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Português

Verbos reflexivos

Bianca Ferraz
Publicado por Bianca Ferraz
Última atualização: 5/5/2019

Introdução

A classe dos verbos é uma das dez classes que palavras que compõem a língua portuguesa. Essa classe corresponde a palavras que indicam acontecimentos – ações que acontecem em determinado tempo, por exemplo –, um estado, um processo etc.

Os verbos são extremamente importantes, pois é a partir deles que se organizam as orações e os períodos, por exemplo.

Dentro da classe dos verbos, há divisões que os separam em diferentes tipos, de acordo com suas funções. Uma dessas divisões diz respeito aos verbos reflexivos.

Geralmente, um verbo indica uma ação que parte de seu sujeito e tem como alvo seus objetos, no caso, por exemplo, dos verbos transitivos. Veja um exemplo:

Maria comprou um carro.

O sujeito do verbo é “Maria”. Maria é o agente responsável pela ação verbal “comprou”, e essa ação se direciona ao objeto direto “um carro”.

Os verbos reflexivos, por sua vez, são os verbos em que a ação não somente é praticada pelo sujeito bem como se reflete nele próprio. Veja um caso em que isso acontece:

João viu-se no espelho.

Na frase acima, o sujeito verbal, “João”, é agente e receptor da ação designada pela forma verbal “viu-se”. Nesse caso, como há coincidência entre o agente e o alvo da ação, diz-se que se trata de um verbo reflexivo.

A seguir, discutiremos como se forma a conjugação de um verbo reflexivo.

Conjugação de verbos reflexivos

Os verbos reflexivos são caracterizados por serem acompanhados de um pronome reflexivo (se, si e consigo) ou pronomes oblíquos que assumem essa mesma função (me, te, se, nos e vos).

Abaixo, veja um exemplo de como conjugar um verbo reflexivo em alguns tempos do modo indicativo:

Verbo: Pentear

 PresentePretérito perfeitoPretérito imperfeito
Eupenteio-mepenteei-mepenteava-me
Tupenteias-tepenteaste-tepenteavas-te
Elepenteia-sepenteou-sepenteava-se
Nóspenteamo-nospenteámo-nospenteávamo-nos
Vóspenteais-vospenteastes-vospenteáveis-vos
Elespenteiam-sepentearam-sepenteavam-se

Lista de verbos reflexivos

  • ferir-se;
  • cortar-se;
  • pentear-se;
  • vestir-se;
  • barbear-se;
  • pintar-se;
  • sentar-se;
  • levantar-se;
  • deitar-se;
  • encostar-se;
  • olhar-se;
  • pôr-se;
  • intrometer-se;
  • preocupar-se;
  • emendar-se;
  • arrepender-se;

Alguns exemplos de uso

Veja algumas frases em que são utilizados verbos reflexivos:

  • Ele barbeou-se de manhã.
  • Ela vestiu-se rapidamente.
  • As crianças sentaram-se à mesa.
  • Maria intrometeu-se no assunto da amiga.

Diferença entre verbo reflexivo e verbo pronominal

Uma confusão bastante comum e fácil de acontecer é a que envolve verbos reflexivos e verbos pronominais. Isso acontece porque esses dois tipos de verbos possuem uma forma bastante semelhante, visto que, ao serem aplicados em frases, aparecem junto de um pronome.

Como diferenciar, então, quando se está diante de um verbo reflexivo ou de um verbo pronominal?

Para fazer essa diferenciação, é necessário atentar-se como o verbo se estrutura. O verbo pronominal é aquele que é obrigado a aparecer junto com um pronome, portanto, sua forma principal já apresenta esse pronome. Um exemplo disso é o verbo “queixar-se”. Veja sua aplicação:

Pedro queixou-se de dor de cabeça.

Nesse caso, o uso do pronome “se” se dá por uma exigência do verbo. Por conta disso, pode-se afirmar que se trata de um verbo pronominal.

Para entender melhor, analise o caso do verbo “ferir”:

  • Frase I: “Ele feriu-se com uma tesoura.”
  • Frase II: “A criança feriu a irmã mais nova durante a brincadeira.”

No caso da frase I, o pronome “se” equivale a “a si mesmo”.

Já na frase II, perceba que ferir é acompanhado do complemento “a irmã mais nova”, que faz papel de objeto direto e substitui, portanto, o pronome oblíquo que apareceu na frase I.

Assim, é possível evidenciar que o verbo ferir não é um verbo pronominal, pois o pronome aparece somente com o sentido reflexivo e não como um componente obrigatório do verbo, assim como acontece com o exemplo anterior, “queixar-se”.

