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Sociologia

Cultura Digital

Natália Cruz
Publicado por Natália Cruz
Última atualização: 5/1/2020

Introdução

No campo da sociologia e das Ciências Humanas, em geral, o conceito de cultura digital ainda não está completamente definido. Pelo fato da cultura digital estar diretamente ligada à cibercultura e às recentes e intensas mudanças tecnológicas e de acesso aos meios de informação digitais, os pesquisadores do campo das Ciências Humanas estão ainda desenvolvendo pesquisas sobre a melhor definição para o que seria ou o que poderia ser considerado como cultura digital.

Com a falta de uma definição oficial e aceita pela maior parte dos pesquisadores, tem- se utilizado uma definição prévia que determina a cultura digital como sendo a cultura que nasceu e desenvolveu-se em meio à evolução das tecnologias digitais, do ciberespaço, da cultura de acesso à internet e da integração da realidade com o mundo virtual.

Como já explicitado, não há ainda um consenso entre todos os pesquisadores da área das humanidades sobre uma única definição do conceito de cultura digital. No entanto, há consenso entre os pesquisadores quanto ao crescente acesso aos meios digitais, principalmente pelos indivíduos que não nasceram imersos no mundo dominado pelas tecnologias, os chamados migrantes digitais. É consenso, também, que os jovens - os nativos digitais - tornaram-se cada vez mais protagonistas nos processos de educação, produção e consumo de informações.

Indivíduos e meios digitais

A definição de Manuel Castells 

O sociólogo espanhol Manuel Castells, estudioso das sociedades em rede, principalmente na pós-modernidade, publicou em 2016, na revista espanhola Telos, seis tópicos sobre o que seria a cultura digital. Os tópicos definidos por Castells são:

  • 1- Habilidade para comunicar ou mesclar qualquer produto baseado em uma linguagem comum digital;
  • 2- Habilidade para comunicar desde o local até o global em tempo real e vice-versa, para poder diluir o processo de interação;
  • 3- Existência de múltiplas modalidades de comunicação;
  • 4- Interconexão de todas as redes digitalizadas de bases de dados ou a realização do sonho do hipertexto com o sistema de armazenamento e recuperação de dados, batizado como Xanadú, em 1965;
  • 5- Capacidade de reconfigurar todas as configurações, criando um novo sentido nas diferentes camadas dos processo de comunicação;
  • 6- Constituição gradual da mente coletiva pelo trabalho em rede, mediante um conjunto de cérebros sem limite algum. Neste ponto, refero-se às conexões entre cérebros em rede e a mente coletiva.

Embora o termo não esteja completamente definido, Castells define pontos imprescindíveis na delimitação do conceito de cultura digital e que, de alguma forma, poderão servir como pontos norteadores para que seja possível definir o conceito.

Cultura Digital e educação escolar

Em 2017, com a homologação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a inserção da cultura digital nos ambientes escolares ganhou mais espaço. No texto da proposta de 2017, a presença da cultura digital nos ambientes escolares é apresentada da seguinte maneira:

“Contempla a cultura digital, diferentes linguagens e diferentes letramentos, desde aqueles basicamente lineares, com baixo nível de hipertextualidade, até aqueles que envolvem a hipermídia”. (Brasil, 2017)

A presença da cultura digital em ambiente escolar significa que ao longo dos próximos anos, as escolas e profissionais da educação devem tentar aproximar as ferramentas que dão acesso à cultura digital - como os computadores, tablets e celulares -, as mídias e plataformas digitais e os alunos, fortalecendo as relações pessoais entre os estudantes e as ferramentas de aprendizagem.

A aproximação entre os meios, o fortalecimento do letramento digital e o uso de softwares, programas e jogos livres voltados para a educação, como o Kanagrama ou o Dr. Geo, respectivamente softwares para uso em português e matemática, podem colaborar para que os alunos, tanto migrantes quanto nativos digitais, tornem-se protagonistas de seu próprio aprendizado.


Exercícios

Exercício 1
(ENEM/2017)

“Mas assim que penetramos no universo da web, descobrimos que ele constitui não apenas um imenso ‘território’ em expansão acelerada, mas que também oferece inúmeros ‘mapas’, filtros, seleções para ajudar o navegante a orientar-se. O melhor guia para a web é a própria web. Ainda que seja preciso ter a paciência de explorá-la. Ainda que seja preciso arriscar-se a ficar perdido, aceitar ‘a perda de tempo’ para familiarizar-se com esta terra estranha. Talvez seja preciso ceder por um instante a seu aspecto lúdico para descobrir, no desvio de um link, os sites que mais se aproximam de nossos interesses profissionais ou de nossas paixões e que poderão, portanto, alimentar da melhor maneira possível nossa jornada pessoal”. (LÉVY, P. Cíbercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.)

O usuário iniciante sente-se não raramente desorientado no oceano de informações e possibilidades disponíveis na rede mundial de computadores. Nesse sentido, Pierre Lévy destaca como um dos principais aspectos da internet o(a)

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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