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Medicina no exterior: estudantes saem no Brasil em busca de curso a preço acessível

por Isabela Giordan em 15/02/19 1 mil visualizações

De acordo com dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), nos últimos oito anos o número de matriculados em cursos de Medicina no Brasil não parou de crescer e, com essa alta procura, os vestibulares e processos seletivos para ingresso neste curso também se tornam cada vez mais concorridos.

Em 2018, a concorrência no curso de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) era de 312,7 candidatos por vaga, um aumento de 17% em comparação com o ano anterior.

Nas universidades particulares brasileiras, além dos vestibulares disputados, o crescente interesse pela graduação faz com as mensalidades se tornem cada vez mais caras, transformando o curso em uma opção viável apenas para uma parte ínfima e privilegiada da população.

Além disso, com a aprovação da Portaria 328, que proíbe a criação de novos cursos de Medicina e a ampliação de vagas já existentes no Brasil, este cenário tende a piorar, já que o interesse na graduação não deve diminuir e a disputa pelas vagas, sejam elas públicas ou privadas, será ainda mais acirrada.

Por isso, buscando oportunidades mais acessíveis para ingressar no curso dos sonhos, muitos brasileiros migram para outros países que possuem um processo seletivo menos cobiçado e com mensalidades mais praticáveis.

Millena Lopes, 20 anos, está no quarto ano de Medicina na Universidad Privada del Este (UPE), em Cidade do Leste, no Paraguai, e viu nesta universidade uma opção viável para a sua situação econômica. “Eu fiz todos os vestibulares possíveis, mas passei somente em uma instituição particular e que, infelizmente, eu não tinha condições financeiras para arcar com o valor”, conta a estudante.

Em um passeio por Foz do Iguaçu (PR), cidade natal de Millena, sua mãe encontrou um outdoor com informações sobre o novo campus da instituição, que prometia um processo seletivo menos concorrido e uma mensalidade mais acessível. “Foi tudo muito rápido. Eu conheci a faculdade no dia 10 de janeiro e no dia 15 do mesmo mês minhas aulas já tinham começado”, lembra.

Assim como Millena, diversos brasileiros realizam o mesmo caminho para conseguir ingressar nesse curso, mesmo que isso exija a adaptação a uma nova cultura e língua desconhecida, ficar longe de familiares e ter que aprender a viver sozinho em outro país, mas, por incrível que pareça, em muitos casos, financeiramente, vale mais a pena do que estudar no Brasil.

Argentina: vestibular proibido por Lei

Todas las personas que aprueben la educación secundaria pueden ingresar de manera libre e irrestricta a la enseñanza de grado en el nivel de educación superior* - Artigo 7 da Lei da Educação Superior da Argentina.

“Aqui [na Argentina] tem uma Lei que diz que toda pessoa em solo argentino tem direito a educação e saúde, então, por lei, todos têm acesso ao Ensino Superior”, explica Lyvia Lemos,  31 anos, médica graduada pela Universidade de Buenos Aires (UBA).

Devido a esta lei, sancionada em 2015, a Argentina extinguiu os processos seletivos nas instituições públicas e privadas de Ensino Superior, sendo assim, o único pré-requisito é ter o diploma do Ensino Médio.

Apesar do que muitos pensam, essa decisão não visa apenas os argentinos, mas também todos que desejarem estudar naqueles país, inclusive no curso de Medicina. Segundo uma reportagem da BBC Brasil realizada em 2018, 60% dos brasileiros matriculados na UBA estão matriculados nesse curso da área da saúde.

Além disso, há o benefício de ingressar em uma universidade pública, ou seja, a custo zero, sem enfrentar um vestibular competitivo e com poucas chances de aprovação, algo que é um chamariz perfeito para aqueles que têm condições de se manter fora do País.

Entretanto, apesar de não ter um processo seletivo, a UBA, por exemplo, possui o Ciclo Básico Comum (CBC), que é o primeiro de ano de curso, com matérias fundamentais naquela área para nivelar a turma de calouros, mas que muitas vezes serve como uma triagem, já que vários desistem ao ter que enfrentar as primeiras provas.

“No CBC tem Matemática, Sociedade e Estado, que é uma matéria em comum para todos da Universidade, Química, Biologia, Biofísica e Pensamento Científico. Sendo aprovado, você ingressa na Medicina, independemente da sua nota. Ele serve como um filtro, mas o filtro mesmo ocorre durante o curso, quando as pessoas vão percebendo o quão difícil é e abandonam ainda no começo”, aponta Lyvia.

Após o CBC, o estudante ainda precisa enfrentar mais três ciclos de estudo, são eles: Ciclo Biomédico, Ciclo Clínico e o Internato Anual e Rotativo (IAR).

Rafaela Valéria Pereira, 26 anos, está na última fase da faculdade, o IAR, em que durante oito meses os “quase” médicos entram nos hospitais para começar a exercer o ofício. “Após o ciclo básico comum, o ciclo biomédico e o ciclo clínico, é a hora de passar oito meses com aulas teóricas e práticas dentro de um hospital. No fim desse período, nós realizamos a prova final e finalmente nos formamos médicos”, explica.

Curiosidade: na UBA, o famosos “trote” é realizado no último dia de aula do sexto ano, antes do IAR, que é quando o estudante está praticamente formado (já que as aulas e as provas mais difíceis já acabaram) e só terá que realizar mais oito meses de internato. Nesse dia, os alunos comemoram e tomam banho de tinta para celebrar a quase formatura.

Foto: Arquivo pessoal
Rafaela no seu "trote" de fim de curso na UBA em 2018

Do lado da fronteira: Medicina no Paraguai

Outro país vizinho ao Brasil e que também oferece oportunidades acessíveis para aspirantes desta carreira é o Paraguai.

