
Descarte de medicamentos: o que dizem a Anvisa e a lei
| 20/10/26Entenda o papel da Anvisa e do Decreto 10.388/2020 no descarte de medicamentos, onde entregar remédios vencidos e o que fazer com agulhas.
Entenda o papel da Anvisa e do Decreto 10.388/2020 no descarte de medicamentos, onde entregar remédios vencidos e o que fazer com agulhas.
Remédios vencidos ou sem uso têm como destino um ponto de recebimento, sem retirar o produto da cartela ou do frasco original. Antes de sair, verifique se o estabelecimento aceita medicamentos domiciliares; não descarte no lixo comum, na pia nem no vaso sanitário.
A regra federal que organiza o descarte doméstico é o Decreto nº 10.388/2020, que instituiu a logística reversa de medicamentos domiciliares com base na Política Nacional de Resíduos Sólidos. A Anvisa, por sua vez, define na RDC nº 222/2018 as boas práticas de gerenciamento de resíduos de serviços de saúde, como os gerados por farmácias, drogarias e hospitais. Regras de recebimento, acondicionamento de seringas e agulhas e disponibilidade de pontos também exigem confirmação local.
Em resumo:
O descarte incorreto no lixo comum ou no esgoto pode contaminar solo, rios, lagos e lençóis freáticos e afetar a fauna aquática. No caso dos antibióticos, também pode contribuir para o surgimento de bactérias resistentes, conforme uma revisão acadêmica sobre descarte de medicamentos vencidos, publicada em 2024.
Nas regras da Anvisa para resíduos de serviços de saúde, a RDC nº 222/2018 inclui produtos farmacêuticos no grupo B, o dos resíduos químicos que podem representar risco à saúde pública ou ao meio ambiente. A norma se aplica a geradores como farmácias, drogarias e hospitais, não às residências, mas ajuda a entender por que medicamentos precisam de manejo específico, em vez de acompanhar os resíduos comuns da casa.
Há ainda o risco de uso indevido: medicamentos jogados no lixo podem ser encontrados e utilizados por outras pessoas, alerta citado em reportagem da Agência Brasil de 2020.

A reportagem da Agência Brasil sobre descarte de medicamentos, publicada em 2020 e republicada pela Amrigs, orienta manter o produto na embalagem primária. Esse é o recipiente que fica em contato direto com o medicamento, como o blister da cartela ou o frasco.
Uma forma prática de organizar a entrega é:
Segundo a reportagem, bulas e caixas também podem acompanhar os medicamentos no ponto de coleta. A distinção é entre a embalagem que toca o produto, que permanece com ele, e a embalagem externa de papelão.
Se precisar aguardar até a entrega, peça ao serviço de saúde local orientação sobre o armazenamento temporário. Para um roteiro prático mais detalhado, veja também o passo a passo de como descartar medicamentos.
| Item | Como preparar | Destino a verificar |
|---|---|---|
| Comprimidos e cápsulas em cartela | Manter no blister, sem retirar o medicamento | Ponto de recebimento de medicamentos domiciliares |
| Medicamentos líquidos | Manter no frasco original, sem despejar | Ponto de recebimento de medicamentos domiciliares |
| Bulas e caixas sem contato direto com o produto | Separar para reciclagem ou manter junto do medicamento | Coleta seletiva, reciclagem ou ponto de recebimento |
| Seringas e agulhas | Consultar o serviço de saúde sobre o acondicionamento | Unidade indicada pelo serviço de saúde local |

Procure um ponto de recebimento de medicamentos domiciliares e verifique se está funcionando antes de levar o material. Há relatos de iniciativas em farmácias, drogarias, algumas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e redes de supermercados, como registra uma publicação da Vetor Farma sobre programas de coleta, de 2021. Esse relato não substitui a confirmação com a unidade escolhida.
Ao entrar em contato, pergunte se o local recebe medicamentos de uso domiciliar, quais itens aceita e em que horário fazer a entrega. O farmacêutico também é um profissional a quem recorrer para orientação sobre descarte, papel destacado pela revisão acadêmica de 2024.
Se não encontrar um ponto próximo, procure o serviço de saúde ou a vigilância sanitária do município para orientação. Esse contato é uma busca de informação, não uma confirmação de que o órgão fará o recolhimento.

