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História Geral

A colonização espanhola

Daniel Zem Bernardes
Publicado por Daniel Zem Bernardes
Última atualização: 17/7/2019

Introdução

Representação da conquista do território do México pelos hispânicos. Disponível em:<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Spanish_Colonization_of_Mexico.jpg>

A colonização espanhola foi o processo de dominação (e, por consequência, a colonização) de grande parte do território do continente americano iniciada em 1492, pela coroa espanhola.

Este período se encaixa no contexto das Grandes Navegações, no qual objetivo era chegar às Índias por rotas comerciais alternativas, já que a passagem do mediterrâneo havia sido barrada aos europeus pelo Império Otomano.

Assim, o homem ibérico chega à América pela primeira vez, entrando em contato com as civilizações americanas (destacam-se os maias, astecas e incas) e impondo os seus costumes, cultura e religião, num processo que ficou conhecido como hispanização.

Os nativos, durante a colonização espanhola, foram fortemente reprimidos: tanto pelo uso da violência, quanto pela evangelização de seus costumes. Mas quais foram os motivos que levaram os espanhóis à América? Como era a América antes da chegada dos espanhóis e quais foram as consequências da sua chegada?

Contexto histórico: As grandes navegações

O período das Grandes Navegações se estendeu durante os séculos XV e XVI, e foi marcado por grandes explorações marítimas, principalmente feitas pelas potências ibéricas (Espanha e Portugal), que tiveram dois grandes motivos, discutidos por historiadores: religioso e comercial.

Pode-se dizer que esses motivos têm como origem as Guerras Santas travadas entre cristãos e muçulmanos, que datam desde o século XII. Essas guerras foram marcadas por expedições que ficaram conhecidas como Cruzadas, que culminaram, dentre outras questões, no desenvolvimento de rotas comerciais que ligavam, principalmente, a Europa e o Oriente.

Assim, a Europa se desenvolveu durante o próximo século, expandindo-se territorial e maritimamente até o século XIV, período no qual enfrentou uma grave crise marcada por fome, miséria e epidemias (como a peste negra), que enfraqueceu suas bases.

Devido ao estado de fraqueza decorrente desse período, as perdas no domínio europeu eram evidentes. O Império Otomano passa, então, a exercer grande influência nas passagens marítimas que ligavam o Mediterrâneo ao Oriente, e começa a negar a passagem dos europeus pelo Canal do Mediterrâneo.

Os europeus vão voltando à sua pujança durante o século XV, período no qual ascendem as grandes potências ibéricas: Portugal e Espanha. Assim, começa o período da reconquista de territórios da Península Ibérica ocupados pelos mouros.

Podemos dizer, então, que as Grandes Navegações vão ser motivadas tanto pelo descobrimento de novas rotas comerciais para a Índia, já que o comércio de suas especiarias era muito importante na época, quanto para a descoberta de novas fontes de renda comercial. Uma das necessidades do aumento dessas riquezas era o financiamento da guerra contra o Islã.

Dado esse contexto, em 1492 Cristóvão Colombo chega às Antilhas, dando início à conquista do “Novo Mundo”.

O “Novo Mundo” e a invasão hispânica

Cristóvão Colombo, como dito acima, chegou à América em 1492. Uma América repleta de nativos e sociedades já fortemente estabelecidas com seus costumes, religiões e rivalidades entre si.

As civilizações nativas eram sedentárias e apresentavam altos contingentes populacionais, além de sistemas de produção agrícola e estruturas sociais próprias. As três mais notórias civilizações que resistiram às pressões europeias foram os Maias, os Incas e os Astecas. Esses povos pré-colombianos começaram a ser chamados de índios por conta de um erro, já que Colombo achava que estava nas Índias.

Sobre suas riquezas naturais, a América Hispânica apresentava de sobra. Havia grandes reservas de ouro e prata que eram de fácil acesso, o que chamou muito atenção dos espanhóis.

Com a descoberta das novas terras, o continente foi dividido entre Portugal e Espanha, primeiro pela Bula Inter Coetera, depois pelo Tratado de Tordesilhas, que deixou o território na sua grande maioria sob o controle da Coroa Espanhola.

A chegada do homem europeu no continente americano foi primeiramente vista como uma chegada de um ser divino, e os europeus souberam tirar proveito disso, impondo a sua influência. Contudo, os pré-colombianos passaram, em determinado momento, a resistir às influências espanholas. Assim, a Espanha utilizou-se da violência para dominá-los e escravizá-los, no intuito de conquistar as suas terras, impor os seus costumes e, claro, usufruir de seus bens naturais.

