Info Icon Help Icon Como funciona Ajuda
Whatsapp Icon 0800 123 2222
Envie mensagem ou ligue
História do Brasil

Primeira República - República Velha

Maria Clara Cavalcanti
Publicado por Maria Clara Cavalcanti
Última atualização: 28/8/2018

Introdução

A Primeira República é o período da História do Brasil compreendido entre os anos de 1889 a 1930.

Esse foi o primeiro momento após a Proclamação da República, e compreendeu importantes transformações políticas, econômicas, culturais e sociais no país; como a promulgação da Constituição de 1891 e o investimento na formação de uma identidade nacional consolidada.

A Primeira República também é comumente chamada de República Velha. Esse termo, entretanto, foi criado pelos intelectuais da Era Vargas, na tentativa de atribuir características ultrapassadas a esse período da História do Brasil.

Dentre os anos da Primeira República, pode-se fazer a distinção entre dois períodos:

  • República da Espada (1889 - 1894): quando o Brasil foi governado por dois militares - Marechal Deodoro da Fonseca e Marechal Floriano Peixoto.
  • A República Oligárquica: começou em 1895 com Prudente de Moraes e só se encerrou com a Revolução de 1930.

A consolidação

O período entre 1889 e 1898 foi marcado por uma forte crise política e econômica. As forças políticas estavam ainda muito fragmentadas, gerando muitas disputas.

Além disso, a moeda brasileira passou por um processo de desvalorização muito grande, enquanto a inflação cresceu subitamente. Entretanto, é esse o momento em que as instituições republicanas se estabelecem e consolidam.

Características

Com a promulgação de uma nova constituição, a Constituição de 1891, houveram muitas mudanças na configuração política do país, como por exemplo:

  • a determinação do regime presidencial. Nesse caso, o presidente é considerado o chefe supremo do poder executivo no país.
  • eleições diretas para presidente, de 4 em 4 anos.
  • abolição do Conselho de Estado e do Poder Moderador, instituições vigentes durante o regime monárquico.
  • declaração do sufrágio universal masculino. Ou seja, todos os cidadãos do sexo masculino, alfabetizados, com mais de 21 anos, que não fossem soldados rasos ou mendigos poderiam votar. É claro que em um país que havia acabado de abolir a escravidão e somente uma pequena parcela da população era alfabetizada, o voto permaneceu por muito tempo como privilégio de homens brancos e ricos.
  • implantação do Federalismo, sistema político demandado já desde o Primeiro Reinado, que veio a atribuir uma maior autonomia aos estados. As províncias passaram, assim, a serem chamadas de estados. Além disso, o Federalismo permitia aos estados que estes desenvolvessem forças militares próprias, fizessem empréstimos internacionais, cobranças particulares de impostos etc. O Federalismo brasileiro, entretanto, era bem diferente do Federalismo estadunidense, uma vez que ainda estavam fortemente sujeitos ao poder da União.

Durante a Primeira República, o poder político do país estava centrado nas oligarquias locais, pequenos grupos que sustentavam seu poderio a partir das riquezas produzidas em suas propriedades rurais.

As principais oligarquias eram as do Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. O poder oligárquico fez com que, durante o período da Primeira República, não houvesse um só partido político de alcance nacional. Eram as relações políticas regionais que determinavam os rumos políticos do país.

Além disso, as práticas políticas estavam marcadas pelo coronelismo, clientelismo e mandonismo. Essas práticas eram resultado do poderio econômico e político concentrado nas mãos dos coronéis, que exerciam o poder local por meio de violência e troca de favores.

A Primeira República também foi o momento em que a economia agroexportadora, baseada principalmente no café, se fortaleceu.

As revoltas populares, civis e militares, estiveram por toda extensão do período da Primeira República. As insatisfações giravam em torno do sistema político e social implementado. Pode-se destacar a Revolta de Canudos, a Guerra de Contestado, o Movimento do Cangaço, a Revolta da Vacina, entre outros.

O auge

O período que vai de 1898 até 1921 é considerado o auge da Primeira República e se inicia com a criação da Política dos Governadores, no governo de Campos Salles.

