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Literatura

Iracema

Alanis Zambrini
Publicado por Alanis Zambrini
Última atualização: 31/12/2018

Introdução

Iracema é um romance escrito por José de Alencar, publicado em 1865. Faz parte da trilogia indianista do autor, juntamente com “O Guarani” e “Ubirajara”. Pertence à primeira fase do Romantismo.

Em tupi, o termo “iracema” que significa “saída de mel, saída de abelhas”. É, também, um anagrama da palavra América. Na obra, José de Alencar explica que a palavra significa “lábios de mel” em tupi, o que acabou sendo desacreditado por especialistas da língua.

O romance é um dos mais canônicos da literatura brasileira. Além disso, é muito importante por trazer a cultura indígena na formação do Ceará, mostrar ao leitor as maravilhas naturais do Brasil e de seu povo e, ao mesmo tempo, contar uma história de amor entre uma indígena e um homem branco, mostrando a aproximação de ambas as culturas.

Iracema é um livro que pertence a diversos gêneros textuais, entre eles o romance histórico (por contar uma história de origem do Ceará) e poema em prosa (por causa da maneira como é escrito pelo autor).

Resumo

O livro é narrado em terceira pessoa, por um narrador onisciente e onipresente, que conta tudo de modo muito descritivo e poético. O casal protagonista é formado pela índia Iracema e pelo português Martim, que se encontram quando a índia está fazendo sua sesta (repouso após o almoço) e se assusta ao ouvir o estranho, o que lhe faz atirar uma flecha em Martim.

Vendo que o rapaz não reagiu ao ataque e que não tinha más intenções, Iracema o socorre e decide levá-lo para sua tribo, a dos tabajaras.

Chegando lá, Martim é recebido pelo pajé Araquém (pai de Iracema), com quem firma um acordo de defesa da tribo. Em troca de proteção, o pajé oferece ao português uma boa hospedagem e muitas mulheres belas. Porém, Martim não toca em nenhuma mulher, pois só tem olhos para Iracema, a virgem dos lábios de mel.

Em meio a sua estadia, Martim descobre que Iracema detém o segredo de jurema (uma fruta com a qual se faziam rituais muito sagrados), e que por isso ela deveria manter sua virgindade.

Porém, ele passa a se apaixonar cada vez mais pela índia. Ela corresponde ao seu amor, para a grande inveja de Irapuã, guerreiro tabajara que é apaixonado por Iracema e que tenta prejudicar e ferir Martim.

O casal acaba vivendo um romance proibido e, quando Martim precisa partir para uma guerra com outra tribo, Iracema decide ir com ele e levá-lo até o amigo do português, o guerreiro Poti.

Martim resolve fazer uma cabana para ele e Iracema. Lá, descobre que ela ficou grávida e, mesmo com os apelos da índia, de que não queria ser deixada sozinha, o português parte junto com o seu amigo para defender a tribo dos tabajaras, sem se despedir de sua amada.

Após o retorno de Martim, as coisas não são mais o que costumavam ser. Ele sente saudade de Portugal, sua terra natal, enquanto Iracema sente saudade do seu povo, com quem não pode mais viver depois de ter desrespeitado a tradição e fugido com o português, abandonando sua virgindade.

Depois de um tempo, Iracema dá à luz a um menino, que ela nomeia Moacir. Logo após ter o bebê, ela procura por Martim e descobre que ele foi para a guerra novamente, o que a chateia muito.

Iracema recebe a visita de Caubi, seu irmão, que sempre a ajudou e cuidou dela. Ele fica muito feliz em conhecer seu sobrinho. Porém, Caubi nota que a irmã está acabada fisicamente e mentalmente, e que, por tristeza e saudades do amado, acaba não tendo mais leite para amamentar o recém-nascido.

O final de Iracema é triste: a índia acaba morrendo e entregando seu filho aos braços de Martim. A criança é a prova do amor dos dois, filha de uma indígena e um português, tornando-se o primeiro cearense de muitos outros que viriam.

Personagens Principais

  • Iracema: protagonista do romance, é a virgem dos lábios de mel que precisa se manter virgem para seguir a tradição dos tabajaras. Entretanto, se apaixona pelo português Martim. No final, Iracema vive um amor proibido com Martim e foge com ele, ficando grávida e parindo o pequeno Moacir. Acaba morrendo de tristeza e saudade de Martim, já que este sempre partia para guerras.
  • Martim: segundo protagonista do romance, é um explorador português, descrito como muito corajoso e honroso. Acaba se apaixonando por Iracema e engravidando-a, mas por ficar muito tempo longe em guerras, não dá muita atenção à índia, que acaba por morrer.
  • Moacir: filho de Iracema e Martim, é o primeiro cearense do estado, pois é o primeiro filho de uma indígena e um branco.
  • Araquém: pai de Iracema e Caubi, é o pajé dos tabajaras. Fecha um acordo com Martim, hospedando-o em sua tribo e protegendo-o de diversas ameaças.
  • Irapuã: rival de Martim, é um guerreiro tabajara que está apaixonado por Iracema. Tenta prejudicar e ferir o português para eliminá-lo e poder ficar com a moça.
  • Poti: é o melhor amigo de Martim. Ajuda-o com os assuntos de guerra, abandonando sua tribo para ir morar com o casal e ajudá-los.
  • Caubi: irmão de Iracema, ajuda a irmã em diversos momentos. Vai visitá-la para conhecer o filho do casal e percebe a tristeza de Iracema com a ausência de Martim.


Exercícios

Exercício 1
(UFU)

Sobre Iracema, de José de Alencar, podemos dizer que:

  • as cenas de amor carnal entre Iracema e Martim são de tal forma construídas que o leitor as percebe com vivacidade, porque tudo é narrado de forma explícita.
  • em Iracema temos o nascimento lendário do Ceará, a história de amor entre Iracema e Martim e as manifestações de ódio das tribos tabajara e potiguara.
  • Moacir é o filho nascido da união de Iracema e Martim. De maneira simbólica ele representa o homem brasileiro, fruto do índio e do branco.
  • a linguagem do romance Iracema é altamente poética, embora o texto esteja em prosa. Alencar consegue belos efeitos lingüísticos ao abusar de imagens sobre imagens, comparações sobre comparações.
  • Assinale:

    Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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