As novas terras descobertas passam, então, a ser vistas como um “novo mundo”, que os espanhóis poderiam moldar da maneira que quisessem. E assim eles fizeram, dando início ao processo da hispanização.

A hispanização e suas consequências

A hispanização se tratou da subjugação dos nativos e das suas culturas, impondo a cultura e a religião espanhola na América. Os espanhóis não mediram esforços para alcançar o seu objetivo final e os povos pré-colombianos não foram receptivos aos seus avanços.

Houve intensos conflitos entre os nativos e os hispânicos, que, mesmo em menor número, eram militarmente muito superiores aos dos índios. Os espanhóis utilizavam armas de fogo, armaduras e cavalos, que disseminavam terror e violência entre os nativos.

Além da superioridade bélica, os espanhóis sabiam das rivalidades entre os povos nativos e utilizavam isso ao seu favor, se aliando com povos rivais para somar forças e derrubar civilizações mais consistentes.

Foi o caso da civilização Inca (situada nos andes), que exercia um forte controle sobre grupos mais fracos, a partir da cobrança de tributos. Assim, os Espanhóis se aliaram aos povos mais fracos para derrubar a forte civilização Inca. O mesmo aconteceu aos Astecas, que ocupavam a região do México.

O alinhamento com os povos que encontravam-se insatisfeitos com o controle das civilizações mais fortes foi uma estratégia crucial para os espanhóis, pois, assim, eles conseguiam compensar o seu baixo número de soldados.

Ao passo que o processo de dominação, imposta por violência, ia se desenvolvendo, mais as terras da América tornavam-se sujas de sangue: estima-se que mais de 30 milhões de índios foram mortos durante o processo de colonização espanhola. 

Grande parte desse número de mortos se deu, também, por conta das doenças que os europeus trouxeram do seu continente (como gripe, varíola e sífilis), que assolou grande parte da população, pois os índios não tinham defesas naturais contra essas doenças. Assim, suas civilizações foram dizimadas e seus povos escravizados.

O processo de hispanização se intensificou na metade do século XVI. Os pré-colombianos já se encontravam muito devastados pelo poder da Coroa Espanhola, e isso favoreceu a intensificação das práticas de evangelização impostas pelos espanhóis nesses povos, que já aconteciam desde 1492.

A exploração de indígenas por grupos de espanhóis que vinham até o continente em busca de novas terras se tornou mais usual. A prática mais conhecida era a encomienda, que se tratava da divisão e entrega de indígenas para o trabalho escravo em obras espanholas, em troca da sua evangelização.

A escravização dos índios era predominante no processo de colonização espanhola, mas depois foi alvo de debate e críticas: pela liderança do frade Bartolomeu de las Casas, surgem defesas aos índios que fazem, posteriormente, com que práticas como a encomienda cheguem ao fim.

A principal consequência da hispanização foi a consolidação das colônias espanholas por todo o território americano. Para isto:

  • As grande civilizações nativas, bem como os seus símbolos políticos, foram apagadas;
  • Cuzco (capital Inca) e Tenochittalán (capital Asteca) foram devastadas, e prédios espanhóis foram erguidos em seus lugares;
  • os povos pŕé-colombianos foram completamente subjugados e englobados nos costumes e na cultura espanhola, ocupando posições marginais na sociedade colonial;
  • a colônia espanhola era de exploração, logo, era empregada a mão de obra escrava indígena em atividades de exploração de recursos, como a mineração;
  • a Coroa Espanhola muito enriqueceu com a exploração das suas colônias americanas.

Mapa que representa o domínio colonial na américa do século XVIII (1750): Os territórios em verde e verde claro são de domínio espanhol; os roxos de domínio português; azul e azul claro, domínio francẽs; vermelho são de domínio britânico; marrom são de domínio russo. Disponível em:<https://en.wikipedia.org/w/index.php?title=File:Colonizationoftheamericas.png>


Exercícios

Exercício 1
(ENEM/2012)

Mas uma coisa ouso afirmar, porque há muitos testemunhos, e é que vi nesta terra de Veragua [Panamá] maiores indícios de ouro nos dois primeiros dias do que na Hispaniola em quatro anos, e que as terras da região não podem ser mais bonitas nem mais bem lavradas. Ali, se quiserem podem mandar extrair à vontade.

Carta de Colombo aos reis da Espanha, juIho de 1503. Apud AMADO, J.; FIGUEIREDO, L. C. Colombo e a América: quinhentos anos depois. São Paulo: Atual, 1991 (adaptado).

O documento permite identificar um interesse econômico espanhol na colonização da América a partir do século XV. A implicação desse interesse na ocupação do espaço americano está indicada na

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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