Política dos Governadores

Essa política consistia na troca de favores do Governo Federal com as oligarquias locais.

O Governo Federal, na intenção de acabar com as disputas regionais que aconteciam entre os estados brasileiros, começa a apoiar as oligarquias mais poderosas, concedendo favores e oferecendo recursos e cargos para aliados.

Em troca, as oligarquias se comprometeram a apoiar o Governo Federal a partir da eleição de deputados que, no Legislativo, votariam a favor das medidas propostas pelo Governo.

Com essa política, o Governo brasileiro consolida seu poder sobre os estados, impedindo que o Federalismo levasse a movimentos separatistas ou de guerra civil.

Ao mesmo tempo, as oligarquias tinham seu poder político reforçado. Para que esse acordo fosse viável, era necessário que os candidatos certos fossem eleitos. Por isso, o coronel era peça importante desse sistema, uma vez que através do voto de cabresto (compra de votos) e das fraudes, garantia que certos políticos fossem eleitos. Esse movimento encabeçado pelos coronéis foi chamado coronelismo.

Política do Café com Leite

Outra prática política desse momento no Brasil foi a Política do Café com Leite. Consistiu na união das duas oligarquias mais poderosas do período: São Paulo e Minas Gerais.

Essa política pretendia garantir o revezamento entre os candidatos das duas oligarquias, uma obtendo apoio da outra. Essa prática não aconteceu em todo período da Primeira República, ou seja, não explica a eleição de todos os presidentes. Por vezes, os candidatos não foram eleitos ou as oligarquias entraram em conflito, não apoiando o mesmo candidato.

A decadência

Entre 1921 e 1930, uma crise política muito grande se instaura no Brasil. A entrada de novos personagens políticos gerou uma instabilidade no jogo político do país, levando até a tomada do poder de Getúlio Vargas em 1930.


Exercícios

Exercício 1
(ENEM/2011)

Completamente analfabeto, ou quase, sem assistência médica, não lendo jornais, nem revistas, nas quais se limita a ver as figuras, o trabalhador rural, a não ser em casos esporádicos, tem o patrão na conta de benfeitor. No plano político, ele luta com o “coronel” e pelo “coronel”. Aí estão os votos de cabresto, que resultam, em grande parte, da nossa organização econômica rural.

(LEAL, V. N. Coronelismo, enxada e voto. São Paulo: Alfa-Ômega, 1976 (adaptado))

O coronelismo, fenômeno político da Primeira República (1889-1930), tinha como uma de suas principais características o controle do voto, o que limitava, portanto, o exercício da cidadania.

Nesse período, esta prática estava vinculada a uma estrutura social:

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, shorts e tênis acenando

Inscreva-se abaixo e receba novidades sobre o Enem, Sisu, Prouni e Fies:

Carregando...

Veja também

HISTÓRIA GERAL
Adolf Hitler
Adolf Hitler
HISTÓRIA GERAL
Descolonização da África e da Ásia
Descolonização da África e da Ásia
HISTÓRIA GERAL
Fascismo
Fascismo
HISTÓRIA GERAL
Guerra Fria
Guerra Fria
HISTÓRIA GERAL
Hiroshima e Nagasaki
Hiroshima e Nagasaki
HISTÓRIA GERAL
Muro de Berlim
Muro de Berlim
HISTÓRIA GERAL
Nova Ordem Mundial
Nova Ordem Mundial
HISTÓRIA GERAL
Pearl Harbor
Pearl Harbor
HISTÓRIA GERAL
Plano Marshall
Plano Marshall
HISTÓRIA GERAL
Primeira Guerra Mundial
Primeira Guerra Mundial
HISTÓRIA GERAL
Revolução Russa
Revolução Russa
HISTÓRIA GERAL
Segunda Guerra Mundial
Segunda Guerra Mundial
HISTÓRIA GERAL
Totalitarismo
Totalitarismo
HISTÓRIA GERAL
URSS - União Soviética
URSS - União Soviética