BRICS: objetivos, países e papel na nova ordem econômica
Publicado por Fábio Vieira | Última atualização: 1/10/2026Índice
Introdução
O BRICS começou como uma sigla criada para reunir grandes economias emergentes e tornou-se um fórum de cooperação política, econômica e social. Com sua expansão, passou a reunir países de diferentes regiões, regimes e interesses, unidos sobretudo pela defesa de maior participação do Sul Global nas decisões internacionais.
O grupo não funciona como União Europeia, não possui mercado comum e não é aliança militar. Essa distinção responde a uma das dúvidas mais frequentes e evita comparar instituições com objetivos muito diferentes.
Em resumo:
- O núcleo original reuniu Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
- A cooperação abrange política, finanças, desenvolvimento e intercâmbio social.
- O Novo Banco de Desenvolvimento financia projetos nos membros e em outros países.
- BRICS e G7 têm perfis diferentes; um não substitui automaticamente o outro.
O que é o BRICS e como ele surgiu?
A sigla BRIC foi proposta em 2001 para destacar Brasil, Rússia, Índia e China como economias de grande potencial. Os governos transformaram o rótulo de mercado em espaço diplomático e realizaram a primeira cúpula em 2009. A África do Sul entrou depois, acrescentando o “S”. A partir de 2024, o grupo recebeu novos membros e criou a categoria de países parceiros.
A ampliação aumentou o peso demográfico e econômico, mas também a diversidade interna. O BRICS decide por consenso, sem tratado de integração semelhante ao da União Europeia. Sua agenda se organiza em cooperação política e de segurança, econômica e financeira, além de contatos entre sociedades.

Quais são os principais objetivos do BRICS?
Os integrantes defendem reformas em instituições como ONU, Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial, buscando maior representação de países emergentes. Também discutem comércio, saúde, clima, inteligência artificial e meios de pagamento. Usar moedas locais em algumas transações pretende reduzir custos e riscos cambiais, não prova a existência de uma moeda única.
Em 2014, foi criado o Novo Banco de Desenvolvimento, que financia infraestrutura e projetos sustentáveis. A instituição amplia opções de crédito, mas não elimina bancos tradicionais. Para compreender a categoria mais ampla, revise os blocos e fóruns econômicos e observe por que o BRICS é uma coalizão de cooperação, não uma união aduaneira.
Quem participa e por que a lista pode mudar?
O grupo original passou por uma expansão negociada. Em 2025, fontes oficiais da presidência brasileira apresentavam 11 membros e uma categoria de parceiros. Como adesões e status podem mudar, questões atuais devem ser respondidas conforme a data do texto-base. Mais importante que decorar uma lista permanente é entender os critérios políticos e o objetivo de ampliar a representação do Sul Global.
A diversidade produz limites. China e Índia têm disputas fronteiriças; integrantes mantêm relações diferentes com Estados Unidos e Europa; e suas economias variam muito. O consenso pode gerar declarações amplas, mas dificulta posições comuns em conflitos específicos. O BRICS é relevante justamente como espaço de negociação entre países que não formam um bloco ideológico uniforme.
O BRICS pode substituir o G7 ou criar uma nova moeda?
O G7 reúne democracias industrializadas com alto nível de renda e longa coordenação política. O BRICS reúne economias emergentes e parceiros diversos. Eles podem disputar influência em temas de governança, mas não são equivalentes. Substituição pressuporia funções e coesão que o BRICS não possui. É melhor falar em pluralização das instituições internacionais.
A proposta de uma moeda comum enfrenta obstáculos: políticas monetárias, inflação, controles de capital e prioridades nacionais diferentes. Debates reais se concentram em pagamentos transfronteiriços e maior uso de moedas locais. Confundir esses instrumentos com uma moeda nos moldes do euro transforma uma possibilidade discutida em fato inexistente.
Qual é a importância do BRICS para o Brasil?
O grupo amplia canais com grandes parceiros comerciais, especialmente a China, e oferece espaço para defender reformas multilaterais. Também permite coordenar posições sobre financiamento climático, saúde e desenvolvimento. Para o Brasil, participar não exige romper relações com Estados Unidos, União Europeia ou outros fóruns; a estratégia costuma buscar autonomia por diversificação.
No Enem, a relação entre BRICS e globalização pode aparecer em gráficos de comércio ou textos sobre nova ordem mundial. O estudante deve reconhecer cooperação Sul-Sul, assimetrias internas e interesse brasileiro em combinar desenvolvimento econômico com presença diplomática.
Como o Novo Banco de Desenvolvimento atua?
O Novo Banco de Desenvolvimento, conhecido pela sigla NDB, foi criado pelos membros do BRICS para financiar infraestrutura e desenvolvimento sustentável. Ele aprova projetos em áreas como transporte, água e energia e pode operar com moedas locais. Seu capital e sua carteira são menores que os das principais instituições multilaterais tradicionais, mas a existência de outra fonte amplia opções e capacidade de negociação.
O banco possui estrutura própria e não deve ser confundido com todo o BRICS. Uma decisão do NDB não representa automaticamente uma posição diplomática comum, assim como uma declaração de cúpula não libera financiamento. Essa diferença entre fórum político e instituição financeira é uma boa pista para questões. Também mostra que a nova ordem econômica surge por sobreposição de instituições, e não pela troca imediata de um sistema por outro.
Como evitar mitos ao responder sobre o BRICS?
Notícias sobre “nova moeda” ou “fim do dólar” frequentemente exageram propostas ainda em debate. Classifique a instituição antes de avaliar a afirmação.
Roteiro prático:
- 1. Verifique a data e a composição citada.
- 2. Diferencie fórum, banco de desenvolvimento e bloco comercial.
- 3. Compare objetivos declarados com instrumentos existentes.
- 4. Considere oportunidades para o Brasil e divergências entre membros.
Exercício de fixação
Questão autoral sobre BRICS, inspirada no estilo do Enem.
O BRICS se diferencia de uma união aduaneira porque:
- possui uma tarifa externa comum obrigatória.
- proíbe relações comerciais com países não membros.
- coordena agendas sem estabelecer livre comércio e tarifa comum entre todos.
- é uma aliança militar de defesa coletiva.
- adota uma moeda única administrada por banco central comum.
Gabarito comentado:
Alternativa C. O BRICS é um fórum de cooperação. Não possui tarifa externa comum, mercado único, defesa coletiva nem moeda única.
Um fórum influente, mas não homogêneo
O BRICS expressa a busca por uma governança mais representativa e por instrumentos adicionais de desenvolvimento. Sua força vem do peso de seus membros; seus limites, da diversidade entre eles e da decisão por consenso. Para provas, diferencie projetos, instituições existentes e rumores sobre substituição do G7 ou criação imediata de moeda comum.
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