Em avaliações internacionais, os dados também reforçam a urgência de intervenções estruturadas. No Estudo Internacional de Tendências em Matemática e Ciências (TIMSS) de 2023, o Brasil pontuou 400 pontos, ficando 103 pontos abaixo da média das nações desenvolvidas.
Além disso, dados acumulados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) apontam que cerca de 70% dos estudantes brasileiros de 15 anos não conseguem realizar cálculos matemáticos simples.
As práticas que funcionam nas redes de sucesso
A pesquisa investigou o cotidiano escolar de municípios como Casinhas (PE), Joaquim Távora (PR), Ji-Paraná (RO), Miracema (RJ), Junqueirópolis (SP), Anicuns (GO) e Cruz (CE).
O relatório aponta que o progresso da aprendizagem não depende de ações isoladas, mas sim da articulação entre gestão, prática em sala de aula e acompanhamento pedagógico.
Entre as principais estratégias identificadas pelo estudo, destacam-se:
- Salas matematicamente ricas: integração constante de recursos visuais — como retas numéricas, tabuadas, calendários, formas geométricas e moedas didáticas — ao conteúdo das aulas.
- Uso de materiais concretos: utilização de ábacos, blocos, dobraduras e materiais recicláveis para ajudar na visualização de conceitos abstratos e na resolução de problemas.
- Estimulo ao raciocínio explicativo: incentivo para que os estudantes não apenas indiquem a resposta correta, mas expliquem e comparem os caminhos que utilizaram para chegar ao resultado.
- Rotinas estruturadas de aula: manutenção de etapas previsíveis que combinam a explicação de conceitos, momentos dedicados à fluência de cálculo e correção coletiva de exercícios.
- Avaliação como diagnóstico: aplicação de provas próprias da rede para mapear defasagens específicas e reorganizar o planejamento das aulas, em vez de focar apenas na atribuição de notas.
Desafios para a implementação do modelo
O relatório do Iede ressalta que a simples presença de materiais pedagógicos ou jogos nas escolas não garante a aprendizagem sem a devida mediação do professor.
Para que os recursos tenham impacto real, os docentes precisam de suporte para conectar a atividade ao objetivo pedagógico da aula.
Os pesquisadores apontam que a consolidação dessas práticas ainda enfrenta barreiras nas redes públicas, como a escassez de profissionais com formação específica em didática da matemática nos anos iniciais, a sobrecarga das equipes pedagógicas e a descontinuidade de projetos causada por trocas de gestão política nos municípios.
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