No Brasil, dados oficiais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) revelam que o desemprego entre pessoas de 18 a 24 anos é de 13,8%, número que representa mais que o dobro da média nacional geral, fixada em 5,8%.
O mesmo órgão do governo federal aponta que, na faixa de 14 a 24 anos, quase 20% dos brasileiros não estudam nem trabalham.
Na China, o cenário também é de disparidade. Em maio, a taxa oficial de desemprego entre jovens urbanos de 16 a 24 anos atingiu 15,6%, conforme dados do governo chinês citados pela agência de notícias Reuters.
Esse índice é superior à taxa geral de desemprego do país, que gira em torno de 5%. É importante ressaltar que, desde 2023, as estatísticas oficiais chinesas deixaram de contabilizar milhões de estudantes universitários, o que, segundo especialistas de mercado, dificulta a comparação histórica dos dados.
Na União Europeia, o cenário reflete a mesma tendência: a taxa de desemprego juvenil atingiu 15,2% em maio, contra 5,9% para a população em geral, de acordo com o levantamento citado pela Deutsche Welle.
O impacto da inteligência artificial
A inteligência artificial é apontada como um dos principais suspeitos para a estagnação recente. Além de eliminar postos de trabalho de entrada (júnior e trainee), os sistemas autônomos têm alimentado a insegurança nas novas gerações, embora não haja um consenso absoluto sobre o peso exato da tecnologia.
Segundo uma pesquisa conduzida por Golo Henseke, professor associado de economia aplicada da University College London (UCL), as regiões onde as empresas adotaram a IA com maior rapidez registraram um crescimento mais lento na contratação de pessoas de 15 a 24 anos.
Contudo, o pesquisador avalia que o impacto da IA ainda é menor quando comparado aos efeitos macroeconômicos tradicionais.
Setores afetados e as consequências sociais
Um levantamento da Organização Internacional do Trabalho (OIT) identificou que as taxas de desemprego juvenil aumentaram em oito das 11 regiões do mundo entre 2023 e 2025, com impactos mais severos no Leste Asiático, América do Norte, Sudeste Asiático e Pacífico.
Onde as vagas diminuíram e onde cresceram
Segundo os dados da OIT, a redução de oportunidades de entrada atingiu mais fortemente os setores de:
- Manufatura
- Construção civil
- Serviços
Em contrapartida, empregos técnicos nas áreas de ciência, engenharia, saúde e tecnologia da informação seguiram em expansão na maioria dos países.
Frustração e mudança de prioridades
Sem conseguir o primeiro emprego, os jovens não adquirem a experiência exigida para futuras vagas. Como consequência, o consumo cai, a compra de imóveis diminui e a formação de famílias é adiada.
Uma pesquisa realizada pela consultoria EY na Alemanha evidenciou essa mudança comportamental: os estudantes alemães estão hoje menos otimistas quanto a encontrar um emprego adequado do que estavam há dois anos.
Além disso, o levantamento da EY apontou que a “segurança no emprego” ultrapassou o “salário” como o critério número um na hora de escolher um empregador.
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