Não presuma que o ponto de recebimento de medicamentos também aceite seringas e agulhas. Esses itens são perfurocortantes, isto é, materiais que perfuram ou cortam, e exigem orientação específica para a entrega.
Consulte previamente o serviço de saúde local sobre qual unidade recebe esses itens e como acondicioná-los. A reportagem de 2020 indicava hospitais e postos de saúde como destinos; para a entrega atual, siga a orientação do serviço da sua região.
No caso dos medicamentos domiciliares, a logística reversa organiza o recebimento dos produtos descartados e seu encaminhamento para destinação ambientalmente adequada. O sistema foi regulamentado em âmbito federal pelo Decreto nº 10.388/2020, editado com base na Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída em 2010.
O decreto prevê pontos fixos de recebimento em farmácias e drogarias, com dispensadores dotados de sistema antirretorno, que permitem colocar os produtos, mas não retirá-los. A destinação final deve ocorrer em empreendimento licenciado por órgão ambiental, com prioridade para incineradores, depois coprocessadores e, por último, aterros sanitários de classe I, destinados a produtos perigosos.
Pelo cronograma do decreto, os pontos fixos chegariam primeiro às capitais e aos municípios com mais de 500 mil habitantes e, até o quinto ano da segunda fase, aos municípios com mais de 100 mil habitantes, na proporção mínima de um ponto para cada 10 mil habitantes. Para municípios menores, o decreto não fixa essa proporção, e a disponibilidade de coleta em cada cidade precisa de verificação com os órgãos e estabelecimentos locais.
| Quem procurar | Sobre o que perguntar | O que verificar |
|---|---|---|
| Farmácia ou drogaria | Participação em programa de recebimento de medicamentos domiciliares | Funcionamento do ponto, itens aceitos e horário |
| Serviço de saúde local | Entrega de seringas e agulhas e acondicionamento necessário | Unidade responsável e instruções para levar o material |
| Vigilância sanitária municipal | Orientações locais e busca por pontos de recebimento | Qual serviço ou estabelecimento contatar |
Confira periodicamente as validades e separe o que venceu para encaminhamento. Ao receber uma prescrição, pergunte ao prescritor ou ao farmacêutico sobre a quantidade necessária, sem alterar o tratamento por conta própria.
Não distribua sobras entre familiares ou conhecidos. A recomendação citada na reportagem de 2020 é não doar nem reutilizar medicamentos diretamente em outras pessoas. Para um medicamento ainda dentro da validade que não será usado, procure um estabelecimento de saúde para orientação, sem presumir que ele aceitará a doação.
Nas compras em farmácias, o Quero Card é um cartão de benefícios, não um plano de saúde, e oferece descontos conforme o plano. Consulte as condições na página do cartão. Esse benefício se refere à compra de medicamentos, não a serviços de coleta.
Não. O descarte no lixo comum traz risco de contaminação ambiental e de uso indevido por outras pessoas. Procure um ponto de recebimento de medicamentos domiciliares.
Medicamentos descartados incorretamente podem contaminar solo e água e afetar a fauna aquática. No caso dos antibióticos, o descarte inadequado também pode contribuir para a resistência bacteriana.
Em um ponto de recebimento que aceite medicamentos domiciliares. Pergunte às farmácias e drogarias da região ou busque orientação na vigilância sanitária municipal antes de levar o material.
Porque resíduos de medicamentos no esgoto podem contaminar água e solo. Não despeje o conteúdo dos frascos para depois descartar a embalagem.
Não. Mantenha o produto na embalagem primária: comprimidos na cartela e líquidos no frasco original. Bulas e caixas sem contato direto com o medicamento têm a alternativa de reciclagem.
Consulte o serviço de saúde local sobre a unidade de recebimento e o acondicionamento exigido. Não presuma que um coletor de medicamentos também receba perfurocortantes.
Não é seguro presumir isso. Pergunte ao estabelecimento se o ponto está em funcionamento e aceita os itens que você pretende entregar.
O Decreto nº 10.388/2020 instituiu a logística reversa de medicamentos domiciliares vencidos ou em desuso, com participação de fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes e consumidores. Ao consumidor cabe entregar os medicamentos nos pontos de recebimento, seguindo as instruções divulgadas no local. A RDC nº 222/2018 da Anvisa trata dos resíduos gerados por serviços de saúde, farmácias e drogarias.
O próximo passo é localizar um ponto que aceite os medicamentos e organizar a entrega sem abrir cartelas nem esvaziar frascos. Para seringas e agulhas, obtenha primeiro a orientação do serviço de saúde sobre acondicionamento e destino. Se faltar uma opção próxima, peça orientação à vigilância sanitária municipal, sem recorrer ao lixo comum ou ao esgoto.


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