
Pode levar mochila na Fuvest? Entenda as regras para o dia da prova
| 01/11/26Candidatos podem entrar com mochila, desde que não a abram após o início do exame
Vai prestar a Fuvest 2027? Relembre a autoria, o enredo, os personagens e os principais temas de “Canção para ninar menino grande”, de Conceição Evaristo.
Em resumo:
Veja mais informações a seguir!

Imagem/Divulgação em Amazon
A obra Canção para ninar menino grande, de Conceição Evaristo, está entre as nove leituras obrigatórias da Fuvest 2027. Publicado em 2018, o romance aborda temas como racismo, machismo, relações afetivas, masculinidade e a experiência de mulheres negras na sociedade brasileira.
Na reta final de preparação para o vestibular, vale retomar não apenas o enredo, mas também a maneira como a autora constrói a narrativa e articula questões individuais e sociais.
A história de Fio Jasmim, personagem central do livro, é apresentada por meio de diferentes vozes femininas, que ajudam a compor um retrato das relações de gênero e das marcas deixadas pelo racismo.
A seguir, confira os principais pontos para revisar antes da prova.
Maria da Conceição Evaristo de Brito nasceu em Belo Horizonte, em 1946. Escritora, professora e pesquisadora, é uma das principais representantes da literatura afro-brasileira contemporânea.
Imagem veiculada em: revistaprosaversoearte.com
Sua trajetória pessoal e intelectual tem relação direta com temas recorrentes em sua produção, como a memória, a ancestralidade, a desigualdade social, o racismo e as experiências de mulheres negras.
Evaristo mudou-se para o Rio de Janeiro na década de 1970, formou-se em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e construiu uma trajetória acadêmica que inclui mestrado em Literatura Brasileira e doutorado em Literatura Comparada.
A autora começou a publicar contos e poemas nos Cadernos Negros, série literária que reúne produções de escritores negros brasileiros. Sua obra inclui romances, contos e poemas, com destaque para a representação de personagens historicamente marginalizados.
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Um dos conceitos mais importantes para compreender a produção de Conceição Evaristo é a escrevivência, palavra criada pela própria autora a partir da combinação de “escrita” e “vivência”.
O conceito relaciona a produção literária às experiências individuais e coletivas de mulheres negras. Não significa que toda obra seja autobiográfica ou que ficção e realidade sejam a mesma coisa. A ideia é reconhecer como vivências, memórias e experiências sociais podem alimentar uma escrita que recupera vozes historicamente silenciadas.
Em Canção para ninar menino grande, a escrevivência se relaciona à construção de uma narrativa formada por diferentes experiências femininas. As mulheres não aparecem apenas como personagens secundárias da trajetória de Fio Jasmim: suas perspectivas ajudam a questionar a versão masculina dos acontecimentos.
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O romance acompanha Fio Jasmim, um homem negro que trabalha como ferroviário e viaja por diferentes cidades. Casado com Pérola Maria, ele mantém relacionamentos com outras mulheres durante suas viagens.
A narrativa apresenta as experiências dessas mulheres e as consequências dos encontros com Fio. Em vez de construir a história exclusivamente pela perspectiva do protagonista masculino, Conceição Evaristo organiza o romance a partir de diferentes vozes femininas.
Aos poucos, o leitor conhece aspectos da vida de Fio, suas relações familiares, suas experiências na infância e os fatores que participam da construção de sua identidade.
O passado do personagem ajuda a compreender sua busca por reconhecimento e afirmação da masculinidade.
Isso, porém, não significa que a narrativa justifique suas atitudes: o romance permite observar criticamente como padrões sociais de gênero e raça atravessam sua trajetória e afetam as pessoas ao redor.
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Fio Jasmim
É o personagem central. Homem negro, ferroviário e casado, mantém relações com diferentes mulheres ao longo de suas viagens. Sua trajetória permite discutir a construção da masculinidade, a necessidade de reconhecimento, o machismo e os efeitos do racismo.
Pérola Maria
É a esposa de Fio Jasmim. Sua relação com o protagonista ajuda a discutir casamento, fidelidade, confiança e as desigualdades que atravessam as relações afetivas.
As mulheres da vida de Fio
As diferentes mulheres que se relacionam com o protagonista têm experiências, histórias e perspectivas próprias. Suas vozes ampliam o foco da narrativa e revelam que as consequências das atitudes de Fio não são iguais para todas.
A narradora
A narrativa é conduzida por uma voz feminina que reúne relatos e perspectivas. Esse recurso é importante porque desloca o protagonismo da figura masculina para as experiências das mulheres que fazem parte da história.
