262.199 habitantes, correspondendo a 21,6% da população brasileira.

Já a densidade demográfica, de 166,25 habitantes por quilômetro quadrado, é a terceira maior do país. De acordo com este mesmo censo demográfico, 95,94% dos habitantes viviam na zona urbana e apenas 4,06% na zona rural.

Regiões metropolitanas e aglomerações urbanas

A Região Metropolitana de São Paulo, também conhecida como Grande São Paulo, foi instituída em 1973, e é formada por 39 municípios paulistas.

É a região metropolitana mais populosa do Brasil e uma das maiores do mundo, com uma população estimada em aproximadamente 22 milhões de habitantes em 2016, quase metade da população estadual.

Além dela, foram criadas as seguintes regiões metropolitanas:

  • Baixada Santista (1996)
  • Campinas (2000)
  • Vale do Paraíba e Litoral Norte (2012)
  • Sorocaba (2014)

Região Metropolitana de Ribeirão Preto, formada por 34 municípios, é a mais recente, instituída em 2016.

Legenda: Mapa com as regiões metropolitanas do estado de São Paulo

Economia

O Produto Interno Bruto (PIB) de São Paulo é o maior do país. E o estado possui uma economia diversificada.

As indústrias metalúrgicas, sucroalcooleiras, têxtil, automobilística e de aviação; os setores de serviços e financeiro; e o cultivo de laranja, cana-de-açúcar e café formam a base da economia paulistana.

Além disso, o estado oferece boa infraestrutura para investimentos, devido às boas condições de transporte.

Seus principais pólos industriais são:

  • Região Metropolitana de São Paulo: maior pólo de riqueza nacional, a região possui um polo industrial extremamente diversificado, com indústrias de alta tecnologia e indústrias automobilísticas, situadas principalmente na região do ABC paulista. Atualmente, a metrópole está passando por uma transformação econômica, deixando seu forte caráter industrial e passando para o setor de serviços.
  • Vale do Paraíba: possui indústrias do ramo aeroespacial como a Embraer, indústrias automobilísticas nacionais como a Volkswagen, e indústrias de alta tecnologia. Também estão presentes as indústrias de eletroeletrônicos, têxtil e química.
  • Região Metropolitana de Campinas: concentra indústrias de alta tecnologia, principalmente nas cidades de Campinas, Indaiatuba e Hortolândia. A região possui um forte e diversificado pólo industrial, com indústrias automobilísticas, petroquímicas e têxteis, especialmente nas cidades de Americana, Nova Odessa e Santa Bárbara d'Oeste.

Mesorregião de Piracicaba: localizam-se importantes municípios, como Piracicaba, Limeira e Rio Claro. Essa região é caracterizada pela presença de empresas de biotecnologia, cultivo de cana-de-açúcar e produção de biocombustível.


Exercícios

Exercício 1
(FUVEST/2013)

Por muitos anos, as várzeas paulistanas foram uma espécie de quintal geral dos bairros encarapitados nas colinas. Serviram de pastos para os animais das antigas carroças que povoaram as ruas da cidade. Serviram de terreno baldio para o esporte dos humildes, tendo assistido a uma proliferação incrível de campos de futebol. Durante as cheias, tais campos improvisados ficam com o nível das águas até o meio das traves de gol.

(Aziz Ab’Saber, 1956)

Considere a imagem e a citação do geógrafo Aziz Ab’Saber na análise das afirmações abaixo:

  • O processo de verticalização e a impermeabilização dos solos nas proximidades das vias marginais ao rio Tietê aumentam a sua susceptibilidade a enchentes.
  • A retificação de um trecho urbano do rio Tietê e a construção de marginais sobre a várzea do rio potencializaram o problema das enchentes na região.
  • A extinção da Mata Atlântica na região da nascente do rio Tietê, no passado, contribui, até hoje, para agravar o problema com enchentes nas vias marginais.
  • A várzea do rio Tietê é um ambiente susceptível à inundação, pois constitui espaço de ocupação natural do rio durante períodos de cheias.
    Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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