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História Geral

A unificação alemã

Daniel Zem Bernardes
Publicado por Daniel Zem Bernardes
Última atualização: 30/7/2019

Introdução

Otto Von Bismarck, 1871. Créditos a Bundesarchiv, Bild 183-R68588 / P. Loescher & Petsch / CC-BY-SA 3.0, CC BY-SA 3.0

Ocorrida durante o século XIX, a unificação alemã foi o processo em que levou a consolidação do Estado Alemão em 1871, com a nomeação de Guilherme I da Prússia como seu imperador e Otto Von Bismarck como seu chanceler. Assim, a Alemanha passa a ser um Estado unificado e soberano, diferente de sua antiga divisão: a confederação germânica, que fora estabelecida no Congresso de Viena.

Bismarck foi o grande nome da unificação alemã. Como primeiro-ministro da Prússia, a grande potência dentro da confederação germânica, unificou os Estados germânicos através das suas estratégias diplomáticas.

Suas estratégias também levaram a Prússia a um forte desenvolvimento industrial, superando a Áustria e abrindo margem a uma guerra contra as potências europeias dominantes na época: Áustria e França. Bismarck, então, vai utilizar a guerra como pretexto para consolidar a unificação do Estado alemão, partindo da exploração de um sentimento nacionalista que efervescia entre os germânicos cansados de estarem sob a liderança austríaca, que pouco lhes favorecia.

Vejamos melhor como se deu esse processo iniciado com a dissolução do Sacro Império romano-germânico e com o estabelecimento da Confederação Germânica.

O congresso de Viena e a Confederação Germânica

Desde a alta idade média, o território alemão já era dividido. Era conhecido como Sacro Império romano-germânico, sendo composto por vários outros Estados. Este império teve seu fim em 1804, em meio ao contexto da Revolução Francesa e, por seguinte, da era napoleônica e de suas guerras, a partir da sua conquista do imperador francês.

Com a queda de Napoleão Bonaparte em Waterloo, as guerras napoleônicas chegaram ao seu fim. Como resolução final, foi assinado em Viena um tratado - Tratado de Viena - no qual foram redefinidas as fronteiras dos reinos europeus (já que grande parte do território europeu havia sido conquistada por Napoleão) e suas monarquias foram reinstituídas. 

O Congresso de Viena visava manter o equilíbrio de poder entre as grande forças europeias da época, mas em específico, França e Áustria. Por conta disso, muitos dos mecanismos do tratado tiveram o intuito de minar o desenvolvimento de Estados que ameaçavam este equilíbrio - como os germânicos.

Os Estados germânicos representavam uma ameaça devido à forte posição que se encontrava a Prússia, o mais desenvolvido desses estados. Assim, após o Tratado de Viena, formou-se a Confederação Germânica: 38 Estados governados pelo imperador austríaco (a Áustria fazia parte da confederação).

A Confederação Germânica tinha suas diretrizes políticas e culturais dominadas pela Áustria. A Áustria proibia unidades políticas próprias dentro da Confederação, para assim minar a autonomia desses Estados.

Os únicos Estados que tinham autonomia eram a Áustria e a Prússia. A Áustria por ser a força política da Confederação e, também, por não ter todo o seu território dentro da confederação; a Prússia por não ter todo o seu território dentro da Confederação alemã. É importante destacarmos que a autonomia da Prússia em relação à Confederação não era total, mas tratava-se de uma dependência mais flexível.

A Prússia, junto com a Áustria, era o Estado mais forte dentro da Confederação. O Estado prussiano passa a se desenvolver e a tomar as rédeas do processo de unificação, que toma a sua primeira forma em 1848.

A Revolução de 1848

A Revolução de 1848 foi a primeira tentativa de unificação dos Estados germânicos. Foi impulsionada pelo rápido crescimento industrial prussiano a partir de 1815, somado com a influência da segunda república francesa e da forte presença dos princípios liberais, muito discutidos na Europa na época em questão.

Com o rápido crescimento industrial da Prússia, sua posição econômica e militar se fortalecia. Dentro de seu Estado, surgiam centros urbanos e industriais. Em 1834, o avanço aumentou seu passo com a criação do Zollverein, uma união econômica entre os Estados germânicos, que facilitava as dinâmicas aduaneiras e as transações comerciais.

O Zollverein acelerou ainda mais o desenvolvimento industrial e econômico da Prússia, levando-a a condições que superavam, no sentido industrial e econômico, a posição austríaca. Contudo, a Áustria ainda persistia no domínio cultural e político dentro da Confederação.

A união econômica instituída no Zollverein também trouxe à Confederação Germânica um sentimento de unidade, já que colocava os Estados germânicos sob uma mesma legislação.

