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Literatura

Raul Pompeia

Bianca Ferraz
Publicado por Bianca Ferraz
Última atualização: 12/3/2019

Introdução

Raul D’Ávila Pompeia (1863-1895) foi um escritor brasileiro da segunda metade do século XIX que recebeu diversas classificações a respeito de sua literatura. Vivendo no período realista, críticos literários se dividem e classificam o autor ora como realista, ora como naturalista.

Tal divisão se deve ao fato de o autor ter se utilizado de características das duas estéticas literárias, além de ter pincelado em suas obras, também, elementos do impressionismo e do expressionismo, vanguardas europeias que influenciariam, de modo intenso, o modernismo do século XX.

A biografia de Raul Pompeia torna-se importante à medida que sua obra mais famosa, o romance intitulado “O Ateneu”, retoma elementos de sua infância, baseando-se em questões autobiográficas para o desenvolvimento da trama.

autor estudou no tradicional Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, e, depois, graduou-se em direito na Faculdade de Direito do Recife, embora tivesse iniciado o curso na Universidade de São Paulo. Foi militante das questões abolicionista e republicana.

Sua carreira nas letras foi iniciada muito cedo, com apenas 17 anos. Em 1880, publicou a novela “Uma Tragédia no Amazonas”, que já apresentava influência de alguns elementos impressionistas. Além disso, essa obra carregava, também, a inquietude que caracterizaria, mais tarde, o autor e sua produção literária.

Ainda muito jovem, aos 32 anos, Raul Pompeia cometeu suicídio.

Uma difícil classificação

historiografia literária costuma classificar os autores, associando-os a determinada escola ou estética literária, de acordo com as características de sua produção. Isso acontece levando em consideração, além do período histórico em que o autor vive, os temas abordados e o estilo utilizado, incluindo o tipo de linguagem, as influências, as referências que se fazem presentes etc.

Nesse sentido, Raul Pompeia se torna um verdadeiro problema para os estudiosos da literatura nacional, que não conseguem chegar a um consenso em relação à classificação da obra do autor: ora é visto como realista, ora como naturalista e, por outros, como realista-naturalista.

Além da dificuldade de classificar a qual vertente da literatura do período pertence a obra de Raul Pompeia, há, também, o fato de que o autor foi influenciado por tendências como o impressionismo, que pode ser percebido na plasticidade com a qual os retratos e os ambientes são construídos em suas obras.

Ao mesmo tempo, há a influência do expressionismo – o extremo oposto do impressionismo –, que se revela no gosto pelo mórbido e na utilização do grotesco para deformar a realidade, chegando-se a efeitos caricaturais.

Tais desafios enfrentados pelos críticos para se referirem à obra de Raul Pompeia demonstram a complexidade da produção literária do autor, que consagrou-se na literatura com o romance “O Ateneu”, cujo subtítulo é “Crônica de Saudades”.

Principais obras

Por ter iniciado sua carreira muito jovem, Raul Pompeia tem obras que foram pouco conhecidas, principalmente por não ter atingido sua maturidade literária nelas. Além disso, parte de sua obra, que foi publicada originalmente em jornais, ainda não foi editada em livro, e, por isso, é pouco conhecida pelos leitores da atualidade.

Veja, a seguir, algumas de suas principais obras:

  • Uma Tragédia no Amazonas, (1880)
  • Canções sem Metro, (1881)
  • O Ateneu, (1888)
  • Microscópicos (contos ainda não editados em livro)
  • As Joias da Coroa (novela publicada na Gazeta de Notícias)

O Ateneu: Crônica de Saudades

O romance “O Ateneu”, publicado em 1888, é considerado a principal obra de Raul Pompeia. O enredo conta a história de Sérgio, alter ego do autor, que passa a frequentar o Ateneu, internato tradicional, no qual se depara com a crueldade, em contraponto à vida que levava em sua casa até então.

A escola, isto é, o Ateneu, simboliza um microcosmo da sociedade, ao passo que apresenta a crueldade do mundo, com suas competições constantes; e mostra os reais interesses (econômicos, sociais, hierárquicos) que permeiam as relações estabelecidas entre as pessoas.

A figura que encarna tal austeridade é a de Aristarco, diretor do colégio, cuja caracterização deformada dá o tom do expressionismo presente na obra.

Nesse sentido, o subtítulo “Crônica de Saudades” é, obviamente, uma ironia do autor, que muito se desgastou e sofreu no período em que passou no Ateneu.


Exercícios

Exercício 1
(PUC-RS)

A mais terrível das instituições do Ateneu não era a famosa justiça de arbítrio, não era ainda a cafua, asilo das trevas e do soluço, sanção das culpas enormes. Era o livro das notas. Todas as manhãs, infalivelmente, perante o colégio em peso, congregado para o primeiro almoço, às oito horas, o diretor aparecia a uma porta, com solenidade tarda das aparições, e abria o memorial das partes.

Em O Ateneu, Raul Pompeia denuncia, como exemplifica o texto, a:

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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