Dados de 2016 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelaram que apenas 15,3% da população brasileira adulta (com 25 anos ou mais) possui o diploma do Ensino Superior, um número incrivelmente baixo. Isso significa que, nos dias de hoje, a educação a distância se tornou um dos maiores facilitadores para que minorias e outros grupos sociais tenham acesso a uma educação de qualidade e consigam conquistar o tão sonhado canudo.
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Um levantamento feito pelo Quero Bolsa, o principal programa de inclusão para quem pretende ingressar no Ensino Superior com disponibilidade de bolsas de estudos, para o “Panorama Quero Bolsa do Ensino Superior Privado no Brasil”, mostrou os motivos que fazem com que brasileiros prefiram ingressar em cursos a distância do que em presenciais, são eles:
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Flexibilidade da carga horária (44%);
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Mensalidades mais acessíveis (27%);
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A localização do polo de apoio presencial (11%).
Além disso, na mesma pesquisa foi possível afirmar que mais de 79% consideram o conteúdo ensinado excelente ou bom. Ou seja, é possível perceber quais são os fatores que tornam o EaD uma das melhores opções para quem quer voltar a estudar.
Entretanto, apesar do constante crescimento, não é possível encontrar muito mais dados públicos do que isso. A situação é ainda pior quando pesquisamos sobre a saúde mental daqueles que decidem estudar por um curso a distância.
Janeiro Branco: #PorUmaCulturaDaSaúdeMental
Criado por psicólogos de Uberlândia (MG), o Janeiro Branco é um mês de conscientização sobre a importância da saúde mental. Fabiana Vitorino, psicóloga e uma das coordenadoras da campanha, conta que o movimento foi criado em 2014 após a divulgação de um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) que informava que, a cada 40 segundos, uma pessoa suicidava no mundo.

Como uma forma de encarar essa realidade, esses psicólogos decidiram dedicar um mês exclusivo do ano para divulgar a importância da saúde mental em todos os níveis da sociedade. “Do mesmo jeito que a gente vai ao médico para prevenir uma doença futura, a ideia do Janeiro Branco é ajudar a sociedade a criar uma cultura de promoção da saúde mental e emocional”, explica.
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Nos últimos anos, diversos meios de comunicação atentaram-se à importância da saúde mental dos universitários, visto o crescente número de casos de transtornos psicológicos desenvolvidos durante a graduação, até mesmo o assombroso aumento nos casos de suicídio de jovens. Em 2016, a “Pesquisa Censo e Opinião Discente” na Universidade Federal do ABC (UFABC) mostrou que 17,92% dos trancamentos durante o ano foram por “questões psicológicas”.
Porém, todos as reportagens e dados encontrados são sobre cursos exclusivamente presenciais. O que acontece com aqueles que fazem um curso EaD?
Qual é a importância da saúde mental na faculdade
Segundo um estudo feito pela pesquisadora e psicóloga Karen Graner com discentes de cursos da área da saúde, o sofrimento psíquico aflige 30% dos estudantes brasileiros. Já em escala mundial, esse número sobe para 49,1%, ou seja, a cada dois universitários, um não está com uma boa saúde mental.
Não importa a idade, começar a estudar pode se tornar um martírio para qualquer um. No caso dos mais jovens, a falta de informação e a pressão causada pela sociedade pode fazer com que a pessoa desenvolva transtornos de ansiedade ou até mesmo depressão. Já no caso daqueles que voltam a estudar quando mais velhos, muitos precisam lidar com outro tipo de pressão, a de estudar, trabalhar, ser o sustento da casa, cuidar da família e de questões do lar.
“O universitário é um estudante que está se preparando para entrar no mercado de trabalho ou para descobrir um novo mercado. É um momento de fazer escolhas e lidar com frustrações” adverte a Fabiana.
Por isso, é preciso ficar atento à sua saúde mental para lidar com todas essas situações e sentimentos que possam surgir, independentemente de estudar em um curso presencial ou a distância.
O que as faculdades podem fazer para melhorar essa situação?
O diretor da Abed, Luciano Sathler, que também já foi coordenador de EaD em algumas universidades brasileiras, reforça que é dever das instituições de ensino oferecerem atendimento psicopedagógico para seus alunos. “As instituições que oferecem educação a distância também têm de ofertar apoio psicopedagógico de uma forma ou de outra, seja no polo ou a distância. Eu mesmo tive várias experiências que tive um setor dedicado a isso para atender a distância, por exemplo, eles faziam atendimento via Skype, orientavam o polo ou até mesmo tentavam entrar em contato com familiares”, explica.
Encontramos duas instituições de ensino que oferecem esse tipo de atendimento ao aluno: o Instituto Metodista Izabela Hendrix e a Universidade Presbiteriana Mackenzie.
No primeiro caso, o Núcleo de Atendimento Psicopedagógico do Izabela Hendrix criou uma iniciativa para capacitar professores e funcionários a reconhecer sinais de uma má saúde mental. “Temos percebido um aumento do número de alunos com ansiedade, estresse e depressão e entendemos que precisaríamos ampliar o acesso de atendimento aos alunos. Logo, a melhor forma de identificarmos esse grupo seria por meio de uma triagem ou uma busca ativa dos alunos em sofrimento mental que não chegam até o Núcleo”, conta Débora Menezes, psicóloga da instituição.

Durante essa capacitação acontece uma sensibilização sobre a questão emocional nos espaços de formação docente, inclusive nos polos de EaD: “a ênfase é dada nas situações em que os alunos podem apresentar, que podem indicar crises de ansiedade generalizada, estresse, depressão e transtornos de aprendizagem”.
Já no Mackenzie, a instituição desenvolveu o Programa de Atenção e Orientação aos Discentes (Proato) em 2015 como um mediador para dar a melhor orientação possível a alunos e professores que estejam passando por algum tipo de desentendimento. No caso do EaD, Rinaldo Molina, coordenador do programa, explica que “nós damos orientação para os coordenadores de polo e para os tutores. Quando o polo é próximo da gente, nós chamamos o aluno e conversamos com ele. Quando o polo é muito longe, entramos em contato com o tutor e falamos para ele como atuar para amenizar a situação”.