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Português

Comparação

Alanis Zambrini
Publicado por Alanis Zambrini
Última atualização: 29/8/2019

Introdução

A comparação (também chamada de símile) é uma figura de linguagem da língua portuguesa, ou seja, ela é muito usada principalmente em textos literários, mas também em diversos outros gêneros textuais. 

Ela tem como função comparar um ou mais elementos (que podem ser pessoas, lugares, animais, objetos, etc) de modo a estabelecer uma relação de semelhança ou diferença e especificar alguma característica desses elementos. Vamos aprender um pouco sobre essa figura de linguagem tão comum na nossa língua e que usamos o tempo todo?

Uma curiosidade é que a palavra “comparação” tem origem no latim comparare, formada por com, que quer dizer “junto”, e parare, que significa “fazer par, colocar lado a lado para observar as diferenças”. Isso nos diz muitas coisas, já que a função da comparação na língua portuguesa é justamente a de colocar duas ou mais coisas lado a lado, observando suas características em comum ou diferentes.

Exemplos de comparação

  • Ela é bela como a luz do sol.
  • O seu coração é como uma pedra de gelo!
  • Ele não é engraçado como a minha namorada, mas eu gosto dele.
  • Eles comiam como brutamontes!
  • Você é como a sua tia! Tão melancólica e sentimental!
  • Os seus olhos são azuis como o céu.
  • “Meu coração tombou na vida/tal qual uma estrela ferida/pela flecha de um caçador” (Cecília Meireles).
  • “Coração na mão como um refrão de um bolero” (Engenheiros do Hawaii).
  • “Era um garoto que como eu/ amava os Beatles e os Rolling Stones” (Engenheiros do Hawaii).
  • Você se parece com o seu pai.

Música "Te ver" do Skank

Na música “Te ver” do Skank temos uma quantidade enorme de comparações. Veja a letra e identifique essas comparações:

Te ver e não te querer

É improvável, é impossível

Te ter e ter que esquecer

É insuportável, é dor incrível

É como mergulhar no rio

E não se molhar

É como não morrer de frio

No gelo polar

É ter o estômago vazio e não almoçar

É ver o céu se abrir no estio

E não se animar

Te ver e não te querer

É improvável, é impossível

Te ter e ter que esquecer

É insuportável, é dor incrível

É como esperar o prato

E não salivar

Sentir apertar o sapato

E não descalçar

É ver alguém feliz de fato

Sem alguém pra amar

É como procurar no mato

Estrela do mar

Te ver e não te querer

É improvável, é impossível

Te ter e ter que esquecer

É insuportável, é dor incrível

É como não sentir calor em Cuiabá

Ou como no Arpoador não ver o mar

É como não morrer de raiva

Com a política

Ignorar que a tarde vai vadiar e mítica

É como ver televisão

E não dormir

Ver um bichano pelo chão

E não sorrir

É como não provar o néctar

de um lindo amor

Depois que o coração detecta

A mais fina flor

Te ver e não te querer

É improvável, é impossível

Te ter e ter que esquecer

É insuportável, é dor incrível

Comparação VS Metáfora

Quando estudamos figuras de linguagem precisamos tomar muito cuidado com a diferença entre comparação e metáfora, pois ambas são muito fáceis de serem confundidas. Tanto uma quanto a outra possuem a mesma função, ou seja, comparar um ou mais elementos de modo a estabelecer uma relação de semelhança ou diferença.

Porém, é importante sabermos que a comparação sempre virá com a conjunção “como” e outros termos comparativos, como “assim como”, “tal como”, “igual a”, “que nem” e verbos como parecer e assemelhar-se,  que fazem uma ponte entre os elementos que estamos comparando. Assim, a comparação apresenta a(s) informação(ões) de modo explícito na frase.

Já na metáfora, essas palavras não são usadas, havendo apenas uma afirmação ou negação,pois a informação está implícita na frase, como nesse exemplo:

Seus olhos são céus estrelados cheios de paixão.

Aqui, temos uma metáfora (pois a frase compara os olhos com os céus e não temos a conjunção “como” ou qualquer outro termo comparativo), sendo diferente da comparação por sem bem implícita.


Exercícios

Exercício 1
(Fuvest/2002)

Antônio. Assim se chamava meu pai, vindo de Piracicaba, cidade do interior de São Paulo. (...) Foi saco de pancada quando pequeno, pois meu avô paterno levava ao exagero a filosofia do “quem dá o pão dá o ensino”. No entanto nunca se referiu de maneira rancorosa a esses castigos, nem achou necessário desforrar-se em mim do tanto que havia apanhado. Quando as coisas não lhe agradavam, preferia gargalhar num jeito muito seu, que lembrava bola de pinguepongue descendo lentamente uma escada. Duas vezes apenas botou de lado esse tipo de reação. (Mário Lago, Na rolança do tempo) 

O autor estabelece uma comparação entre 

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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