Índice
Introdução
O travessão (—) é um sinal de pontuação versátil que marca mudanças de foco, apartes, intervenções do narrador e falas em diálogo.
Ele se diferencia do hífen (-), usado para ligar palavras (bem-estar), da meia-risca/en dash (–), usada para intervalos (1998–2002), e do sinal de menos (−), próprio de matemática.
Dominar o travessão melhora a clareza do texto, ajusta a entonação e evita ambiguidades — especialmente em narrações com fala e em períodos com incisos/apostos (note como foi utilizado nesta oração).
Aqui você verá quando optar travessão, vírgulas ou parênteses, como formatar falas corretamente e como digitar o sinal em diferentes sistemas.
Ao final, há, ainda, exemplos resolvidos, exercícios com gabarito, glossário e um resumo de revisão para fixar o essencial.

O que é o travessão e como se diferencia de outros sinais
O travessão (—) é um sinal longo, de valor sintático-prosódico: altera a entonação e marca quebras ou intervenções no fluxo da frase.
Já o hífen (-) é curto e morfossintático: liga elementos (ex.: guarda-chuva, micro-ondas) ou separa em fim de linha.
A meia-risca/en dash (–) aparece, principalmente, em intervalos (p. ex., “págs. 12–18”) e relações (Rio–São Paulo), e o sinal de menos (−) é um símbolo matemático.
Em tipografia editorial, a escolha entre travessão, vírgula ou parênteses depende do grau de ênfase desejado e do ritmo da leitura.
Quando usar cada um?
- Travessão (—): ênfase, quebra de foco, intervenção do narrador, fala em diálogo.
- Hífen (-): composição de palavras, prefixação, topônimos compostos.
- En dash (–): intervalos numéricos, trajetos (SP–RJ), relações “de… a…”.
- Menos (−): operações e expressões matemáticas.
Usos principais do travessão
O travessão serve para isolar incisos/apostos, marcar mudanças de entonação, organizar diálogos, introduzir intervenções do narrador, conduzir enumerações explicativas e enfatizar um termo ou conclusão.
A regra prática é perguntar: quero dar mais voz/pausa a esse trecho do que a vírgulas dariam? Se sim, o travessão pode ser preferível.
Incisos/apostos com ênfase
Use dois travessões para abrir e fechar um aposto adicional.
- Ex.: A professora — exigente, mas justa — devolveu as provas comentadas.
Mudança de foco/entonação
Introduz virada de raciocínio ou conclusão enfática.
- Ex.: Ele tentou, explicou, insistiu — nada resolveu.
Diálogos
Cada fala inicia com travessão; verbos dicendi (disse, perguntou, respondeu) podem vir após a fala, entre travessões, ou antes:
- Ex.:
— Vamos? — perguntou Ana.
— Agora não — respondeu Bruno —, ainda falta estudar.
Ana disse: — Concordo.
Intervenção do narrador
O narrador comenta dentro da fala, entre dois travessões.
- Ex.: — Eu iria — confessou, hesitante —, mas tenho receio.
Enumerações explicativas e ênfase
- Ex.: Precisamos de três frentes — planejamento, execução e revisão — para melhorar.
Regras de espaço e consistência tipográfica
No início de fala, usa-se travessão + espaço, Exemplo: "— Eu iria"
Dentro da frase, o uso varia por estilo. Em materiais escolares e redações, recomenda-se espaço antes e depois do travessão quando ele isola incisos/apostos (ex: professora — exigente — devolveu).
Evite colar o travessão às palavras. O importante é ser consistente no texto inteiro.
Como digitar o travessão (—) no seu dispositivo?
- Windows (qualquer editor): Alt + 0151 (no teclado numérico)
- Microsoft Word (Windows):
- Ctrl + Alt + Num
- Ctrl + Num
- Preferências também podem substituir “--” por — automaticamente.
- macOS: Option + Shift + - ; Option + -
- Linux (Compose Key): Compose + - + - + - ; Compose + - + -
- Google Docs: Inserir → Caracteres especiais → procurar “em dash”; ou ativar substituição de “--” por — nas Preferências.
- Celular (iOS/Android): toque longo no hífen (-) no teclado → selecione — ou – (em Gboard/SWIFTKey).
Travessão × vírgulas × parênteses: qual escolher?
- Travessão: quando você precisa destacar e marcar pausa forte sem sair do fluxo.
- Vírgulas: pausa fraca/moderada, leitura contínua; melhor em textos informativos objetivos.
- Parênteses: informação acessória e bem lateral, quase “sussurrada”.
Para memorizar:
- Se o adendo é curto e pouco ênfase → vírgulas.
- Se é médio e pede ênfase → travessões.
- Se é longo/explicativo demais → parênteses ou reescreva.
Erros comuns (e correções)
- Trocar — por - (ex: — Vamos? (certo) vs - Vamos? (errado)).
- Sem espaços ao isolar incisos: use “ — ” com espaços ao redor, de modo consistente.
- Exagerar nos travessões: se tudo tem ênfase, nada tem; revise com vírgulas.
- Usar en dash (–) em vez de —
Exemplos práticos
Exemplo 1 — Inciso/aposto com ênfase
Frase original: A prova, difícil para muitos, foi corrigida.
Com travessões: A prova — difícil para muitos — foi corrigida.
Por quê? A pausa ficou mais marcada que com vírgulas; foco em “difícil para muitos”.
Exemplo 2 — Mudança de foco/conclusão enfática
Frase base: Ele tentou de tudo. Não adiantou.
Com travessão: Ele tentou de tudo — não adiantou.
Por quê? O travessão quebra e enfatiza a conclusão.
Exemplo 3 — Intervenção do narrador em diálogo
Versão sem narrador:
— Vou estudar agora.
Com narrador e hesitação:
— Vou — disse, hesitante — estudar agora.
Por quê? Dois travessões abrem/fecham a intervenção.
Exemplo 4 — Diálogo com verbo dicendi
— Você vem? — perguntou Rita.
— Talvez mais tarde — respondeu Paulo —, quando terminar aqui.
Por quê? O verbo dicendi pode vir após a fala (e entre travessões).
Travessão: o que fica de aprendizado?
Dominar o travessão (—) melhora ritmo, ênfase e clareza. Em diálogos, ele organiza as falas; em texto corrido, destaca incisos e conclusões.
Diferencie-o do hífen (-), da meia-risca (–) e do menos (−), e mantenha consistência de espaços.
Para provas e redações, aplique a heurística: vírgulas para pausa leve, travessão para ênfase controlada, parênteses para informação lateral.
Com prática e revisão, seu texto ganha precisão, fluidez e estilo
Exercício de fixação
Exercícios sobre Travessão para vestibular
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Qual é a principal função do travessão em um texto narrativo com diálogos?