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Biologia

Platelmintos

William Yugue
Publicado por William Yugue
Última atualização: 4/1/2019

Introdução

Os platelmintos são chamados de vermes achatados, ou planos, e são agrupados dentro do filo dos Platyhelminthes, no Reino Animal. São organismos invertebrados, de corpo mole e de pouca espessura. 

É o terceiro filo do Reino Animal, formado após os cnidários, e é a partir dos platelmintos que se formam outros três filos animais: nematelmintosmoluscos e anelídeos. Isso significa que esses três filos apresentam como ancestral comum um organismo do filo platyhelminthes.

Árvore filogenética mostrando o filo dos platyhelminthes e os filos formados a partir dele.Árvore filogenética mostrando o filo dos platyhelminthes e os filos formados a partir dele.

Os platelmintos podem apresentar vidas livres, sendo encontrados em ambientes aquáticos ou úmidos, ou ainda alojados no interior de outros organismos, atuando como parasitas. São exemplos de platelmintos as tênias e as planárias, assim como outros vermes parasitas, como o Schistosoma causador da esquistossomose.

Pseudoceros dimidiatus, uma espécie da classe Turbellaria.

Estima-se aproximadamente 20.000 espécies diferentes de platelmintos existentes no planeta hoje.

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Características gerais

Por fazerem parte do Reino Animal, os platelmintos são animais pluricelulares, possuindo várias células capazes de formar tecidos, e são eucariontes, sendo suas células dotadas de organelas celulares e carioteca separando o material genético do restante do conteúdo celular.

Além disso, são os primeiros organismos triblásticos a se estabelecerem no planeta, possuindo, assim, três folhetos embrionários (endodermamesoderma e ectoderma), que dão origem aos demais tecidos e órgãos do corpo.

A presença de mesoderma foi uma importante aquisição evolutiva, pois todo o tecido muscular é oriundo do mesoderma, e isso permitiu que os animais deste filo e de filos subsequentes tivessem melhor locomoção, não mais apresentando organismos sésseis, e sim de vida livre.

Ao contrário dos cnidários, os platelmintos possuem simetria bilateral, com seu corpo podendo ser dividido em duas partes iguais e apresentando duas regiões (região posterior e anterior). Embora possuam os três folhetos embrionários, são seres acelomados, não possuindo o celoma, cavidade preenchida com líquido que daria espaço para o crescimento e depósito de órgãos e vísceras.

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Fisiologia

Sistema Digestório e Excretor

Possuem sistema digestório incompleto, ou seja, contando apenas com uma abertura, que é a boca. O sistema é constituído de boca, faringe e intestino. A classe cestoda não possui sistema digestivo, apresentando, assim, hábitos parasitas para se alimentar.

Os platelmintos podem ser carnívoros ou herbívoros, com algumas espécies parasitas apresentando hábitos onívoros, já que se alimentam da matéria orgânica consumida pelo hospedeiro em que estão. Platelmintos de vida livre se alimentam geralmente de pequenos vermes e organismos invertebrados.

O sistema de excreção ocorre através de estruturas chamadas de protonefrídios, que contêm células ciliadas chamadas células-flama ou solenócitos. As células-flama eliminam as excretas transportando-as por canais e dutos que se abrem para o meio externo, liberando as excretas geralmente na forma de amônia.

Célula-flama.

Sistema Respiratório e Circulatório

Os organismos platelmintos ainda não possuem órgãos especializados na respiração e na circulação de substâncias. Dessa forma, as trocas gasosas ocorrem através da pele e dos tecidos por difusão, e os nutrientes são absorvidos diretamente pelas células dos tecidos.

Podem sobreviver tanto em ambientes aeróbios (na presença de O2) quanto em ambientes anaeróbios (sem O2). Neste último caso, eles realizam fermentação láctica para produção de ATP.

Sistema Nervoso e Sensorial

Apresentam sistema nervoso central com dois gânglios na região da cabeça, de onde saem cordões nervosos ramificados que percorrem todo o corpo do animal, permitindo maior controle da musculatura e, com isso, locomoção mais eficiente. Esse tipo de sistema é chamado de Sistema Nervoso do tipo Ganglionar Ventral.

Além disso, possuem órgãos especializados na captação de luz, chamados Ocelos, e, também, células quimiorreceptoras, que permitem a percepção da luz e de substâncias próximas.

Reprodução

Os platelmintos podem apresentar formas diferentes de reprodução de acordo com a classe. São geralmente seres monóicos (com indivíduos contendo ambos os sexos), também chamados de hermafroditas. São capazes, portanto, de realizar autofecundação, como ocorre nas tênias da classe Cestoda.

Por exemplo, as planárias da classe Turbellaria podem realizar reprodução assexuada por fissão binária, processo que não garante variabilidade genética, mas que é muito importante quando o organismo se encontra isolado em determinados ambientes. Também podem apresentar reprodução sexuada, quando duas planárias trocam os gametas masculinos através do processo de fecundação cruzada, que garante variabilidade genética.

Os platelmintos parasitas podem se reproduzir sexuadamente, depositando seus ovos no corpo do hospedeiro em que estão. Estes hospedeiros podem liberar os ovos no ambiente através das fezes e outras secreções. Os ovos, então, eclodem, e as larvas podem colonizar um novo hospedeiro. É o caso, por exemplo, dos Schistosomas da classe Trematoda.

Classificação

Os platelmintos podem ser subdivididos em três classes:

Turbellaria

Organismos de vida livre, como as planárias. Geralmente vivem em ambientes aquáticos ou, pelo menos, úmidos. São hermafroditas, podendo se reproduzir assexuadamente, por autofecundação, ou sexuadamente, por fecundação cruzada.