Referências

BECHARA, Evanildo. Gramática Fácil da Língua Portuguesa – Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2014.

TERRA, Ernani. Minigramática.São Paulo: Scipione, 2007.


Exercícios

Exercício 1
(CEPERJ/2015)

COMO LER NAS “ENTRELINHAS”?

As conhecidas “entrelinhas” são uma boa metáfora visual para aquilo que poderíamos designar, de maneira mais apropriada, como o “não-dito” de um texto. Entre uma linha e outra não há supostamente nada exceto o branco da página, da mesma maneira que o não-dito obviamente não foi escrito, logo, não pode ser lido.

Entretanto, lembremos que a linguagem humana é simultaneamente pletórica e insu?ciente: sempre se diz mais e menos do que se queria dizer. Até mesmo um texto prosaico e informativo esconde algumas informações e sugere outras, que se nos revelam se soubermos ler... nas entrelinhas. Ora, um texto de ficção amplia conscientemente o espaço das suas entrelinhas, justamente para poder tanto esconder quanto sugerir mais informações. Desse modo, ele desafia o seu leitor a decifrá-lo, vale dizer, a escavar as suas entrelinhas.

Nos dois parágrafos acima, por exemplo.

O que se encontra nas entrelinhas? 

O que eu não disse? 

O que estou escondendo?

Quando digo que “um texto de ficção amplia conscientemente o espaço das suas entrelinhas” e “desafia o seu leitor a decifrá-lo”, vejo-me escondendo nada menos do que o próprio autor do texto, porque empresto consciência e vontade a uma coisa, isto é, a um texto. Se o meu leitor percebe que fiz isto, ou seja, se o meu leitor lê nas entrelinhas do meu texto, ele pode me interpretar ou de um modo conservador ou de um modo mais ousado.

O meu leitor conservador pode entender que apenas recorri a uma metonímia elegante, dizendo “texto” no lugar de “autor do texto” por economia de palavras e para dar estilo ao que escrevo. O meu leitor ousado já pode especular que sobreponho o texto ao seu autor para sugerir que a própria escrita modifica quem escreve, e o faz no momento mesmo do gesto de escrever.

Ambas as interpretações me parecem válidas, embora eu goste mais da segunda. Talvez haja outras leituras igualmente válidas, embora nem tudo se possa enfiar impunemente nas entrelinhas alheias. Em todo caso, creio que achei um bom exemplo de leitura de entrelinhas no próprio texto que fala das entrelinhas...

Se posso ler nas entrelinhas de textos teóricos ou informativos como este que vos fala, o que não dizer de textos de ficção? Este meu texto não se quer propositalmente ambíguo ou plurissignificativo, mas o acaba sendo de algum modo, por força das condições internas de toda a linguagem, o que abre espaço para suas entrelinhas, isto é, para seus não-ditos.

Um texto de ficção, entretanto, já se quer ambíguo e plurissignificativo, assumindo orgulhosamente suas entrelinhas. Estas entrelinhas são maiores ou menores, mais ou menos carregadas de sentido, dependendo, é claro, do texto que contornam. Textos menores e mais densos, por exemplo, tendem a conter entrelinhas às vezes maiores do que eles mesmos.

É o caso do menor conto do mundo, do hondurenho Augusto Monterroso, intitulado “O Dinossauro”. O conto tem apenas sete palavras e cabe em apenas uma linha: “quando acordou, o dinossauro ainda estava ali”.

As entrelinhas cercam este conto, provocando muitas perguntas, como, por exemplo:

1. Quem acordou? 

2. Quem fala? 

3. Onde é ali? 

4. O dinossauro ainda estava ali porque também se encontrava lá antes de a tal pessoa dormir, ou porque ela sonhara com o dinossauro e ele saiu do sonho para a sua realidade?

5. O dinossauro que ainda estava ali é o animal extinto ou um símbolo?

6. Se for o animal extinto e supondo que o conto se passa na nossa época, como ele chegou ali?

7. Se não se passa na nossa época, então em que época se passa a história? 

8.Se, todavia, o dinossauro é um símbolo, o que simboliza?

Na verdade, as entrelinhas contêm as perguntas que um texto nos sugere, muito mais do que as respostas que ele porventura esconde. A nossa habilidade de ler nas entrelinhas se desenvolve junto com a nossa habilidade de seguir as sugestões do texto e de formular perguntas a respeito dele e mesmo contra ele, para explorá-las sem necessariamente respondê-las de uma vez para sempre. 

Gustavo Bernardo (Adaptado de: revista.vestibular.uerj.br/coluna/)

A palavra “se" expressa valor reflexivo em:

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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