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História Geral

A unificação italiana

Daniel Zem Bernardes
Publicado por Daniel Zem Bernardes
Última atualização: 30/7/2019

Introdução

Batalha da Custoza, 1848, travada entre os Italianos e os austríacos. Créditos à Lemmo Rossi Scotti.

A unificação italiana, no século XIX, foi o processo da consolidação do reino Italiano, que até então se encontrava fragmentado em diversos reinos após as Guerras Napoleônicas e o Congresso de Viena.

Os movimentos que resultaram na unificação italiana, sendo o principal deles o risorgimento, foram muito inspirados pelos ideais iluministas e pela Revolução Francesa, que ocorreu no final do século XVIII.

Após guerras travadas com a Áustria, que exercia o controle de grande parte do território italiano, o processo culminou na unificação e na consolidação da Itália, tendo como Rei Vitor Emanuel II.

Mas qual era a situação italiana antes da sua unificação? Quais foram os motivos e os objetivos da unificação? Para entendermos essas questões, é preciso retornar ao início do século XIX, revisitando as Guerras Napoleônica e o seu ponto final: o Congresso de Viena.

As Guerras Napoleônicas e o Congresso de Viena

No fervor dos ideais iluministas, ocorre a Revolução Francesa em 1789, destronando e executando o monarca Luís XIV. Assim, inicia-se a fase da república francesa. O movimento revolucionário francês assustava as demais monarquias europeias, cujos monarcas temiam o mesmo fim: a guilhotina. Iniciam-se, então, alianças para reprimir o avanço republicano pela Europa.

A fim de responder à repressão, a burguesia aposta suas fichas em Napoleão, apoiando-o em um golpe de estado, conhecido como 18 de brumário, que o levaria a assumir as rédeas do governo francês, dando início à era napoleônica e, com ela, as suas guerras.

As Guerras Napoleônicas foram travadas entre 1803 e 1815, e levaram a França ao controle de uma grande porção do território europeu. Por fim, contudo, Napoleão foi derrotado em Waterloo.

Após a queda do Imperador francês, os vencedores da guerra (Reino Unido, Áustria, Prússia e Rússia) assinaram um tratado que redefiniu as fronteiras dos reinos conquistados por Napoleão e restabeleceu suas antigas monarquias: o Congresso de Viena.

O território italiano não foi exceção. Durante o período pré-napoleônico, a Itália era fragmentada em diversos reinos diferentes, que, quando foram conquistados por Napoleão, se tornaram domínio da França. A partir do Congresso de Viena, as antigas fronteiras desses reinos foram restabelecidas, assim como as suas monarquias, mas com algumas diferenciações.

A Itália pós-Congresso de Viena se dividia em 8 Estados: o Reino da Sardenha; o Reino da Lombardia-Veneza; Parma; Luca; Modena; Toscana; e as Duas Sicílias.

Com o tratado, parte dos reinos passam a pertencer a casas espanholas e austríacas, que é o caso de Parma, Luca e das Sicílias, controlados pelos Bourbons (dinastia espanhola); e de Lombardia-Veneza e Modena, controlados pelos Habsburgos (dinastia austríaca).

O caso da Toscana era diferente: chamado de Grão-ducado da Toscana, situada na região central da península, era formada pelos estados pontifícios, ou seja, sob domínio da igreja.

Contudo, mesmo com o término do domínio francês e com a definição das novas fronteiras italianas, as influências francesas eram muito sentidas. Os ideais revolucionários se enraizaram, permaneceram na política italiana e eram muito debatidos. Esses mesmo ideais influenciaram o processo de unificação que estaria por vir.

A unificação italiana

Os ideais de unificação italiana vão começar a surgir por volta de 1830, entre a camada popular proletária da população e a burguesia, em resposta às condições ruins de repressão e de pobreza.

Por conta da forte repressão política estabelecida na Itália, esses assuntos eram discutidos em segredo. Assim, vão surgindo várias sociedades secretas, como é o caso da Carbonária, na qual se reuniam diversas figuras com diferentes ideais, mas com os mesmos objetivos de melhorar as condições socioeconômicas italianas e de constituir uma nação italiana.

Dentre esses grupos, se destacava o republicano-liberal, liderado por Giuseppe Mazzini; o republicano-revolucionário, liderado Giuseppe Garibaldi; e o monarquista, liderado por Camilo Benso, Conde de Cavour.

O Reino da Sardenha também dividia esses ideais, mas sob um viés expansionista de seu próprio Império - logo, mantendo a sua monarquia. Por volta da década de 1840, perdem força os ideais anti-monárquicos e republicanos, dando maior espaço para os monarquistas e liberais. Assim, em 1847, é feita uma aliança entre Sardanha e Piemonte, resultando em um Estado único: Sardanha-Piemonte.

Com a aliança feita, começa um avanço das forças italianas sobre as austríacas, que se transformou na primeira guerra da independência, ocorrida entre 1848 e 1849. A Áustria saí vitoriosa, conseguindo sufocar todas as rebeliões e exércitos revolucionários. O Rei sardo-piemontês abdica o seu trono, e seu herdeiro, Vitor Emanuel II, o ocupa.

Mesmo com a derrota, os movimentos de unificação não cessam, surgindo a Jovem Itália e o Risorgimento, mobilizando toda a itália em ideais de nacionalistas e de unificação.

Em 1850, Vitor Emanuel II já conseguia mobilizar a Itália em torno do ideal de unificação a partir de discursos nacionalistas. Benso se torna seu primeiro-ministro em 1852 e faz um acordo importante com Napoleão III, em 1858: o apoio militar francês em troca dos territórios de Nice e Savoia.

Em 1859, então, se inicia a segunda guerra da independência, na qual as forças de Sardanha-Piemonte e seus aliados conquistam as regiões norte e central da Itália (incluindo os estados pontifícios); e as forças de Garibaldi conquistam o sul.

Assim, a Áustria é derrotada no território italiano, tendo sua dinastia abdicada. O mesmo acontece com a dinastia espanhola de Bourbon. Por fim, em 1861, a Itália é unificada e Vitor Emanuel II é coroado seu Rei.

A partir disso, começam os esforços da elite cultural e da burguesia italiana de fundamentalizar uma identidade nacional, com o objetivo de consolidar uma nação própria, com influência nos ideais franceses: liberdade, igualdade e espírito-cívico.


Exercícios

Exercício 1
(UFRGS/2006)

Dentre as alternativas a seguir, assinale aquela que está correta em relação ao processo de unificação italiana, concluída na segunda metade do século XIX.

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