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História do Brasil

Fernando Henrique Cardoso

Maria Clara Cavalcanti
Publicado por Maria Clara Cavalcanti
Última atualização: 13/11/2018

Introdução

Fernando Henrique Cardoso foi presidente do Brasil durante os anos de 1995 e 2002, tempo que comportou seus dois mandatos. Comumente chamado pelas suas iniciais, FHC é também professor universitário, sociólogo, escritor e político. 

Sua atuação política marcou profundamente o Brasil. Além disso, foi o criador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), publicou livros importantes e lecionou em algumas das maiores universidades do país e do mundo, como Stanford, Paris, Cambridge e USP. 

Fernando Henrique Cardoso nasceu em 1931 e ainda por volta de seus 20 anos envolveu-se na carreira acadêmica, graduando-se em Ciências Sociais na Universidade de São Paulo e lecionando no curso de Economia na mesma faculdade, por um convite de Florestan Fernandes, de quem foi assistente a partir de 1955. Em 1961, FHC foi realizar pós-graduação na Universidade de Paris. 

Durante o Regime Militar no Brasil, foi acusado de subversão pelo governo e acabou por se exilar no Chile, onde viveu por três anos. Lá, lecionou na Universidade do Chile, na Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais e no Instituto Latino Americano de Planejamento Econômico e Social. Também neste período, trabalhou na Comissão Econômica para América Latina e Caribe, a CEPAL. Em 1967, mudou-se para França, quando passou a lecionar na Universidade de Paris-Nanterre. 

Sua carreira acadêmica no Brasil foi retomada em 1968, quando retornou à USP. Com a instituição do AI-5, FHC foi aposentado do cargo de professor de forma antecipada e compulsória, o que o levou a dar aulas em outras universidades no mundo. 

Trajetória Política

Fernando Henrique Cardoso ingressou na política no ano de 1978 ao se candidatar pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB) ao cargo de suplente de Franco Montoro. Foi eleito na época com um milhão de votos, e em 1983, com a eleição de Montoro para o governo de São Paulo, FHC assumiu o cargo de senador. Nesse período, tornou-se um dos articuladores do movimento Diretas Já, imprescindível para o fim do Regime Militar no Brasil. 

FHC disputou a prefeitura de São Paulo em 1985, mas perdeu para Jânio Quadros. Em 1986, reelegeu-se como senador. Em 1988, criou o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). 

Entre os anos de 1992 e 1995, o Brasil teve Itamar Franco como Presidente da República. Fernando Henrique Cardoso foi seu Ministro das Relações Exteriores, entre 1992 e 1993, e Ministro da Fazenda, entre 1993 e 1994.

O Plano Real e seu impacto

Como ministro, FHC criou o chamado Plano Real, que se configurava como uma plano gradual de estabilização. A implementação de uma nova moeda, o Real, em substituição aos antigos Cruzeiros, trouxe a diminuição da inflação e ao aumento do consumo. 

O sucesso de sua atuação, principalmente no âmbito econômico com o Plano Real, levou Fernando Henrique Cardoso a ganhar a disputa presidencial em 1994, tornando-se sucessor de Itamar Franco. 

O Governo Fernando Henrique Cardoso

Fernando Henrique Cardoso.Fernando Henrique Cardoso.

Fernando Henrique Cardoso foi presidente do Brasil por dois mandatos: o primeiro entre os anos de 1994 e 1998 e o segundo entre 1998 e 2002. Ambos foram marcados por políticas fortemente neoliberais.

Adequar o Brasil a um projeto neoliberal foi a proposta fundamental do governo Fernando Henrique Cardoso. Para isso, propôs por fim efetivamente às políticas herdadas da Era Vargas, onde havia forte interferência do Estado na economia. 

Seguindo esse raciocínio, nesse período foram privatizadas importantes empresas e houve intensa entrada de capital estrangeiro no país. Dentre essas empresas podemos citar a Embratel, de telecomunicações, a Vale do Rio Doce e a Companhia Siderúrgica Nacional. Por um lado, as privatizações foram fortemente criticadas por transferirem a posse de importantes empresas do país para donos estrangeiros. Por outro, foram responsáveis pelo avanço do processo de modernização no Brasil. 

Esse governo foi criticado e responsabilizado pela precarização do serviço público em prol da redução dos gastos do estado, gerando uma enorme redução do número de empregados nas agências públicas. Além disso, a liberação da contratação de serviços terceirizados tanto na esfera pública quanto na privada desestabilizaram a situação do trabalho no Brasil.

Nesse período, portanto, devido ao aumento dos juros e às políticas de investimentos das importações, inúmeras empresas faliram e a taxa de desemprego aumentou. 

Apesar do cenário instável, a reeleição de Fernando Henrique Cardoso aconteceu em 1998, graças a aprovação do Congresso de uma lei que possibilitou a reeleição para os cargos do Executivo. 

O segundo mandato de FHC foi repleto de entraves econômicos derivados da prática de altos juros, falta de investimentos, etc. A Crise Asiática e a Crise Russa nos anos de 1997 e 1998 também afetaram a estrutura econômica do país, uma vez que as mercadorias brasileiras tiveram seus preços reduzidos nesse contexto.

Os altos níveis de inflação e desemprego fizeram com que o Brasil precisasse realizar novos acordos com o Fundo Monetário Internacional (FMI). 

Nesse mesmo momento, a falta de investimentos e uma profunda estiagem nas hidrelétricas levaram a uma forte crise de energia no ano de 2001

Em suma, pode-se afirmar que apesar dos níveis inflacionários manterem-se baixos em seu mandato, FHC não conseguiu efetivamente diminuir os índices da desigualdade social, e investiu pouco em aspectos sociais fundamentais como a saúde e a educação. 

Nas eleições de 2002, o candidato lançado por seu partido, José Serra, foi vencido pelo candidato do PT (Partido dos Trabalhadores), Luís Inácio Lula da Silva.


Exercícios

Exercício 1
(UFU-MG/2018)

Na década de 1990, durante seu mandato como ministro da fazenda e posteriormente presidente da república em dois pleitos consecutivos até 1º de janeiro de 2003, Fernando Henrique Cardoso implantou uma política que buscava, além da estabilidade econômica, uma maior aproximação do Brasil com o comércio internacional. Para muitos analistas, o alicerce dessa política foi edificado sobre as ideias do neoliberalismo.

Pode ser considerado como uma das estratégias dessa política no Brasil:

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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