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Literatura

Jorge de Lima

Bianca Ferraz
Publicado por Bianca Ferraz
Última atualização: 13/1/2019

Introdução

Jorge de Lima (1893-1953) é um poeta e romancista brasileiro pertencente à segunda geração modernista. Além de escritor, Jorge de Lima foi, também, desenhista, ilustrador e escultor, explorando diferentes facetas do fazer artístico.

Sua formação acadêmica é em Medicina. Em seu consultório, no Rio de Janeiro, reuniam-se diferentes intelectuais da época, figurando entre eles Graciliano Ramos e Murilo Mendes. Sua iniciação na Literatura foi marcada, ainda, pela influência da poesia parnasiana, o que lhe rendeu a alcunha de “príncipe dos poetas alagoanos”. Mais tarde, sua poesia adquiriu contornos sociais e tematizou, também, a questão religiosa.

Seu primeiro livro publicado, que recebeu o nome de “XIV alexandrinos”, é formado por sonetos dodecassílabos. Isso mostrou o domínio da metrificação que Jorge de Lima possuía, evidenciando, também, a influência parnasiana do início de sua trajetória literária.

Mais tarde, sua poesia social, em especial a chamada “poesia negra” - vertente em que o poeta busca, em suas memórias de infância, imagens dos engenhos em que trabalhavam os escravos -, foi responsável pela popularização de sua obra.

Modernismo

Em termos de historiografia literária, Jorge de Lima é classificado como um poeta da segunda geração do Modernismo brasileiro. Essa geração foi marcada pela preocupação com temáticas sociais, o que pode ser explicado, também, pelo contexto histórico em que viveu.

A década de 1930, período em que essa geração atingiu seu ápice, foi marcada por muita conturbação, devido, por exemplo, às instabilidades econômicas geradas pela quebra da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929, e, no Brasil, pela Revolução de 1930, culminando no Estado Novo, de Getúlio Vargas.

Em Jorge de Lima, essa preocupação assume dois tons:

  • o da poesia social, em que a questão da vida dos negros que foram escravizados era tematizada;
  • o da poesia religiosa, pautado pelo cristianismo do sertanejo.

Principais obras

Jorge de Lima escreveu obras em prosa e em poesia. Partindo da influência parnasiana até o desenvolvimento de sua poesia social e religiosa, publicou mais de dez obras, entre livros de poesia e romances.

Abaixo, veja a lista com as principais obras do autor alagoano.

Poesia:

  • XIV alexandrinos (1914, obra de estreia de Jorge de Lima)
  • O mundo do menino impossível (1925)
  • Poemas (1927)
  • Tempo e Eternidade (1935, obra escrita em parceria com o escritor Murilo Mendes)
  • Quatro poemas negros (1937)
  • Poemas Negros (1947)
  • Invenção de Orfeu (1952)

Prosa:

  • Salomão e as mulheres (1927)
  • O anjo (1934)
  • Calunga (1935)
  • A mulher obscura (1939)
  • Guerra dentro do beco (1950)

Poemas Negros

O livro “Poemas Negros”, publicado no ano de 1947, é o maior representante da poesia de vertente social, ou ainda, como ficou conhecida, da poesia negra de Jorge de Lima. A temática central da obra é a vida dos africanos trazidos como escravos ao Brasil.

Destaca-se, também, a importância do negro para a formação de um novo ser, marcado pelas origens étnicas diversas, isto é, o brasileiro. Nesse sentido, o livro aborda a influência da cultura africana na cultura brasileira, sem deixar de ressaltar em seus versos a crueldade com que era tratado o negro na sociedade.

O desejo de uma realidade melhor e a esperança na mudança se fazem notar em seus poemas que, ao transparecer o regime de crueldade vivido, mostram a resistência ao sofrimento e a força da poesia diante dessa barreira racial colocada.

Confira um poema que retrata bem esse tipo de poesia:

Maria Diamba

Para não apanhar mais

Falou que sabia fazer bolos

Virou cozinha.

Foi outras coisas para que tinha jeito.

não falou mais.

Viram que sabia fazer tudo,

Até mulecas para a Casa-Grande.

Depois falou só,

Só diante da ventania

Que ainda vem do Sudão;

Falou que queria fugir

Dos senhores e das judiarias deste mundo

Para o sumidouro


Exercícios

Exercício 1
(FEI/2009)

Leia o poema para responder às questões de 1 a 3:

O acendedor de lampiões

Lá vem o acendedor de lampiões da rua!

Este mesmo que vem infatigavelmente,

Parodiar o sol e associar-se à lua

Quando a sombra da noite enegrece o poente!

Um, dois, três lampiões, acende e continua

Outros mais a acender imperturbavelmente,

À medida que a noite aos poucos se acentua

E a palidez da lua apenas se pressente.

Triste ironia atroz que o senso humano irrita: –

Ele que doira a noite e ilumina a cidade,

Talvez não tenha luz na choupana em que habita.

Tanta gente também nos outros insinua

Crenças, religiões, amor, felicidade,

Como este acendedor de lampiões da rua!

A terceira estrofe do poema evidencia:

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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