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Português

Raiz (Gramática)

Caroline Fazio
Publicado por Caroline Fazio
Última atualização: 20/7/2019

Introdução

raiz é o morfema nuclear de uma palavra, denominada como o elemento básico que expressa sua base significativa, sendo também sua unidade irredutível. Ou seja, não pode ser dividida.  Dessa forma, a raiz é o componente comum a todas as palavras que pertencem a uma mesma família. 

 Vejamos o exemplo a seguir:

  • Do grego = polis

Política

Polícia

Cosmopolita

Ao analisarmos o exemplo acima, podemos perceber qual é o elemento ou a unidade da palavra que se preserva. Por esse mesmo motivo, a raiz conserva o significado lexical que é considerado desde um aspecto etimológico, ou seja, histórico.  

Exemplo: 

Democr ( do grego: DEMOS +  KRATOS ) →democracia; democrático

Reg - (do latim REGULA) → regular; regra; desregrado; reger

Plant  - ( do latim PLANTA) → Plantar; Plantação; Implante

Terr - (do latim TERRA) → Terra; Terrário; Térreo; Terreiro; Desterrar; Enterrar

Para descobrimos a raiz de determinado grupo de palavras, é necessário eliminarmos os afixos, a vogal temática e desinências. O elemento morfológico comum entre todas elas poderá ser a raiz, marcando então sua referência semântica. 

Exemplos:

  • Do latim = ferrum

Ferr - o

Ferr - e -iro

Ferr - ão

Ferr - a -dur -a

Para não confundirmos raiz com radical, é necessário ter em conta que a raiz é o elemento originário da palavra, relacionando-se com a sua significação histórica, ao seu estudo diacrônico

Exemplo: 

Filosofia = do grego: philos (amor) + sophia (sabedoria)

Aluno = do latim: alumnus (discípulo)

Alegria = do latim: alacritas ou alacer (animado, contente)

Amor = do latim: amor, amoris (desejo, afeição)

Por esse motivo, em algumas palavras ou família de palavras, o que vemos não é a raiz e sim o radical, que também funciona como elemento significativo, mas que não carrega o aspecto histórico. dessa forma, o radical relaciona-se com o aspecto sincrônico.

Exemplo:

  • Do latim = actio 

Ator

ão

Acionar

  • Do latim = Aqua 

Raiz = aqu

Radical = agu

Atenção: Existem grupos de palavras em que raiz e radical se coincidem, ou seja, são os mesmos. 

Exemplo:

Amigo

corpo

Morte

Aprofundamento

Ao estudarmos sobre a raiz de uma palavra, devemos compreender ao que ela se refere gramaticalmente, assim, devemos levar em conta que:

  • Morfologia (morfo = forma / logia = estudo) é a parte que estuda tanto a estrutura, como a formação das palavras. Dessa maneira, quando estudamos sobre raiz, estamos analisando um campo específico da linguística;
  • Se estamos falando de estrutura, logo estamos nos remetendo aos morfemas, que são as unidades mínimas de significação que formam uma palavra;
  • Temos então que uma palavra é constituída de morfemas. Estas unidades possuem distintas funções na estruturação de uma palavra;
  • A raiz, como já mencionado, é um morfema. Porém, ela é considerada um morfema nuclear, pois é a base de significação das palavras. Podemos perceber que em uma família de palavras, ou seja, cognatos, existem semelhanças na estruturação. Isso ocorre porque compartem uma mesma base significativa, ainda que existam mudanças nos radicais de algumas delas.

Exemplo:

Noc = do latim: causar dano

Nocivo, nocividade, inocentar

  • Raiz e radical não significam a mesma coisa, ainda que possam coincidir. A raiz é um elemento irredutível de uma palavra, já o radical não.  Além disso, o radical é a unidade que se repete em quase todas as palavras de mesmo cognato, pois não tem haver com o estudo diacrônico (histórico) e sim, sincrônico (independente da raiz histórica).

Abaixo temos um esquema que nos diferencia de maneira evidente a diferença entre outros tipos de morfemas e o que chamamos de raiz, ou morfema nuclear:

Ao sabermos a função da raiz em uma palavra, podemos então fazer diferenciações de outras unidades morfológicas de uma palavra e analisar as estruturas morfológicas que constituem palavras.


Exercícios

Exercício 1
(UFPA - adaptada)

 Leia o trecho abaixo retirado do poema “Os sapos”, de Manuel Bandeira:

Vede como primo

Em comer os hiatos! 

Que arte! E nunca rimo 

Os termos cognatos.

Nessa estrofe, o poeta diz que nunca rima os termos cognatos. Para a gramática normativa, o que são termos cognatos?

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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