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História Geral

Maio de 1968

Maria Clara Cavalcanti
Publicado por Maria Clara Cavalcanti
Última atualização: 2/7/2019

Introdução

Maio de 1968 é como ficou conhecido o grupo de protestos, movimentações e manifestações que ocorreram na França entre março e maio de 1968. 

Apesar desse curto recorte temporal, esse movimento foi marcado por forte efervescência social, pautou questões sociais e políticas importantes e provocou transformações nos valores culturais e sociais da época, de forma complexa e extensa. 

Iniciado nas universidade parisienses, suscitado entre os jovens estudantes, o Maio de 1968 se espalhou pelo mundo, e suas consequências alastraram-se pelo tempo. Dessa forma, configurou-se como um período de iminência de ideais revolucionários e expressões contraculturais.

Estudantes da Sorbonne, uma das mais renomadas universidades francesas, durante os protestos de maio de 1968.

Contexto Histórico

O contexto histórico no qual as manifestações de Maio de 1968 estavam inseridas se configurou a partir de muitas tensões. Neste ano, a Guerra do Vietnã (1959-1975, conflito travado entre norte-americanos e norte-vietnamitas) havia alcançado o ápice de violência, e as imagens dos atos impetuosos e ferozes dos combatentes norte-americanos espalharam-se pelo mundo, gerando inúmeras manifestações de repúdio, principalmente nos Estados Unidos e Europa.  

Os estudantes franceses também foram profundamente influenciados pelo acontecimento da Primavera de Praga, movimento que tinha por objetivo combater o autoritarismo soviético. 

Ao mesmo tempo, na América Latina, formavam-se inúmeros grupos de luta armada a fim de destituir as ditaduras militares que assolavam vários países do continente na época. Outros grupos armados formaram-se, também, no continente africano, durante o processo de descolonização

Outro fator importante nesse período foi o fortalecimento das lutas pelos direitos civis da população negra nos Estados Unidos e em outras parte do mundo. Em 1968, seu principal líder, Martin Luther King, foi assassinado a tiros em Memphis (EUA), gerando inúmeros protestos pelo mundo. 

Enquanto isso, na própria França, os principais entraves estavam relacionados às questões de educação e trabalho, uma vez que os estudantes se sentiam extremamente inseguros sobre arrumarem empregos após sua formação superior, e o número de desempregados aumentava cada vez mais no país. 

Como é possível observar, nesse período estavam em disputa e tensão questões relacionadas aos direitos humanos, à democracia, aos espaços de representatividade política e direitos sociais, às tensões raciais etc. 

É importante pontuar que, após a Segunda Guerra Mundial, o número de estudantes que acessavam a universidade aumentou, o que fortaleceu os movimentos estudantis.

Os estudantes franceses acompanhavam e se posicionavam diante de acontecimentos do mundo inteiro e, em maio de 1968, influenciados por essas tensões, iniciaram um dos movimentos mais importantes da História Contemporânea.  

Os movimentos de Maio de 1968

Os primeiros protestos aconteceram em Nanterre, organizados por estudantes da Universidade de Paris. Tinham como objetivo acabar com a divisão dos dormitórios por gênero. Isso é um demonstrativo de como os movimentos de maio de 1968 pretendiam desestabilizar posturas conservadoras arraigadas no cenário social. 

Somaram-se a esses protestos outros grupos universitários e partidos políticos, complexificando e aumentando as pautas em torno dos problemas vividos no país.

Em 2 de maio de 1968, a administração optou por fechar a escola localizada em Nanterre e prometeu a expulsão dos estudantes que participavam da liderança dos protestos. 

Os manifestantes não se deram por satisfeitos, entretanto, e continuaram com os protestos pelos dias que se seguiram, comandados pelo líder estudantil Daniel Cohn-Bendit. A repressão violenta da polícia, ao invés de fazer minguar o movimento, fez com que os trabalhadores e o Partido Comunista Francês se unissem a ele, incorporando com mais forças as pautas relacionados ao trabalho na França na época. Em 13 de maio, declararam uma greve geral. 

Fotografia de Daniel Cohn-Bendit, 1968.

A efervescência do movimento foi tanta que, em 30 de maio, o então presidente da época, Charles de Gaulle, convocou novas eleições para junho. Seus aliados acabaram por vencer essas eleições, sob promessas de aumento salarial e afins, o que fez com que o governo retomasse as rédeas da situação e conseguisse desmobilizar as manifestações. 

Apesar das reivindicações dos movimentos de maio de 1968 não terem sido alcançadas concretamente com a manobra política de Gaulle, sua importância para as artes, cultura e política foi de extrema profundidade.

A rebeldia de uma população tão jovem e a força que manifestações atingiram mudaram para sempre o Ocidente. Foram questões-chave do maio de 1968:

  • uso político do corpo;
  • liberdade de expressão;
  • princípio da “não violência”;
  • preocupações ambientais;
  • liberdade sexual.

Muitos historiadores e pesquisadores consideram que os direitos dos homossexuais e das mulheres, a abertura e democratização de escolas e universidades, transformações morais, entre outras pautas são herança de Maio de 1968. 


Exercícios

Exercício 1
(ENEM/2012)

Observe a imagem abaixo:

Texto do cartaz: "Amor e não guerra". Foto de Jovens em protesto contra a Guerra do Vietnã. Disponível em:  http://goldenyears66to69.blogspot.com. Acesso em: 10 out. 2011.

Nos anos que se seguiram à Segunda Guerra, movimentos como o Maio de 1968 ou a campanha contra a Guerra do Vietnã culminaram no estabelecimento de diferentes formas de participação política. Seus slogans, tais como “Quando penso em revolução quero fazer amor”, se tornaram símbolos da agitação cultural nos anos 1960, cuja inovação relacionava-se: 

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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