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Português

Polissíndeto

Bianca Ferraz
Publicado por Bianca Ferraz
Última atualização: 9/5/2019

Introdução

O polissíndeto é uma dentre as figuras de linguagem existentes na língua portuguesa. Em relação à classificação, o polissíndeto é considerado uma figura de construção, já que aparece no modo como os períodos se constroem.

Nesse sentido, o uso dessa figura de linguagem aparece para conferir uma maior expressividade à linguagem, independente de ser na linguagem oral ou na linguagem escrita.

Ele consiste, basicamente, na repetição deliberada de um elemento (uma conjunção, por exemplo) com o intuito de promover ênfase, intensificação, destaque.

A caracterização dessa figura de linguagem já está presente desde a sua própria nomenclatura. O termo polissíndeto é de origem grega (o termo original é polysýndeton), formado pela junção de poly, que significa muitos, vários, e sýndeo, verbo que significa unir, juntar, ligar. Portanto, o significado desse termo originalmente já diz respeito a diversas ligações/uniões.

Apesar de parecer uma definição bastante simples, é necessário, além de saber que o polissíndeto se constitui a partir do uso repetitivo e excessivo de algumas conjunções entre períodos, por exemplo, lembrar-se de um conceito referente à organização das orações e que diz respeito ao período composto.

Quando um período é composto por coordenação, as orações que o formam podem ser classificadas como sindéticas ou como assindéticas. As orações sindéticas são aquelas cuja conexão é realizada pelo uso de um conectivo (como uma conjunção), enquanto as assindéticas são marcadas pela ausência desse conectivo.

Sabendo disso, é possível, além de entender um dos contextos de uso do polissíndeto, identificar sua figura de linguagem oposta: o assíndeto.

Assim, se o polissíndeto é marcado pelo uso repetitivo de conjunções, o assíndeto representa exatamente o contrário: trata-se de uma figura de linguagem caracterizada pela ausência de conjunções, o que resulta, portanto, no uso de orações coordenadas assindéticas.

Veja, a seguir, a diferença entre frases em que há o uso do polissíndeto e do assíndeto:

  • "Falta-lhe o solo aos pés: recua e corre, vacila grita, luta ensanguenta, rola, tomba, se espedaça, morre." (Olavo Bilac)
  • "Vim, vi, venci." (Júlio César)
  • Na frase I, é possível notar o uso excessivo da conjunção aditiva “e”, visto que ela aparece sete vezes. Essa repetição proposital, a que damos o nome de polissíndeto, pode ter efeitos e objetivos diversos, como, por exemplo, marcar progressão, gradação, intensidade, entre outras possibilidades.

    Já na frase II, as orações existentes são separadas apenas pelo uso de vírgulas, sem a ocorrência de quaisquer conjunções. Dessa forma, tais orações são classificadas como orações coordenadas assindéticas, marcadas pelo assíndeto, isto é, pela não aparição de conjunções entre as orações que compõem o período.

    Exemplos de uso de polissíndeto

    Como dito anteriormente, o uso do polissíndeto pode ter diferentes objetivos, alcançando efeitos diversos de acordo com o contexto. Essa figura de linguagem pode ser utilizada para denotar gradação, intensidade, ênfase, entre outras.

    Veja, abaixo, alguns exemplos de uso de polissíndeto em letras de músicas e também em textos literários de diversos autores:

    • Enquanto os homens exercem seus podres poderes

    índios e padres e bichas, negros e mulheres

    E adolescentes fazem o carnaval

    (Podres poderes – Caetano Veloso)

    • As ondas vão e vem, e vão, e são como o tempo.

    (Sereia – Lulu Santos)

    •  “(…) e os desenrolamentos, e os incêndios, e a fome, e a sede; e dez meses de combates, e cem dias de cancioneiro contínuo; e o esmagamento das ruínas..."

    (Euclides da Cunha)

    • “Vão chegando as burguesinhas pobres

    e as crianças das burguesinhas ricas

    e as mulheres do povo, e as lavadeiras da redondeza.”

    (Manuel Bandeira)

    •  “Canto, e canto o presente, e também o passado e o futuro.”

    (Fernando Pessoa)

    • “Nem glória, nem amores, nem santidade, nem heroísmo.”

    – Otto Lara Resende

    Referências

    BECHARA, Evanildo. Gramática Fácil da Língua Portuguesa – Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2014.

    TERRA, Ernani. Minigramática.São Paulo: Scipione, 2007.

    Vídeos

    “Figuras de Linguagem - Mais Fáceis do que Nunca: POLISSÍNDETO”, Canal “Ulisses Mrf”


    Exercícios

    Exercício 1
    (IFMG 2015)

    O Guardador de Rebanhos

    O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,

    Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia

    Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.

    O Tejo tem grandes navios

    E navega nele ainda,

    Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,

    A memória das naus.

    O Tejo desce de Espanha

    E o Tejo entra no mar em Portugal.

    Toda a gente sabe isso.

    Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia

    E para onde ele vai

    E donde ele vem.

    E por isso, porque pertence a menos gente,

    É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

    Pelo Tejo vai-se para o Mundo.

    Para além do Tejo há a América

    E a fortuna daqueles que a encontram.

    Ninguém nunca pensou no que há para além

    Do rio da minha aldeia.

    O rio da minha aldeia não faz pensar em nada

    Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

    (CAEIRO, Alberto. In: Obra poética. Rio de Janeiro, Aguilar, 1972. p. 215)

    “E para onde ele vai E donde ele vem. E por isso, porque pertence a menos gente, É mais livre e maior o rio de minha aldeia.” 

    Na estrofe transcrita aparece uma figura de construção reconhecida como:

    Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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