Lá, na maioria dos casos, o vestibular também é praticamente nulo, sendo necessário apresentar apenas os documentos obrigatórios para matrícula e pronto, vaga garantida. E, além do processo seletivo facilitado, há também dois benefícios que chamam muita atenção: valor acessível e proximidade com o Brasil.

Quando ingressou na UPE, Millena Lopes pagava em torno de R$ 800 por mês, algo que, em comparação ao Brasil, é um preço bem abaixo do mercado, sendo que a promessa de reajuste permanece entre os 10% e 20% ao ano. Ainda com a correção do valor, até o fim dos seis anos, a economia final ainda compensa.

Além disso, há a vantagem de morar no Brasil e ir ao país vizinho apenas para estudar, sem precisar manter uma residência fixa em outro lugar. A distância entre Foz do Iguaçu e a Universidad Privada del Este é de menos de 10 km, trajeto que pode ser feito de carro em menos de 15 minutos.

Foto: Reprodução
Turma de Medicina em frente à fachada de um dos prédios da Universidad Privada del Este

O curso da UPE possui seis semestres, sendo cinco de estudos na universidade e um de internato, seguindo os mesmos moldes brasileiros, mas o diferencial é na avaliação, que pode se tornar um pesadelo para os estudantes.

“A nota é anual, você faz provas e os trabalhos durante esse período, e precisa ser aprovado com, no mínimo, média de 60%. Ao ser aprovado, ainda é preciso fazer a prova final, em que o aluno tem até três oportunidades para realizá-la. Caso ele não seja aprovado nessas três chances, ainda há a oportunidade de fazer a prova extraordinária e, se ainda não for aprovado, o aluno reprova e tem que refazer o ano”, explica Millena.

¿Hablas espanhol?

Apesar dos benefícios do processo seletivo e do valor acessível (ou inexistente), o estudante que planeja estudar em uma universidade da América do Sul barra com uma grande desvantagem: o idioma.

Afinal, o espanhol é a língua vigente na maioria dos países da parte sul do continente, principalmente naqueles que são destino dos brasileiros para estudar Medicina. Para se acostumar com o idioma, Rafaela utilizou das aulas ao seu favor, já que as matérias de Sociedade e Estado exigiam muita leitura, os livros ajudaram na adaptação.

“Eu fiz um curso de duas semanas quando cheguei e depois aprendi sozinha, lendo e falando”, lembra a estudante.

Vitória Resende Ferreira, 18 anos, estuda na Universidad Sudamericana, em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, e temeu que o espanhol fosse prejudicar os seus estudos. “No começo eu tinha muito medo, pensava que não conseguiria acompanhar, mas vi que era muito tranquilo. Alguns colegas têm mais dificuldade, mas eu consegui me adaptar muito bem com a prática da leitura constante dos materiais em espanhol”, destaca a jovem que está no segundo ano do curso.

Além do sotaque, há outro tópico que pode incomodar estudantes estrangeiros, o preconceito. Em todos os seus anos em Buenos Aires, Rafaela relata que só percebeu duas situações de discriminação e que ambas foram em relação ao seu sotaque. “Não há muito preconceito aqui, salvo aquelas pessoas que pensam assim ‘você veio ao meu país estudar de graça, você deveria pagar por isso’”, relata.

No Paraguai, Vitória e Millena afirmam não passar por situações de intolerância porque a maioria dos alunos também são brasileiros, então não há motivo para sofrer preconceito.

Entretanto, uma reclamação de Millena é o assédio sexual sofrido diariamente: “Assédio a gente sofre muito, ainda mais as mulheres, porque lá as brasileiras têm fama de serem ‘fáceis’ e os paraguaios estão constantemente praticando situações de assédio, como cantadas e assobios, por exemplo”.

Problemas relatados pelo Ministério das Relações Exteriores

No início de Fevereiro o Fiquem Sabendo, site independente de jornalismo de dados, divulgou em uma reportagem (que está fora do ar, no momento) um documento do Ministério das Relações Exteriores, elaborado no fim de 2018, com um relatório sobre as faculdades na Bolívia, Argentina e Paraguai que tinham estudantes brasileiros em seu corpo discente.


Além de informações sobre a quantidade de estudantes e os benefícios das instituições, o fax, adquirido por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), indica diversas reclamações sobre falhas cometidas pelas instituições, entre elas:

  • Infraestrutura organizacional, administrativa, acadêmica deficientes e o consequente nível de aprendizado e práticas estagiárias insuficientes;

  • Orientação psicológica de difícil alcance nas universidades;

  • Aproveitamento insatisfatório do curso, em razão do domínio parcial ou deficiente do idioma espanhol;

  • Carência financeira para cumprir a tempo pagamentos relativos à renovação da matrícula e aos serviços administrativos;

  • Situação econômica precária, que leva muitos estudantes a buscar trabalho paralelo informal, com prejuízo dos estudos acadêmicos;

  • Trecho retirado do relatório: “Provas que somem, notas alteradas, bullying [...] professores que perseguem alunos sem que os diretores façam absolutamente nada os problemas são diversos e corriqueiros e só temos o Consulado brasileiro para recorrer”;

  • Carência afetiva de natureza pessoal e familiar.

Essa reportagem faz parte de uma série da Revista QB sobre Medicina no exterior. Quer saber mais sobre assunto? É só clicar aqui:
Como exercer a profissão no Brasil com diploma de outro país?
Como conseguir uma vaga em uma universidade estrangeira?


*Tradução livre: "Todos que forem aprovados na educação secundária poderão ingressar de maneira livre e irrestrita em uma graduação de Ensino Superior".

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