A Revolução de 1848 vai surgir neste contexto. Com o aumento do desenvolvimento econômico e industrial da Prússia, que reforçava a sua posição de liderança dentro da Confederação, e com os ideais liberais se fortalecendo na Europa, surge o Parlamento de Frankfurt, que irá promover as eleições que levarão à nomeação do Imperador Alemão.

Vale ressaltar que o Parlamento não tinha participação dos populares, mas também não contava com muita participação dos nobres, sendo idealizado e organizado pela elite intelectual e pela burguesia.

O Parlamento de Frankfurt constata que o caminho com maior probabilidade de sucesso para a unificação seria nomear o Rei da Pŕussia, Guilherme IV, como o imperador da Alemanha. Contudo, Guilherme IV recusa o título e utiliza a força prussiana para abafar os movimentos de unificação.

O Rei prussiano recusou o título por não ter o apoio dos outros monarcas e por temer repressões por parte da Áustria. Acredita-se, também, que outro dos seus motivos seria o poder limitante dos ideais liberais, que diminuiria os seus poderes. 

Os movimentos de unificação só retornaram em 1862, com a vinda de Guilherme I ao trono da Prússia e de Otto Von Bismarck como primeiro ministro.

O processo de unificação da Alemanha

Como dito acima, em 1862, Guilherme I torna-se Rei da Prússia e seu primeiro ministro é Bismarck, que vai arquitetar e liderar os esforços para a unificação do Estado alemão. A posição conquistada pela Prússia nas décadas anteriores será essencial para isso: seu desenvolvimento econômico e industrial não só a elevou no como a maior economia da Confederação, como também a elevou à um nível militar páreo ao da Áustria.

Aproveitando-se dessas condições, Bismarck começa a articular um plano de unificação dos Estados germânicos através de sua forte diplomacia e da união do povo alemão em torno de três confrontos: a Guerra dos Ducados (1864), a Guerra das Sete Semanas (1866) e a Guerra Franco-Prussiana (1870-1871).

A Guerra dos Ducados (1864)

Foi um confronto entre a Prússia e a Dinamarca, no qual a Prússia reivindicou os ducados de Scheleswig e Holstein por terem população majoritariamente alemã. Vale ressaltar que os dinamarqueses obtiveram o controle desses ducados com o Congresso de Viena.

Bismarck prometeu a partilha desses territórios com a Áustria, caso ganhassem.
A Dinamarca foi derrotada rapidamente e os ducados foram reivindicados pela Prússia, contudo, o primeiro-ministro não cumpriu com o prometido, ou seja, não partilhou os novos territórios com a Áustria. Isto causou um atrito entre as duas potências, que levou ao segundo conflito.

A Guerra das Sete Semanas (1866)

Em 1866, a Prússia entrou em guerra contra a Áustria, que não exerceu muita resistência. Após a conquista dos condados, a Prússia assumiu a sua posição hegemônica dentro da Confederação, superando a Áustria militarmente.

Contudo, a Prússia não enfrentou os austríacos sozinha, os Estados germânicos do norte a apoiaram. Assim, os países do norte unificaram-se, criando a Confederação Germânica do Norte após a vitória sobre a Áustria. Isso acabou com a Confederação Germânica, que foi substituída pela Confederação Germânica do Norte.

A Guerra Franco-Prussiana (1870 - 1871)

Para finalizar a unificação alemã, era preciso unificar os países ao sul, que se mantiveram neutros em relação à guerra austro-prussiana. Era necessário outra guerra para unir o povo alemão em torno da unificação.

A França era a principal potência que se opunha ao poder emergente da Prússia. Assim, Bismarck vai aproveitar um atrito diplomático para consolidar um confronto entre Prússia e França: o fato de que um primo de Guilherme II era o indicado para assumir o trono do reino da Espanha, que se encontrava em vacância. Napoleão III foi contra a posse.

Bismarck utilizou-se desse evento para a criação de um confronto contra os franceses, que lhe deu o apoio dos Estados germânicos do sul. Como desfecho, a Prússia derrotou a França em 1871.

Com a vitória prussiana, foi assinado o Tratado de Frankfurt, que deu início ao Segundo Reich e ao reinado de Guilherme II como imperador da Alemanha, concluindo o processo de unificação do Estado alemão. A França foi obrigada a pagar indenizações à Alemanha e entregou os territórios de Alsácia e Lorena ao novo Império.

A unificação alemã, junto com a unificação italiana, levou à quebra do equilíbrio do poder na Europa, que o Tratado de Viena tentou conservar. A partir disso, a Alemanha seguiu seu caminho para uma forte industrialização e ascendência no plano internacional.

Soldados franceses na guerra Franco-Prussiana. 1870. 


Exercícios

Exercício 1
(Mackenzie-SP)

A unificação política da Alemanha (1870-1871) teve como consequências:

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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