De acordo com dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), nos últimos oito anos o número de matriculados em cursos de Medicina no Brasil não parou de crescer e, com essa alta procura, os vestibulares e processos seletivos para ingresso neste curso também se tornam cada vez mais concorridos.
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Em 2018, a concorrência no curso de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) era de 312,7 candidatos por vaga, um aumento de 17% em comparação com o ano anterior.
Nas universidades particulares brasileiras, além dos vestibulares disputados, o crescente interesse pela graduação faz com as mensalidades se tornem cada vez mais caras, transformando o curso em uma opção viável apenas para uma parte ínfima e privilegiada da população.
Além disso, com a aprovação da Portaria 328, que proíbe a criação de novos cursos de Medicina e a ampliação de vagas já existentes no Brasil, este cenário tende a piorar, já que o interesse na graduação não deve diminuir e a disputa pelas vagas, sejam elas públicas ou privadas, será ainda mais acirrada.
Por isso, buscando oportunidades mais acessíveis para ingressar no curso dos sonhos, muitos brasileiros migram para outros países que possuem um processo seletivo menos cobiçado e com mensalidades mais praticáveis.
Millena Lopes, 20 anos, está no quarto ano de Medicina na Universidad Privada del Este (UPE), em Cidade do Leste, no Paraguai, e viu nesta universidade uma opção viável para a sua situação econômica. “Eu fiz todos os vestibulares possíveis, mas passei somente em uma instituição particular e que, infelizmente, eu não tinha condições financeiras para arcar com o valor”, conta a estudante.
Em um passeio por Foz do Iguaçu (PR), cidade natal de Millena, sua mãe encontrou um outdoor com informações sobre o novo campus da instituição, que prometia um processo seletivo menos concorrido e uma mensalidade mais acessível. “Foi tudo muito rápido. Eu conheci a faculdade no dia 10 de janeiro e no dia 15 do mesmo mês minhas aulas já tinham começado”, lembra.
Assim como Millena, diversos brasileiros realizam o mesmo caminho para conseguir ingressar nesse curso, mesmo que isso exija a adaptação a uma nova cultura e língua desconhecida, ficar longe de familiares e ter que aprender a viver sozinho em outro país, mas, por incrível que pareça, em muitos casos, financeiramente, vale mais a pena do que estudar no Brasil.
Argentina: vestibular proibido por Lei
Todas las personas que aprueben la educación secundaria pueden ingresar de manera libre e irrestricta a la enseñanza de grado en el nivel de educación superior* – Artigo 7 da Lei da Educação Superior da Argentina.
“Aqui [na Argentina] tem uma Lei que diz que toda pessoa em solo argentino tem direito a educação e saúde, então, por lei, todos têm acesso ao Ensino Superior”, explica Lyvia Lemos, 31 anos, médica graduada pela Universidade de Buenos Aires (UBA).
Devido a esta lei, sancionada em 2015, a Argentina extinguiu os processos seletivos nas instituições públicas e privadas de Ensino Superior, sendo assim, o único pré-requisito é ter o diploma do Ensino Médio.
Apesar do que muitos pensam, essa decisão não visa apenas os argentinos, mas também todos que desejarem estudar naqueles país, inclusive no curso de Medicina. Segundo uma reportagem da BBC Brasil realizada em 2018, 60% dos brasileiros matriculados na UBA estão matriculados nesse curso da área da saúde.
Além disso, há o benefício de ingressar em uma universidade pública, ou seja, a custo zero, sem enfrentar um vestibular competitivo e com poucas chances de aprovação, algo que é um chamariz perfeito para aqueles que têm condições de se manter fora do País.