Em sua rotina, os pais, Camila Saint Martin e Darlan Oliveira, procuram oferecer suporte sem aumentar a pressão.
Quando percebem sinais de cansaço, por exemplo, a orientação é fazer uma pausa. A postura busca priorizar o autocuidado e o equilíbrio entre estudo e descanso, em vez de estimular uma rotina baseada apenas em mais horas de preparação.
A experiência da família representa um desafio comum entre vestibulandos e seus responsáveis: como participar da preparação sem aumentar a tensão de um período que já envolve expectativas, inseguranças e preocupação com o futuro.
Segundo o psicoterapeuta Leo Fraiman, o apoio da família pode contribuir para o desempenho do estudante, mas não deve se transformar em controle excessivo. Uma das alternativas é estabelecer, em conjunto, como será esse acompanhamento.
A ideia é preservar momentos destinados ao estudo, lazer e descanso, além de respeitar a privacidade do jovem.
Cobrança excessiva pode aumentar a ansiedade
A pressão familiar nem sempre aparece na forma de cobranças diretas. Perguntar constantemente sobre os estudos ou transformar o vestibular no principal assunto da casa também pode gerar tensão.
Darlan, pai de Ana Júlia, considera importante respeitar os momentos em que a filha não está estudando. Isso inclui evitar conversas recorrentes sobre provas, desempenho ou temas de redação durante os períodos de descanso.
Para Camila, mãe da estudante, estar presente também significa identificar quando a filha precisa conversar e quando precisa apenas de espaço.
O professor Lucas Vieira, gerente pedagógico do Elite Rede de Ensino, também chama a atenção para o excesso de controle.
Acompanhar cada hora da rotina ou tratar atividades de lazer como sinal de falta de comprometimento pode fazer com que o estudante desenvolva sentimento de culpa ao descansar.
Por isso, passeios, encontros com familiares e outras atividades fora dos estudos podem fazer parte da preparação. Além de proporcionar descanso, esses momentos ajudam o jovem a retomar as atividades com mais disposição.