Índice
Introdução
Maria Firmina dos Reis (1822 – 1917) é considerada a primeira romancista brasileira, ao lado de Nísia Floresta.
Maria Firmina dos Reis, considerada primeira romancista do Brasil.
Esquecida por décadas, as temáticas de Maria Firmina dos Reis relacionavam-se à escravidão e ao patriarcado, sistemas os quais ela sempre criticava em suas obras.
Além de escritora, Maria Firmina dos Reis foi professora e causou polêmica ao montar classes mistas em uma época em que meninas e meninos estudavam separados.
Principais conclusões
- Maria Firmina dos Reis (1822–1917) foi a primeira romancista brasileira, professora e ativista antiescravidão; autora de Úrsula, reconhecida como o primeiro romance antiescravagista escrito por uma mulher no Brasil.
- Ela empregou literatura, jornais, poesia e contos como instrumentos de denúncia, construiu personagens que afirmam a dignidade de negros e mulheres, publicou crônicas e dirigiu uma escola mista para promover educação e igualdade.
- Nascida em São Luís, filha de mãe branca e pai negro, atuou num Brasil escravocrata do século XIX; sua obra dialoga com o abolicionismo, o patriarcado e as tensões raciais, e foi redescoberta pela crítica a partir da década de 1960.
- Para o ENEM, sua trajetória conecta História, Literatura e Sociologia: temas recorrentes são escravidão, gênero, educação e memória; erro comum é ignorar autoras negras ou desconsiderar o caráter político de obras como Úrsula.
- Hoje sua importância é pedagógica e social: Úrsula e outros textos mostram a literatura como ferramenta de resistência, justificam inclusão em vestibulares e alimentam debates sobre raça, gênero e currículo escolar contemporâneo.
Trajetória
Maria Firmina dos Reis nasceu em 1822, em São Luís, no Maranhão. Filha ilegítima de uma mulher branca e um homem negro, Maria Firmina foi registrada com o sobrenome de outro homem.
Em 1830, aos 12 anos, mudou-se para a casa de uma tia com certo poder aquisitivo e cultural. Ali, Maria Firmina teve seus primeiros contatos com a Literatura e com alguns parentes notáveis, como Sotero dos Reis, um importante gramático da época.
Maria Firmina, então, estudando por conta própria, conseguiu se tornar professora aos 22 anos, sendo aprovada em um concurso público para a “Cadeira de Instrução Primária”.
Na época o sistema de escravidão ainda vigorava, e Maria Firmina passou a escrever textos em jornais, crônicas, poesia e ficção, fazendo da escrita seu grande instrumento na luta contra essa realidade.
Como professora, criou uma escola gratuita mista, de meninos e meninas, que foi um grande escândalo na época e, por isso, foi um projeto que durou apenas três anos.
Úrsula e outras obras
Maria Firmina dos Reis lançou seu primeiro romance, “Úrsula”, em 1859. Foi considerado o primeiro romance antiescravagista e escrito por uma mulher no Brasil. Neste livro, Maria Firmina monta personagens com intuito de ressaltar a superioridade moral dos negros.
O romance conta a história de amor entre Úrsula e Trancredo. Porém, o romance se diferencia pelo modo como os personagens negros e as mulheres são construídos, e a escravidão é problematizada.
“Gupeva” seria lançado em 1861 e tocaria em outra temática: indianista. Em 1871, Maria Firmina dos Reis escreveria o livro de poemas “Cantos à Beira Mar”.
A temática de denúncia da escravidão esteve presente em 1887, com o conto “A Escrava”, publicado no auge da campanha abolicionista. O livro aborda a escravidão a partir do ponto de vista de uma mulher branca da burguesia. Com isso, Maria Firmina tinha a intenção de aproximar as classes beneficiadas pela escravidão da temática abolicionista.
Sua obra foi esquecida por muito tempo pelos críticos brasileiros, sendo resgatada na década de 1960. Depois disso, no entanto, continuou com poucas edições. Nos últimos anos, Úrsula foi novidade em algumas listas de leitura obrigatória para vestibulares, ganhando novas e diferenciadas edições.
Maria Firmina dos Reis continuou seu ativismo contra a escravidão até sua morte, em 1917, no município de Guimarães.