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Literatura

Castro Alves

Bianca Ferraz
Publicado por Bianca Ferraz
Última atualização: 9/1/2019

Introdução

Castro Alves, como é mais conhecido Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871), foi um poeta da terceira geração do Romantismo brasileiro. Ele recebeu a alcunha de “poeta dos escravos”, já que, em suas obras, defendia a abolição da escravatura com poemas efusivos e bastante apelativos.

Foi chamado, também, por Machado de Assis, de “poeta republicano”, em vista de ser um dos autores os quais defendiam a República, que viria a ser proclamada em 1889.

Começou a escrever muito jovem, quando tinha por volta de 16 anos de idade, e ainda com 17 produziu alguns versos da obra “Os escravos”, a qual destacou-se como uma das mais importantes de sua produção literária.

Romantismo

Castro Alves é classificado como um autor da terceira geração do Romantismo no Brasil. Essa geração foi chamada, também, de Hugoana e Condoreira.

O primeiro epíteto, Hugoana, refere-se à influência que exerceu o autor francês Victor Hugo. É possível dizer que essa geração corresponde, em terras brasileiras, ao projeto estético que o autor francês idealizou.

Já o segundo, Condoreira, deriva da figura do condor, ave que é símbolo da liberdade. Essa geração representa, portanto, a luta pela liberdade, que pode ser centralizada na postura abolicionista que foi assumida pelos autores da época.

Nos textos de Castro Alves, pode-se encontrar diversas características marcantes como o tom oratório e messiânico, com o intuito de persuadir seus ouvintes e leitores a aderir às ideias defendidas pelo poeta, e o uso de antíteses e hipérboles, figuras de linguagem que acentuavam o caráter apelativo dos poemas.

A obra de Castro Alves pode ser lida toda a partir de um viés político e social. Isso porque, mesmo quando o poeta se aproxima da autobiografia e do intimismo, ele se reconhece como parte de uma sociedade em que a voz do outro aparece como um eco do lamento da voz individual.

Principais obras

Castro Alves teve obras publicadas tanto em poesia quanto no teatro. Abaixo, segue a cronologia das publicações do autor:

  • Espumas Flutuantes, (1870, poesia)
  • A cachoeira de Paulo Afonso, (1876, poesia)
  • Os Escravos (O Navio Negreiro), (1883, poesia)
  • Hinos do Equador, (1921, poesia)
  • Gonzaga ou A Revolução de Minas (1875, teatro)

Vale ressaltar que a obra “Hinos do Equador” foi publicada de forma póstuma, ou seja, após a morte do poeta e, posteriormente, foi incluída no volume de Obras Completas.

“Os Escravos (O Navio Negreiro)”

Nessa obra, estão reunidos os poemas de Castro Alves que representam o auge de sua poesia abolicionista, engajada na luta pela libertação dos escravos. Nesses textos, o poeta procurou aprofundar a análise das implicações que a escravidão e, por consequência, os sofrimentos por ela causados, geravam na vida humana.

Um exemplo disso pode ser visto no trecho a seguir, retirado do poema “O Navio Negreiro”:

“Senhor Deus dos desgraçados!

Dizei-me vós, Senhor Deus!

Se é loucura… se é verdade

Tanto horror perante os céus…

Ó mar! por que não apagas

Co’a esponja de tuas vagas

De teu manto este borrão?…

Astros! noite! tempestades!

Rolai das imensidades!

Varrei os mares, tufão!”

No excerto, pode-se perceber como o autor utilizava recursos estilísticos para dar a seu texto um aspecto mais apelativo. O uso de vocativos, utilizados para clamar a Deus que olhasse para a vida dos negros escravizados, por exemplo, mostra como o poeta conseguia articular em seu poema a dramaticidade necessária para persuadir seus leitores sobre a importância da luta contra a escravidão no país.

Esse objetivo é cumprido de maneira ainda mais eficaz à medida que o eu lírico não recebe resposta ao longo dos versos, o que o leva a continuar chamando por Deus na esperança de que se acabem os sofrimentos a que os escravos estavam submetidos.

Tais recursos contribuíram para que Castro Alves fosse considerado o principal autor da terceira geração do Romantismo brasileiro e, também, um dos maiores poetas da literatura do país.


Exercícios

Exercício 1
(FUC-MT)

Considerando os seguintes itens:

I - Autor da obra Cantos e Fantasias O Estandarte Auriverde.

II - Foi chamado de “o poeta dos escravos” por seus textos contra a escravidão.

III - Autor de Juca Pirama, belo poema de inspiração indianista.

IV - Sua poesia é extremamente egocêntrica e sentimental, exprimindo um pessimismo doentio, uma descrença generalizada, um tédio de vida que impregna tudo de tristeza e desilusão.

V - Seu estilo vibrante e oratório empolgava os ouvintes, popularizando seus poemas de caráter social.

Referências a Castro Alves encontram-se apenas em:

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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