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Falta de vagas e avanço da IA colocam o emprego de jovens à prova

A criação de vagas não acompanha o volume de novos trabalhadores, e a busca pelo primeiro emprego mobiliza jovens em diferentes países.



Em resumo:

  • A escassez de oportunidades para o primeiro emprego motivou uma onda de protestos recentes em diversos países da África, Ásia e América do Sul
  • Dados oficiais do Ministério do Trabalho e Emprego indicam que a taxa de desocupação entre pessoas de 18 a 24 anos no Brasil atinge 13,8%
  • Especialistas da Organização Internacional do Trabalho apontam que as economias não criam vagas suficientes e a adoção de ferramentas de IA agrava a barreira para candidatos sem experiência

A falta de oportunidades para o primeiro emprego tem levando jovens às ruas para uma nova onda de protestos em países como Quênia, Peru, Nepal, Indonésia, Filipinas, África do Sul e Marrocos.

Entre as reivindicações, está a exigência imediata por políticas governamentais que estimulem o crescimento econômico e destravem a criação de postos de trabalho a quem busca a primeira oportunidade.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o nível de criação de vagas atual não acompanha o volume de novos trabalhadores que ingressam no mercado. Essa estagnação tem elevado as exigências e dificultado a entrada de candidatos sem experiência.

emprego de jovens

O desemprego juvenil em números: Brasil e China

O desemprego juvenil — que mede a parcela de jovens em busca ativa de trabalho — supera historicamente a taxa de desocupação entre outras faixas etárias devido à falta de experiência dos candidatos.

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No Brasil, dados oficiais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) revelam que o desemprego entre pessoas de 18 a 24 anos é de 13,8%, número que representa mais que o dobro da média nacional geral, fixada em 5,8%.

O mesmo órgão do governo federal aponta que, na faixa de 14 a 24 anos, quase 20% dos brasileiros não estudam nem trabalham.

Na China, o cenário também é de disparidade. Em maio, a taxa oficial de desemprego entre jovens urbanos de 16 a 24 anos atingiu 15,6%, conforme dados do governo chinês citados pela agência de notícias Reuters.

Esse índice é superior à taxa geral de desemprego do país, que gira em torno de 5%. É importante ressaltar que, desde 2023, as estatísticas oficiais chinesas deixaram de contabilizar milhões de estudantes universitários, o que, segundo especialistas de mercado, dificulta a comparação histórica dos dados.

Na União Europeia, o cenário reflete a mesma tendência: a taxa de desemprego juvenil atingiu 15,2% em maio, contra 5,9% para a população em geral, de acordo com o levantamento citado pela Deutsche Welle.

O impacto da inteligência artificial

A inteligência artificial é apontada como um dos principais suspeitos para a estagnação recente. Além de eliminar postos de trabalho de entrada (júnior e trainee), os sistemas autônomos têm alimentado a insegurança nas novas gerações, embora não haja um consenso absoluto sobre o peso exato da tecnologia.

Segundo uma pesquisa conduzida por Golo Henseke, professor associado de economia aplicada da University College London (UCL), as regiões onde as empresas adotaram a IA com maior rapidez registraram um crescimento mais lento na contratação de pessoas de 15 a 24 anos.

Contudo, o pesquisador avalia que o impacto da IA ainda é menor quando comparado aos efeitos macroeconômicos tradicionais.

Setores afetados e as consequências sociais

Um levantamento da Organização Internacional do Trabalho (OIT) identificou que as taxas de desemprego juvenil aumentaram em oito das 11 regiões do mundo entre 2023 e 2025, com impactos mais severos no Leste Asiático, América do Norte, Sudeste Asiático e Pacífico.

Onde as vagas diminuíram e onde cresceram

Segundo os dados da OIT, a redução de oportunidades de entrada atingiu mais fortemente os setores de:

  • Manufatura
  • Construção civil
  • Serviços

Em contrapartida, empregos técnicos nas áreas de ciência, engenharia, saúde e tecnologia da informação seguiram em expansão na maioria dos países.

Frustração e mudança de prioridades

Sem conseguir o primeiro emprego, os jovens não adquirem a experiência exigida para futuras vagas. Como consequência, o consumo cai, a compra de imóveis diminui e a formação de famílias é adiada.

Uma pesquisa realizada pela consultoria EY na Alemanha evidenciou essa mudança comportamental: os estudantes alemães estão hoje menos otimistas quanto a encontrar um emprego adequado do que estavam há dois anos.

Além disso, o levantamento da EY apontou que a “segurança no emprego” ultrapassou o “salário” como o critério número um na hora de escolher um empregador.

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