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História do Brasil

Balaiada

Maria Clara Cavalcanti
Publicado por Maria Clara Cavalcanti
Última atualização: 1/6/2019

Introdução

Chama-se Balaiada a revolta popular ocorrida no Maranhão entre os anos de 1838 e 1841. Essa revolta encontra-se entre as muitas convulsões sociais e políticas que eclodiram no Brasil entre o período da Independência do Brasil e da Proclamação da República.

A Balaiada foi uma manifestação popular contra os grandes proprietários agrários, a elite do Maranhão. Na revolta estiveram envolvidos escravizados, vaqueiros, artesãos, trabalhadores rurais e afins, que tinham como intuito conquistar melhorias em suas condições de vida. 

Essa revolta ficou conhecida como Balaiada porque um de seus principais líderes, Manoel Francisco dos Anjos Ferreira, era conhecido como “balaio”, nome dado aos cestos que produzia. 

Prédio do Memorial da Balaiada, construído em homenagem à revolta na cidade de Caxias, no Maranhão.

Contexto Histórico

A Balaiada foi uma das revoltas ocorridas durante o Período Regencial no Brasil, marcado por:

  • redefinição do poder monárquico;
  • turbulências na disputa pelo poder;
  • formação de partidos políticos;
  • forte instabilidade política;
  • conflitos que quase levaram à fragmentação do país. 

Os movimentos e conflitos que eclodiram nesse período são chamados de Revoltas Regenciais. Algumas delas de caráter separatista, como o caso da Cabanagem, Sabinada e Farroupilha; outras, movimentos populares que exigiam melhores condições de vida, como o caso da Balaiada; e a abolição da escravidão, como a Revolta dos Malês.

Com exceção da Farroupilha, que conquistou seu objetivo e garantiu 10 anos de emancipação política para o Rio Grande do Sul, as Revoltas Regenciais foram fortemente reprimidas pelo poder militar Imperial.  

Causas da revolta

O contexto político e social em que se encontrava o Maranhão nesse período é determinante para entender os motivos da revolta. Nesse momento, grande parte da população vivia em situação de extrema pobreza, enquanto as elites enriqueciam e detinham o controle político na região. 

Essa elite estava dividida em dois grupos políticos: os Bem-te-vis, liberais, e os Cabanos, conservadores. Esses dois grupos disputavam o poder da província entre eles, ignorando as necessidades mais básicas da população. 

O agravamento da crise econômica devido à entrada da concorrência do algodão estadunidense intensificou a insatisfação social. Somado a isso, a instituição da “Lei dos Prefeitos” (os prefeitos podiam ser nomeados pelo governador) deu origem a focos da Balaiada. 

A Balaiada

Em 13 de dezembro de 1838, um grupo de vaqueiros, liderados por Raimundos Gomes, invadiu uma prisão, a fim de libertar amigos e parentes que estavam encarcerados, dando início à revolta.

Na ocasião, o grupo conseguiu, ainda, roubar munições e armas e ocupar todo vilarejo onde a cadeia estava localizada. 

Ao mesmo tempo, Manoel Francisco dos Anjos Ferreira também iniciou vários motins pelo Maranhão. Pouco tempo depois, Raimundo Gomes se une a ele e, junto com um terceiro líder, Cosme Bento de Chagas - líder quilombola que liderava mais de 3 mil homens negros -, conquistam vilas importantes e, em 1839, estabeleceram uma Junta Provisória

Incomodados e preocupados com a ação dos balaios, os grupos da elite - Bem-te-vis e Cabanos - se unem para desarticular o movimento. A Balaiada entra em sua fase de enfraquecimento com a morte de Manoel do Anjos durante um conflito. 

No ano de 1839, o Coronel Luís Alves de Lima e Silva chegou ao Maranhão enviado pelo Governo com a missão de derrotar a revolta. Torna-se, portanto, presidente da província e começa a articular ações para a desmobilização da Balaiada. 

No dia 7 de fevereiro de 1840, o Coronel Luís Alves de Lima e Silva reuniu 8 mil homens que cercaram a Vila de Caxias, onde os revoltosos estavam instalados. Diante da força das tropas, não restou alternativa aos balaios que não fossem se render e entregar o comando da vila de volta ao Governo. 

Ainda em 1840, o imperador Dom Pedro II promete a anistia para todos os revoltosos que se entregassem, o que levou à rendição de mais de 2.500 balaios. Os que continuaram lutando foram perseguidos e capturados pelo Coronel Luís Alves de Lima e Silva. Cosme Bento acabou sendo capturado e enforcado e Raimundo Gomes expulso do Maranhão. 

O Coronel Luís Alves de Lima e Silva ficou conhecido como Duque de Caxias devido a sua atuação no Maranhão e na retomada da Vila de Caxias.


Exercícios

Exercício 1
(UFAL/2013)

A crise econômica do período regencial contribuiu para gerar focos de descontentamento interno em várias províncias. Influenciados pela onda liberal e reformista do século XIX, as camadas populares e as classes médias urbanas reivindicavam seu direito de participar do poder político nacional. 

Em meio à crise econômica e às convulsões sociais, a classe dominante brasileira mantinha firme seu objetivo de organizar um aparelho de estado capaz de impor sua autoridade em todo o território nacional. Para realizar seu projeto de dominação, era preciso garantir, a todo custo, a unidade territorial do País e rechaçar de todas as maneiras as forças sociais separatistas ou divisionistas que se organizavam na província.

Nesse sentido, aconteceram várias revoltas políticas, “o vulcão da anarquia começava a devorar o império”, segundo declarava o padre Feijó, entre as quais se destacaram 

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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