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Literatura

Utopia

Maria Clara Cavalcanti
Publicado por Maria Clara Cavalcanti
Última atualização: 3/6/2019

Introdução

Utopia é uma palavra que foi cunhada pelo romancista, estadista e humanista inglês Thomas More, em 1516. Para criá-la, o autor se inspirou na língua grega, com a junção das palavras “ou” (não) e “topos” (lugar).

Sendo assim, utopia significa “não lugar” ou “lugar nenhum”. E o “não lugar” é, como afirma Marilena Chauí, “o que nada tem em comum com o lugar em que vivemos, a descoberta do absolutamente outro, o encontro com a alteridade absoluta”. 

Legenda: Thomas More, autor de “Utopia”

Essa é a pista para compreender que utopia significa, justamente, um lugar que não existe, uma civilização fantástica, criada, inventada, sonhada, irrealizada etc. É, portanto, uma representação de uma sociedade imaginada que se opõe à que existe realmente. 

O sucesso da obra “Utopia”, de More, fez com que o título se tornasse também todo um gênero literário que possui como temáticas sociedades perfeitas, ideais e felizes.

Dessa forma, apesar de ter sido inventado apenas no século XVI, “utopia” tornou-se o nome dado a obras, discursos e narrativas muito anteriores, uma vez que essas tratavam de civilizações sonhadas por autores. Dentre elas, podemos citar os poemas de Virgílio e Ovídio, e o texto da República, de Platão. 

O livro “Utopia”, de Thomas More

More escreveu “Utopia” em 1515, enquanto defendia, em Flandres, os interesses ingleses diante da proibição holandesa da importação de lã fabricada na Inglaterra. O autor foi um homem com forte influência política, chegando a ser Chanceler do Rei Henrique VIII da Inglaterra.

Leitor da filosofia clássica, More era um humanista, e defendia a promoção de uma educação política para o povo. 

Em seu livro é descrita uma ilha imaginária, onde os cidadãos aproveitam do perfeito funcionamento do governo. Esta ilha é formada por cinquenta e quatro cidades, e estas são organizadas em estruturas familiares comandadas pelo “filarca”, o homem mais velho da família. Todos na ilha se dedicam igualmente ao trabalho, o que garante o sustento e a felicidade dos habitantes.

Legenda: “The Island of Utopia” de Ambrosius Holbein - 1518 

Assuntos como o poder, colonização, economia, guerra, religião e outros estão entre os temas mais tocados durante a narrativa que tem a ilha como assunto principal. 

Essa ilha-reino é a expressão da possibilidade de uma sociedade onde a razão é o principal condutor das decisões e da ordem - e é dada de forma coletiva e não concentrada na mão de um só homem - e toda religião é tolerada.

Dessa forma, More tece uma crítica ao poder absoluto e autoritário dos reis nos Estados europeus, inclusive do próprio Rei da Inglaterra, Henrique VIII. 

Em Utopia, não há propriedade privada, uma vez que o bem comum é uma prioridade que supera o individualismo. O autor aponta, portanto, que a concentração de riquezas nas mãos de poucas pessoas é um dos motivos do caos e da guerra. 

A questão religiosa é também central na obra. Na ilha, todos possuíam liberdade em professar suas respectivas fés. Apenas os que não professavam eram vistos com maus olhos. A fé em Deus é, na narrativa, aquela que garante o exercício da justiça, uma vez que deriva da razão. 

Sendo assim, a obra de Thomas More cria uma sociedade em perfeito funcionamento, contrastando, a todo momento, sua existência a uma realidade social que pretendia criticar. 

Em 1535, More foi condenado de traição pelo então Rei da Inglaterra, Henrique VIII, depois que não apoiou a decisão do rei de abandonar sua esposa, casar-se com outra mulher e fundar uma nova Igreja, a Igreja Anglicana. 

Notas sobre utopia

Em um texto publicado em 2008 na Revista Ciência e Cultura, Marilena Chauí resume bem algumas das principais características da utopia, sendo como gênero literário, conceito ou obra: 

  • a utopia é sempre crítica de uma realidade existente e, para isso, nega todos os aspectos dessa sociedade real: “a utopia é criação de um mundo completo”;
  • é também normativa, uma vez que cria as formas das normas que devem existir no mundo;
  • é uma resposta a uma visão sobre o presente real;
  • por buscar a liberdade e felicidade totais para os indivíduos, pode ser considerada radical;
  • é uma imaginação social;
  • a utopia é revolucionária

Referências

CHAUÍ, Marilena. Notas sobre Utopia. Cienc. Cult. vol.60 no.spe1 São Paulo July 2008

BACZKO, Branislaw. 1978. Lumières de lutopie. Paris: Payot.


Exercícios

Exercício 1
(ENEM/2018)

Em Utopia, tudo é comum a todos. A distribuição dos bens lá não é um problema, não se vê nem pobre nem mendigo e, embora ninguém tenha nada de seu, todos são ricos. Haverá maior riqueza do que levar uma existência alegre e pacífica, livre de ansiedades e sem precisar se preocupar com a subsistência?

(MORUS, T. Utopia. Brasília: UnB, 2004)

Retirado da obra de Thomas Morus, escrita no século XVI, esse trecho influenciou movimentos sociais do século XIX que lutaram para:

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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