O equipamento fará parte do novo Centro Brasileiro de Computação de Alto Desempenho e Inteligência Artificial e ostenta números grandiosos.
A máquina entregará 7.200 petaflops de desempenho no formato FP16, contará com mais de 50 mil núcleos de processamento operando simultaneamente e terá um consumo elétrico estimado em 4 megawatts.
Para dimensionar essa capacidade, cálculos do Núcleo de Inteligência Artificial do IMD/UFRN ilustram que o maquinário consegue realizar até 7,2 quintilhões de operações por segundo.
Se toda a população mundial (cerca de 8 bilhões de pessoas) fizesse um cálculo matemático por segundo ininterruptamente, seriam necessários quase 29 anos para igualar o volume de dados que a máquina processa em apenas um segundo.
Por que o Rio Grande do Norte foi o escolhido
A decisão de instalar o equipamento na região Nordeste, em detrimento de polos tradicionais como São Paulo, obedece a uma estratégia governamental de descentralização de recursos e desenvolvimento científico.
De acordo com as justificativas do governo federal, a escolha do Rio Grande do Norte baseou-se em três pilares centrais:
- Matriz energética: O estado possui abundância de fontes de energia limpa e renovável, especialmente eólica e solar, fundamentais para sustentar o alto consumo elétrico;
- Ciência e pesquisa: Há um forte potencial para integrar a máquina às universidades e centros de pesquisa nordestinos, impulsionando a formação de profissionais;
- Economia: A estrutura funcionará como um ímã para atrair startups, empresas de tecnologia e pesquisadores para a região.
Expansão tecnológica e uso do maquinário
A chegada do supercomputador ao Rio Grande do Norte é apenas uma das três rotas tecnológicas previstas pelo Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA).
O programa, que prevê injeções de R$ 23 bilhões entre 2024 e 2028, também inclui a criação de uma infraestrutura no Rio de Janeiro (em cooperação com a China) e o desenvolvimento de chips de arquitetura aberta em Campinas (SP).
O objetivo principal dessas frentes é reduzir a dependência do Brasil em relação à capacidade computacional estrangeira.
Conforme as diretrizes do projeto, o uso do supercomputador potiguar não ficará restrito a um único nicho. A infraestrutura atenderá:
- Estudantes e profissionais em busca de formação avançada em dados;
- Universidades e centros de pesquisa focados em ciência e inovação;
- Startups e empresas privadas interessadas no treinamento de modelos próprios de IA;
- Instituições governamentais para a aplicação de soluções em áreas como saúde, clima, agricultura e serviços públicos.
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