Planária torva.Planária torva.

Cestoda

Classes de endoparasitas. Vivem, portanto, dentro de organismos hospedeiros. São seres achatados, chamados popularmente de Tênias ou Solitárias, e possuem corpo alongado, que pode atingir até oito metros de comprimento.

O corpo é dividido em cabeça, ou Escólex (contendo ventosas para fixação no interior do corpo do hospedeiro); e colo, ou pescoço e estróbilo (região segmentada formada pelo conjunto de proglótide, responsável pelo crescimento do verme).

Taenia saginataTaenia saginata

O ciclo de vida das tênias envolve a colonização de um organismo chamado de hospedeiro definitivo, que, no caso, é o ser humano. As tênias ficam alojadas no intestino do hospedeiro definitivo, onde realizam autofecundação, produzindo ovos que são, então, eliminados no ambiente pelas fezes do hospedeiro.

No ambiente, os ovos podem infectar águas e plantas, podendo ser ingeridos por outros organismos, como suínos e bovinos, que se tornam hospedeiros intermediários. Cada espécie de tênia coloniza um hospedeiro intermediário específico (Taenia Saginata coloniza bois e vacas e Taenia Solium coloniza porcos).

Dentro do hospedeiro intermediário, a tênia sai do intestino e se aloja na musculatura desses animais, onde se desenvolve em larva, chamada cisticerco - apresentando, assim, desenvolvimento indireto. O humano, ao se alimentar da carne infectada desses animais, acaba sendo colonizado pelos cisticercos, que se desenvolvem em tênias adultas no seu intestino.

Ciclo de vida da Taenia.Ciclo de vida da Taenia.

As tênias, quando alojadas nos corpos dos seres humanos, são responsáveis pelas doenças Teníase e Cisticercose. A diferença entre a teníase e a Cisticercose está na forma de transmissão: Quando o cisticerco é ingerido pelo ser humano, significa que ele contraiu a tênia. Se ingere os ovos da tênia, geralmente através do consumo de frutas, verduras e legumes ou até mesmo água infectada, ele contrai a cisticercose e, neste caso, atua como hospedeiro intermediário.

A teníase pode ser assintomática ou apresentar sintomas relacionados com o sistema digestivo como diarreia, vômitos, enjôos e até emagrecimento, já que a tênia, por não possuir sistema digestório, se alimenta de partículas de alimentos consumidas pelo ser humano. A cisticercose, por outro lado, é mais grave. Os ovos podem se alojar em outras regiões do corpo do hospedeiro, como no cérebro e na coluna, ocasionando possíveis convulsões e paralisias.

A profilaxia envolve:

  • Saneamento básico de qualidade;
  • Medidas individuais de higiene pessoal;
  • Cozimento adequado da carne para matar esses vermes, evitando o consumo de carnes cruas ou mal passadas;
  • Higienização adequada de frutas e verduras, assim como ferver água não tratada para o consumo.

Trematodas

Classe formada por endoparasitas e ectoparasitas que podem colonizar CordadosMoluscos e até o ser humano.

O principal representante da classe é o Schistosoma mansoni, um verme endoparasita dióico (possui sexo separado dentro da mesma espécie), com dimorfismo sexual (indivíduos machos são diferentes anatomicamente dos indivíduos fêmeas) e causador da esquistossomose. Nessa doença, o humano é o hospedeiro definitivo e os caramujos do gênero Biomphalaria são os hospedeiros intermediários.

Schistosoma mansoni.

O verme costuma se alojar nas veias do fígado do hospedeiro definitivo, nas quais realizam reprodução sexuada e, posteriormente, produzem ovos que conseguem perfurá-las e cair no sistema digestório, para então serem eliminados nas fezes do hospedeiro.

Uma vez no ambiente, os ovos eclodem, dando origem a estruturas larvais chamadas de miracídios, que irão penetrar nos caramujos, se desenvolver, e realizar reprodução assexuada para formar larvas chamadas cercárias, que são eliminadas pelo caramujo em ambiente aquático, onde podem penetrar ativamente a pele do ser humano que entre em contato com esse local. O sintoma mais característico da penetração da cercária no hospedeiro é a coceira.

 Ciclo de vida do Schistosoma.Ciclo de vida do Schistosoma.

A esquistossomose pode ser dividida em duas fases:

  • Fase aguda: com sintomas como coceira no ato da penetração da larva na pele do hospedeiro, febre, fraqueza, diarréia, enjôos e vômitos. Sintomas típicos de uma infecção no intestino;
  • Fase Crônica: com sintomas como a hipermegalia (aumento de órgãos como fígado e baço) e a ascite, chamada popularmente de barriga d'água, que é caracterizada pelo acúmulo de líquidos na barriga causando inchaço.

A profilaxia, isto é, a maneira para evitar a esquistossomose envolve:

  • O combate ao hospedeiro intermediário da doença, no caso o caramujo;
  • Evitar nadar em águas desconhecidas que podem conter o caramujo;
  • Saneamento básico de qualidade para tratamento do esgoto, evitando assim o contato direto entre ovos do verme com o ambiente e os hospedeiros.

Já o tratamento, envolve o uso de antiparasitários, chamados neste caso de vermífugos, para combater os parasitas que já estão alojados no interior do paciente. 


Exercícios

Exercício 1
(UFPR)

Qual a sentença correta para definir o Phylum Platyhelminthes?

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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