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Um dos principais eixos de interpretação do livro é a crítica à masculinidade construída a partir da conquista sexual, da virilidade e da necessidade de demonstrar poder sobre as mulheres.
Fio Jasmim representa um modelo de masculinidade que associa o reconhecimento masculino à quantidade de conquistas amorosas e sexuais. O comportamento do personagem permite discutir como o machismo estrutura relações afetivas e atribui posições diferentes a homens e mulheres.
O romance também mostra que os padrões patriarcais não produzem consequências somente para as mulheres. Eles afetam a maneira como os homens constroem suas identidades, lidam com sentimentos e compreendem suas relações.
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A questão racial é fundamental para compreender Fio Jasmim e os demais personagens.
O romance aborda como o racismo interfere na formação da identidade, na autoestima e nas relações sociais. A trajetória do protagonista permite observar os efeitos de experiências de exclusão e da falta de reconhecimento em uma sociedade marcada por hierarquias raciais.
Um episódio importante para essa leitura é a lembrança da infância relacionada à representação do príncipe em uma peça escolar. A experiência de não ocupar o lugar de destaque reservado ao personagem branco participa da construção de uma ferida simbólica que acompanha Fio na vida adulta.
A obra também apresenta marcas históricas da escravidão e de suas permanências na sociedade brasileira. A história de Neide, por exemplo, permite discutir a preservação de sobrenomes associados ao passado escravista e a continuidade de desigualdades construídas historicamente.
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A escolha de contar a história por meio de diferentes perspectivas femininas é um dos aspectos formais mais importantes do romance.
A estrutura polifônica permite que as mulheres apresentem suas próprias experiências, em vez de serem descritas exclusivamente pelo olhar de Fio Jasmim. Assim, a narrativa questiona a centralidade masculina e amplia a compreensão sobre as relações afetivas.
Esse recurso também se relaciona à escrevivência: ao reunir histórias e experiências femininas, a obra valoriza vozes que muitas vezes foram silenciadas ou colocadas em segundo plano.
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A memória aparece como elemento importante na construção dos personagens. As experiências do passado ajudam a explicar conflitos do presente e revelam como acontecimentos individuais estão ligados a processos históricos mais amplos.
A ancestralidade e as marcas da escravidão também atravessam a narrativa. A história brasileira não aparece como um passado encerrado: seus efeitos permanecem nas relações sociais, na identidade e nas desigualdades contemporâneas.
Nesse sentido, a obra aproxima a trajetória dos personagens de questões coletivas, como a formação da sociedade brasileira, o racismo e a desigualdade de gênero.
Além dos temas, é importante observar como Conceição Evaristo conta a história.
Entre os aspectos que merecem atenção estão:
Na revisão, vale pensar na relação entre forma e conteúdo: a multiplicidade de vozes não é um detalhe isolado, mas parte da crítica que o livro constrói.
Se o tempo estiver curto, priorize estes pontos:
1. O que significa escrevivência na produção de Conceição Evaristo?
É a articulação entre escrita e vivência, com atenção às experiências individuais e coletivas, especialmente de mulheres negras, historicamente silenciadas.
2. Por que a narrativa pode ser considerada polifônica?
Porque reúne diferentes vozes e perspectivas femininas, que contribuem para contar e interpretar a trajetória de Fio Jasmim.
3. Qual é a relação entre a trajetória de Fio Jasmim e a crítica à masculinidade?
O personagem representa um modelo de masculinidade associado à virilidade e à conquista de mulheres. Sua trajetória permite questionar as expectativas sociais que sustentam esse padrão.
4. Como o racismo aparece na obra?
O racismo atravessa a formação da identidade dos personagens, suas experiências de reconhecimento e exclusão e as relações sociais. A narrativa também aborda permanências históricas da escravidão.
5. Por que as mulheres não devem ser consideradas apenas personagens secundárias?
Porque suas experiências e perspectivas estruturam a narrativa. São suas vozes que ampliam a compreensão sobre os acontecimentos e questionam a centralidade masculina.
Canção para ninar menino grande integra a lista de nove leituras obrigatórias do vestibular 2027 da Fuvest, que reúne obras de escritoras de língua portuguesa de diferentes períodos e países.
A primeira fase da Fuvest 2027 será aplicada em 1º de novembro de 2026. A prova terá 80 questões de múltipla escolha, e a lista de leituras obrigatórias também pode ser cobrada na interpretação de textos e nas questões que relacionam literatura a outros campos do conhecimento.
Na revisão final, portanto, procure ir além da memorização do enredo. Identifique como a autora constrói as personagens, organiza as vozes narrativas e relaciona experiências individuais a questões sociais e históricas.
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