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70% dos jovens brasileiros trabalham, mas apenas 32% conseguem conciliar estudos

Levantamento da Função Itaú aponta que a maioria dos jovens brasileiros trabalham, mas enfrentam dilemas para conciliar estudos e conquistar novas oportunidades



Em resumo:

  • Pesquisa da Fundação Itaú revela que 70% dos jovens de 16 a 29 anos estão trabalhando ou fazendo estágio no Brasil.
  • Apenas 32% conseguem conciliar trabalho e estudo, com a desigualdade de renda sendo o principal fator limitante para a dupla jornada.
  • A falta de experiência profissional é apontada por 49% dos entrevistados como a maior barreira para a contratação.

A inserção da juventude brasileira no mercado de trabalho segue em uma crescente, mas ainda esbarra em obstáculos estruturais.

Segundo a pesquisa “Juventudes e o Mundo do Trabalho”, realizada pelo Observatório Fundação Itaú com apoio do Datafolha e do Instituto Locomotiva, 70% dos jovens entre 16 e 29 anos no Brasil trabalham ou fazem estágio.

No entanto, apenas 32% conseguem conciliar a carga horária profissional com uma rotina de estudos, porcentagem especialmente baixa entre os grupos de menor renda.

Os números da ocupação e o peso da classe social

O levantamento, que ouviu 1.816 jovens em todo o país, detalhou como essa parcela da população divide seu tempo. Atualmente, 32% dos entrevistados conseguem conciliar emprego e estudos, enquanto 39% dedicam-se exclusivamente ao trabalho.

Uma parcela menor, de 16%, apenas estuda, e 13% estão fora do mercado e das salas de aula.

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Contudo, a possibilidade de manter a dupla jornada de trabalho e estudo está diretamente ligada à renda. Os dados evidenciam abismos sociais:

  • Por classe: Na classe A/B, 48% dos jovens conciliam as duas atividades. Na classe D/E, o índice despenca para apenas 16%. Consequentemente, a necessidade de apenas trabalhar salta de 28% (A/B) para 47% (D/E).

Outro fator de sobrecarga que afeta diretamente o desenvolvimento profissional é a divisão desigual das tarefas de cuidado.

Metade dos entrevistados é responsável pelos afazeres domésticos, mas o peso é desproporcional entre os gêneros: 60% das mulheres realizam os cuidados da casa, contra 40% dos homens.

Barreiras de entrada e o valor da experiência prática

Mesmo com um alto índice de ocupação geral, a busca por novas oportunidades é desafiadora. Seis em cada dez jovens procuraram emprego no último ano e 20% seguem em busca de uma vaga atualmente.

Ao elencar os principais obstáculos para conseguir um trabalho, os jovens apontam:

  1. Falta de experiência profissional (49%)
  2. Alta concorrência por vagas (39%)
  3. Dificuldade de deslocamento/transporte (28%)
  4. Falta de qualificação adequada (25%)

Para contornar a falta de experiência, o chamado “QI” (Quem Indica) e o foco no ensino prático ganham força. A pesquisa revelou que 77% dos jovens que já trabalharam conseguiram a vaga por indicação.

Além disso, 91% consideram os cursos técnicos e profissionalizantes a rota mais rápida para o mercado de trabalho, e nove em cada dez acreditam que aprendem mais na prática do que no modelo educacional tradicional.

Tecnologia, futuro e a busca por autonomia

A pesquisa também mediu as expectativas e os temores da juventude em relação ao futuro das profissões.

A tecnologia desponta como a principal ameaça para o grupo: 90% dos jovens temem que a inteligência artificial elimine muitos empregos nos próximos anos, e metade tem receio de perder oportunidades diretas para a IA.

Apesar das incertezas tecnológicas, o interesse pelas áreas de Saúde (25%) e Tecnologia (22%) lidera as projeções de carreira dos entrevistados.

Outro dado que chama a atenção é a mudança de perfil de contratação desejada. A estabilidade inicial da carteira assinada é o desejo atual de 30% dos jovens. Porém, ao projetarem suas carreiras para os próximos cinco anos, o interesse pelo vínculo formal cai pela metade (16%).

Para os especialistas do Observatório Fundação Itaú, o movimento não representa uma rejeição ao modelo formal, mas sim um projeto de construção de vida, em que os jovens buscam estabilidade para investir em autonomia no futuro.

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