O Cras conta com 21 estagiários dos cursos de Ciências Biológicas e Medicina Veterinária. Os estudantes ajudam na rotina dos profissionais e nos processos clínicos junto aos animais, como observação de comportamento durante a reabilitação e identificação de reações anormais, que podem ser importantes na recuperação do animal.
“Enquanto aprendem sobre a particularidade de cada espécie, nos auxiliam a cuidar dos animais da melhor maneira possível, potencializando o seu bem-estar”, afirma a veterinária. Os alunos participam de diversos procedimentos realizados, desde a recuperação até a eventual soltura.
Depois de passar por trabalhos de fisioterapia e de estímulo para não ter o instinto selvagem prejudicado, os animais passam por uma avaliação para checar a possibilidade de reintegração à natureza. “Com o auxílio dos estagiários, realizamos etograma (estudo de comportamento), bem como testes de procura de alimento, reação de fuga a predadores e pessoas”, conta Hanna.
Os animais inaptos à soltura são destinados a locais específicos que recebem e abrigam os bichos. Caso estejam saudáveis e fisicamente aptos a voltar ao habitat, são encaminhados à fauna com autorização da Secretaria do Meio Ambiente do estado de São Paulo. Nos outros estados do país, o órgão responsável é o Ibama.
Relacionamento com o público
Os hospitais da Anhembi Morumbi e da FMU possuem atendimento particular de clínica e cirurgia geral. Contam com diversos tipos de serviço, como ortopedia, dermatologia, neurologia, além de exames laboratoriais e de imagem e reabilitação com fisioterapia e acupuntura.
As veterinárias citam casos dermatológicos, atropelamentos que exigem cirurgias e casos de oncologia como os mais comuns. “Pelo fato dos pacientes viverem mais, temos mais idosos na população e os tumores, infelizmente são bastante frequentes”, conta Ana Balda, da FMU.
“Os animais estão tendo mais contato com as toxinas e as coisas que as pessoas têm e acabam, também, desenvolvendo tumores”, completa Aline Zoppa, da Anhembi Morumbi.
Em casos de animais silvestres, o envolvimento da população é fundamental para que os bichos possam ser atendidos. “Com o auxílio da população, os animais podem ser resgatados pelos órgãos competentes para atendimento médico e as medidas necessárias podem ser tomadas”, diz Hanna Kokubun, veterinária do Cras da Univap.
Ela cita exemplos de como os casos com animais doentes em áreas públicas sinalizam algo que pode refletir para as pessoas.
“Um aviso sobre um primata que está doente sinaliza que pode haver um vírus na região e podemos proteger as pessoas com vacinas; uma capivara ferida, se não for retirada do local, além de necessitar atendimento, pode ser alvo de um acidente de carro e ferir várias pessoas; um animal que foi maltratado sinaliza aos órgãos públicos que há pessoas de má índole na região”, explica Hanna.
Para notificar casos envolvendo animais, as denúncias podem ser feitas diretamente à Polícia Ambiental da região ou no disque-denúncia da cidade ou estado.