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UFMG inaugura supercomputador com inteligência artificial para mapear o Brasil

UFMG inaugura o supercomputador Soberano, que utiliza inteligência artificial para acelerar o mapeamento do Brasil e apoiar a prevenção de desastres naturais.



Em resumo:

  • Supercomputador Soberano: equipamento instalado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) utiliza inteligência artificial para automatizar a produção de mapas detalhados do território brasileiro.
  • Combate a crimes ambientais: a tecnologia poderá auxiliar no monitoramento do desmatamento, na identificação de mineração ilegal e na prevenção de desastres naturais.
  • Câmera hiperespectral: além do supercomputador, a universidade inaugurou um equipamento capaz de identificar características de materiais que não são perceptíveis em fotografias convencionais.

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A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) inaugurou, em 27 de outubro de 2026, o supercomputador Soberano, desenvolvido para processar grandes volumes de dados e ampliar o uso da inteligência artificial (IA) na cartografia.

Instalado no Instituto de Geociências (IGC), no campus Pampulha, em Belo Horizonte, o equipamento integra o projeto GeoIDE, voltado à extração de informações geográficas com inteligência artificial para aplicações ambientais e de defesa.

A iniciativa também inclui uma câmera hiperespectral instalada na Escola de Engenharia da universidade. Os equipamentos poderão contribuir para o monitoramento ambiental, a fiscalização territorial e o planejamento de políticas públicas.

Como funciona o supercomputador Soberano?

O Soberano foi projetado para processar grandes quantidades de informações e executar cálculos necessários ao treinamento e à utilização de sistemas de inteligência artificial.

A infraestrutura conta com:

  • Oito aceleradores de inteligência artificial NVIDIA H200, com 141 GB de memória cada;
  • Dez unidades de processamento, cada uma com 256 núcleos e 768 GB de memória;
  • Sistema de armazenamento paralelo com capacidade aproximada de 400 terabytes;
  • Rede interna de alta velocidade, com capacidade de transferência de 100 gigabits por segundo.

Toda a infraestrutura foi projetada, instalada e configurada por equipes brasileiras, de acordo com a UFMG.

O objetivo é utilizar algoritmos de IA para analisar imagens de satélites, radares, drones e sensores, identificando padrões e extraindo informações geográficas de maneira automatizada.

Com isso, os pesquisadores poderão acelerar a elaboração de mapas detalhados e ampliar a capacidade de análise do território nacional.

Inteligência artificial pode ajudar a mapear o território brasileiro

Um dos principais objetivos do projeto GeoIDE é ampliar a produção cartográfica do Brasil na escala 1:25.000, que permite representar características do território com maior nível de detalhamento.

Segundo dados divulgados pela UFMG, apenas cerca de 8% dos 8,5 milhões de quilômetros quadrados do território brasileiro estão mapeados nessa escala.

Esse tipo de informação é importante para atividades como:

  • Planejamento urbano e municipal;
  • Gestão de bacias hidrográficas;
  • Monitoramento de biomas e recursos naturais;
  • Identificação de áreas sujeitas a inundações e deslizamentos;
  • Planejamento de infraestrutura;
  • Fiscalização ambiental e territorial.

A inteligência artificial poderá automatizar parte do trabalho de interpretação de imagens e extração de dados geográficos, contribuindo para aumentar a velocidade de produção dos mapas.

A expectativa é que a tecnologia ajude a ampliar a cobertura cartográfica brasileira e forneça informações para pesquisadores e gestores públicos.

Supercomputador poderá auxiliar no combate ao desmatamento

Além de acelerar a produção de mapas, o Soberano poderá contribuir para o monitoramento ambiental e a identificação de atividades ilegais.

Entre as aplicações previstas estão:

  • Identificação de áreas desmatadas;
  • Monitoramento de atividades de mineração ilegal;
  • Acompanhamento das condições dos biomas brasileiros;
  • Planejamento de respostas a inundações e deslizamentos;
  • Vigilância de fronteiras;
  • Apoio à gestão de recursos naturais.

As informações produzidas também poderão auxiliar na formulação de políticas públicas e no planejamento de ações de prevenção de desastres.

O projeto possui aplicações ambientais e de defesa. Isso significa que a mesma infraestrutura cartográfica poderá ser utilizada tanto para monitorar problemas ambientais quanto para apoiar o planejamento estratégico e a proteção do território nacional.

O que é uma câmera hiperespectral?

Além do supercomputador, a UFMG inaugurou a câmera hiperespectral Hyper-Cam Mini XLW, instalada na Escola de Engenharia.

O equipamento registra informações da luz em centenas de faixas estreitas do espectro eletromagnético. Essa capacidade permite identificar diferenças entre materiais que podem parecer semelhantes em fotografias convencionais.

Na prática, a câmera pode auxiliar na análise de características de:

  • Vegetação saudável e vegetação seca;
  • Diferentes tipos de solo;
  • Água e superfícies artificiais;
  • Minerais e outros materiais.

A tecnologia pode ampliar as possibilidades de pesquisa em sensoriamento remoto, área que utiliza dados obtidos a distância para estudar a superfície terrestre.

Integrada ao supercomputador e aos algoritmos de inteligência artificial, a câmera poderá fornecer informações complementares para a produção de mapas e a análise de características ambientais.

Quais instituições participam do projeto GeoIDE?

A UFMG é responsável pela execução do projeto GeoIDE, que conta com a participação do Instituto Militar de Engenharia (IME) e da Diretoria de Serviço Geográfico (DSG) do Exército Brasileiro.

A aquisição dos equipamentos ocorreu no âmbito de uma chamada da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), de 2023.

A infraestrutura terá uso compartilhado entre pesquisadores, programas de pós-graduação e instituições parceiras, ampliando as possibilidades de desenvolvimento de pesquisas científicas e tecnológicas.

A iniciativa também busca fortalecer a capacidade brasileira de produzir e processar informações geográficas estratégicas em instituições nacionais.

Qual é a importância da inteligência artificial para a cartografia?

A cartografia utiliza técnicas e tecnologias para representar e analisar o espaço geográfico. Com o avanço da inteligência artificial, parte das tarefas de interpretação de imagens e identificação de padrões pode ser automatizada.

Essa combinação permite processar grandes volumes de dados obtidos por diferentes fontes, como satélites, radares e drones, e transformá-los em informações úteis para a compreensão do território.

No caso do Brasil, a aplicação da IA à cartografia pode contribuir para ampliar a disponibilidade de mapas detalhados, melhorar o monitoramento ambiental e fornecer dados para decisões relacionadas à infraestrutura, à prevenção de desastres e à gestão territorial.

Com o supercomputador Soberano, a UFMG amplia sua infraestrutura de pesquisa e cria novas possibilidades para o desenvolvimento de soluções tecnológicas voltadas a desafios brasileiros.

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